Um amigo comentou minha foto: “se o governo fosse de outro partido, o maior crítico a copa seria…” e o outro comentou: “Erick Cerqueira”. No primeiro momento achei engraçado, mas depois pensei bem. As pessoas estão confundindo criticidade com chatice. E aí resolvi escrever esse texto.

Quando o Rio de Janeiro foi eleito como sede para o Panamericano de 2002, o Brasil passava pelos mesmos problemas de hoje. Saúde, educação, segurança pública… aliás, a coisa era muito mais grave.

Na educação tínhamos dezenas de universidades a menos, as escolas técnicas no país estavam praticamente proibidas. Foram construídas apenas 11 escolas técnicas nos 8 anos do presidente FHC, que conseguiu trazer para o Rio o Pan de 2007, e o prefeito do Rio de Janeiro, em 2007, era do PFL (o partido que chamo de estelionatário, hoje conhecido como DEM).

Na segurança pública na cidade sede, a revista Veja (notem, não foi a Carta Capital) fez um editorial exclusivo chamado Violência Rio, com textos como “Traficantes usam o terror como arma de guerra”, “O que vale é a lei do Bandido” e “O dia do Bandido”.

A saúde pública, mesmo com o dinheiro da CPMF que foi extinto em 2007, era um caos. As mesmas cenas de pessoas no chão para serem atendidas, que hoje se repetem. Lembro que a única bandeira do Governo Federal na saúde eram os genéricos. Imaginem.

Mas mesmo com tudo isso, e o fazendo parte dos quase 12% de desempregados na época, comemorei o resultado do PAN. Assim como achei importante a ECO 92. Era o nosso país, de Terceiro Mundo, ganhando destaque no cenário internacional.

Aí paro e penso: imagina se agora, que deixamos de ser considerado país de Terceiro Mundo para sermos um “emergente”, quando a pátria de chuteiras vai sediar uma Copa do Mundo de Futebol, eu ia ser um dos chatos do #NãoVaiTerCopa, “precisamos de hospitais não de estádios”, “queremos Educação Padrão Fifa”… não meus amigos, não seria.

É preciso saber a hora de protestar e a hora de comemorar. A Copa é uma conquista nacional. Pra mim, mais importante até que o título. Todos os olhos do mundo estarão aqui, em junho de 2014. Não vou querer que os outros pensem que somos coitadinhos, que vivemos num país acabado e desmoralizado. Se é essa a impressão que vocês tem do seu país, não é a minha.

Não vou pedir para os “gringos” não repararem a bagunça. Que eles venham, se divirtam e voltem sempre. Se não vivemos num país 5 estrelas, também não moramos em um albergue. Não vou ser um chato da Copa. Vou torcer muito por ela, pela nossa Seleção e pelo meu país.

Um país onde 80% dos meus amigos viviam dizendo: “detesto política”, “política não se discute”, “político é tudo ladrão”. Agora, de uma hora pra outra, viraram politizados, analistas políticos e bem fundamentados oposicionistas, que querem protestar contra a Copa quebrando vidraça de banco e bancos de ponto de ônibus. Em bom baianês, “me deixe, viu”!

Eis que respondo ao meu amigo do início: não, Cordeiro Fábio e Rafael Lemos. Não seria o maior crítico da Copa se o PSDB estivesse no governo. Seria um entusiasta em junho e em outubro daria o meu voto ao que achasse ser o melhor, que hoje, com certeza, não seria aos tucanos… 😉