Se existe algo na vida inevitável, é o fim dela. Apesar do medo de muitos, todos morrem. E, contrariando os mais incrédulos, mais de uma vez por vida.

A cada momento onde prestamos uma última homenagem a um ente querido, um pouco de nós se esvai junto com as lágrimas. Esse “pouco de nós” é uma mistura do quanto gostávamos da pessoa, somado com as nossas crenças religiosas e multiplicado pelos abraços de conforto e os desejos de “meus sentimentos, pêsames ou condolências”.

Vivemos em um mundo tão agitado que não temos tempo (nem vontade) de pensar na morte. Em casos onde a vida é interrompida de forma abrupta, a dor é ainda maior, pois o sofrimento de quem fica é amplificado pela repentina partida que quem se foi.

E como consolar os parentes quando, na maioria das vezes, os amigos sofrem tanto quanto? O que dizer a uma mãe que está chorando por seu filho?

Somos preparados para a vida como se ela não fosse ter fim. E não adianta temer a morte, ela vive a nos rondar.

Quanto mais se ama ao próximo, mais vezes morreremos. Mais o que adiantaria viver sem amar, sem ter o que perder ou por quem chorar?

Ensino-vos o mote da vida de meu pai: façamos das pequenas coisas ruins, grandes coisas maravilhosas.

Minhas lágrimas antes de dor pelo desencarne de meu tio, passaram a ser de felicidade por lembrar quanto ele me fez rir e, principalmente, pelo privilégio que tive de conviver com ele. Ele fazia as pessoas felizes por décadas e não iria querer ver, aqueles a quem amava do seu jeito, tristes e chorando agora por ele. Por ele, Rudival Fernandes Cerqueira, minhas lágrimas serão sempre de alegria, na lembrança do sorriso moleque do mais pivete dos meus tios. Ele, o imune, o polêmico, o piadista, o juiz, o jurado, o exemplo de coisas boas que todos sempre quiseram ser e, paradoxalmente, de tudo que nunca gostaríamos de ser. Agora, na companhia dos outros grandes fumantes da família, deve está fazendo o céu ficar mais esfumaçado e engraçado.

Velhinho, aquele abraço,
Do seu sobrinho,
fenômeno da informática,
Baltazar