Mia - A cantora que virou coadjuvante (quase figurante) em seu próprio videoclipe

Voltando a normalidade assisti estarrecido a um “simples” videoclipe de uma cantora inglesa. MIA. Musicalmente falando é uma simples reedição de tudo que se vê na MTV. Um roquezinho sem muita expressão, que simplesmente fica inaudível depois de meio minuto de clipe. Agora, o Videoclipe é Sensacional.

Dirigido pelo francês Romain Gavras o curta, disfarçado de videoclipe, é de uma violência absurda. O filme é tão chocante que a música vira quase uma mensagem subliminar. Born Free. Gavras já vinha chocando a opinião pública no mundo inteiro com clipes como “Stress“. Porém, não são jovens arruaceiros que estrelam a violência dessa vez. São soldados que violentam os cidadãos e desrespeitam os direitos de uma minoria.

Com cenas dignas do holocausto nazista, o filme retrata soldados invadindo casas e sequestrando jovens ruivos. Numa clara referência aos genocídios de raças da Segunda Guerra, só que dessa vez, não é a suástica que enfeita os braços dos soldados. É a bandeira norte-americana.

Born Free é chocante e, se ainda houvesse censura nesse país, seria classificado como “21 anos”. Mas não foi a violência do clipe que me deixou estarrecido. O que assusta é ver que uma cantora gasta milhões pra fazer um videoclipe maravilhoso, e ao final, você não sabe nem o timbre da voz da Mia, que dirá, uma frase sequer da música. Aliás, procurando a letra na internet, achei essa frase I throw this sh!t in your face when I see you (eu vou jogar essa merda na sua cara quando eu te ver). Ou seja, dispensável.

Com uma edição primorosa Gavras usou a cantora para denunciar ao mundo, suas ideiaas sobre ao genocídio, o racismo (com ruivos no lugar dos negros),  e a brutalidade do imperialismo americano. É cruel, mas é maravilhoso. É uma verdade tão nua que envergonha, e tão crua que choca.

Se tiver estômago para assistir jovens sendo assassinados, clique ai embaixo. Mas tire as crianças da frente do computador antes.