• Home
  • Eu
  • No Observatório da Imprensa
  • Em outras
  • Todos os Textos
  • Portifólio
    • Abadás
    • Banners
    • Cartazes
    • Diagramação
    • Marcas
    • Sites
    • Outros formatos
  • Contatos

Home » Atualidades » Brasil – Um país de afetados

Brasil – Um país de afetados

Publicado por: Erick Cerqueira    Tags:  afetados, danilo gentili, Erick Cerqueira, estereótipo, humor, humorista, piada, preconceito, rafinha bastos    Publicado em:  junho 13, 2011  |  Seja o primeiro a comentar



A profissão mais perigosa no Brasil, nos dias de hoje, é a de humorista. Fazer humor tornou-se um grande problema, pois é necessário encontrar a dose certa entre fazer rir e não sofrer processos. Humorista deveria receber por insalubridade, adicional de periculosidade e auxílio-advocacia. Mas será que não há como se fazer humor sem sofrer tantas sanções?

O caso parece piada, mas é sério. Danilo Gentili perguntou pela internet: “quem o King-Kong pensa que é, pra entrar na cidade e pegar logo uma loira? Um jogador de futebol?”  Resultado: protestos e processo sobre a alegação de racismo.

Rafinha Bastos, também CQC, afirmou: “mulher feia estuprada deveria agradecer a Deus”. Resultado: protesto de uma organização feministas acusando o comediante do CQC de ter “incentivado o estupro no país”.

Piadas de “bichinha”, como ficou imortalizado o gênero pelo grande Costinha, agora sofre ação do movimento Gay (e nem saiu a PL122…).

Sobre negros, crime inafiançável.

Piadas sobre religiões, afro ou euro descendentes, são sempre chamadas de preconceituosas.

De português, judeu ou de árabe: xenofóbicas.

Até os políticos, alvo de tantas palhaçadas, protestaram e quiseram acabar com piadas sobre a “classe” no período eleitoral.

As piadas no país, de Mazzaropi pra cá, sempre tiveram dois temas centrais: falar mal dos outros ou o uso do duplo sentido (geralmente com teor sexual). Geograficamente as piadas limitam-se aos estereótipos: baiano é preguiçoso, sergipano tem cabeça chata, carioca é vagabundo/ traficante, paulista é egocêntrico e workahlic, gaúchos são homoafetivos, amazonense é tudo índio…

No campo das profissões: enfermeiras, modelos e secretárias são “mulheres fáceis”; todo advogado é mau caráter; cabeleireiros são gays; policiais são corruptos; políticos então…

Um país de “afetados”

O humor vai precisar passar por uma reformulação em nosso país. O Brasil tornou-se um país de “afetados”. Tudo pode melindrar ou soar ofensivo aos olhos dos outros. E o humor precisa mudar ou viveremos das idiotices dos “Caras de Paus”, das repetidas palhaçadas do Didi, das piadas imbecilizadas do Louro José, dos cansados personagens da Praça é Nossa e das mulheres maravilhosamente semi-nuas e sem-graça do Zorra Total. Mas teremos ainda o auxílio luxuoso e inofensivo do Castelo Rá-Tim-Bum. Nesse ritmo, em menos de uma década, só poderemos fazer piadas sobre os animais e o reino vegetal.

Quanta babaquice! Chico Anysio, o rei do humor do Brasil, imortalizou vários personagens que hoje seriam proibidos, ou como está na moda dizer, “ofensivos”: o baiano, preguiçoso, homossexual e pai-de-santo, Painho; o velho judeu sovina, Popó; o grande político safado, Justo Veríssimo; o jovem idiota e burguês paulistano, Jovem; o alcoólatra que casou com uma mulher horrorosa, Nazareno. O gay não-assumido, Aroldo, o hétero; o Preto Véio malandro, Véio Zuza, dentro tantos outros personagens que fizeram o Brasil rir durante mais de três décadas, usando estereótipos.

Meus amigos, perdoem a sinceridade, mas num país onde um advogado afirma que o seu cliente, um assassino confesso e libertado pela justiça, não irá dar o nome do seu comparsa  por “ética profissional”, querer levar os humoristas para o banco dos réus, é praticamente uma piada de humor-negro, melhor dizendo, humor-obscuro.

Os estereótipos estão aí, enraizados há décadas nas piadas brasileiras. Querer censurar o riso, será um tiro no pé. Um genial comediante disse uma vez: “tenho a impressão de que os homens estão a perder o dom de rir”. Se ele estivesse no Brasil de hoje, poderia até ser preso, por colocar para trabalhar uma menor em um dos seus filmes. Ou então, por incentivar a homossexualidade, vestindo uma menina com roupas de menino, sendo acusado pela bancada evangélica do Senado. O Brasil é mesmo o país da piada pronta, mas está ficando, cada vez mais, sem graça.

Erick Cerqueira
Nordestino, baiano, workaholic, neto de negra, bisneto de português e pra piorar, heterossexual.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
    Dilvugue esse texto para seus amigos
Sobre o autor
Erick Cerqueira
Publicitário, designer, blogueiro e baiano.



O que você achou do texto? Comente...





  Cancel Reply

« Pra fazer brilhar nossa estrela, de novo…
Será o fim do horário nobre? »
  • Últimos textos

    • Salvador e o melhor carnaval do mundo
      E depois de mais uma semana de carnaval, finalmente colocaremos novamente os pés...
    • Para a TV baiana, 2011 foi massa
      2011 foi um dos melhores anos para a mídia baiana. A começar pela regionalização...
    • 253 anos de Camaçari e o meu amor por ela
      28 de Setembro é o aniversário da minha segunda cidade. Estou tão impregnado...
    • Se isso é um Bom Dia Brasil...
      Quarta-feira, 31 de agosto de 2011. Acordo, como sempre atrasado e corro para o banho....
    • Horário Político: show, cara-de-pau e palhaçadas
      A política ficou mais chata depois de Lula. O ex-presidente era vibrante, engraçada,...
    • Será o fim do horário nobre?
      Lembro que na minha infância, quando as propagandas passavam durante as novelas...
    • Brasil - Um país de afetados
      A profissão mais perigosa no Brasil, nos dias de hoje, é a de humorista. Fazer...
    • Pra fazer brilhar nossa estrela, de novo...
      Terça, 7 de junho de 2011. Cheguei em casa, cansado depois de um dia de trabalho,...
    • O homminis femmius
      O homminis femmius é uma nova classe surgida com o avanço da moda na sociedade....
    • As malditas Correntes de Email
      Dizem que não há mal que perdure. Discordo. Trabalho com internet há 12 anos,...
  • Contatos





  • Pelas redes sociais





  • Últimos textos

    • Salvador e o melhor carnaval do mundo
      E depois de mais uma semana de carnaval, finalmente colocaremos novamente os pés...
    • Para a TV baiana, 2011 foi massa
      2011 foi um dos melhores anos para a mídia baiana. A começar pela regionalização...
    • 253 anos de Camaçari e o meu amor por ela
      28 de Setembro é o aniversário da minha segunda cidade. Estou tão impregnado...
  • Twittando...

    • DERCY CHEGANDO NO CÉU. - Porra tá frio aqui em cima. - O céu não tem temperatura, minha senhora – pondera um... http://t.co/VeuqTWr7
    • Essa eu vou fazer pra minha chefa Elaine Quirino. :) http://t.co/aGbfBWIg
    • A melhor música do Carnaval 2012. http://t.co/SKdjIxdc http://t.co/iTyvwiHu
    • A cara do carnaval de Salvador 2012... http://t.co/byJbJ35f! http://t.co/Y6Sfd5ya
    • Carnaval de Salvador é ctrl+C ctrl+V http://t.co/S95PBh64
  • Últimos comentários

    • Marcelo Menezes em DEUS ESTÁ MORTO, de vergonha!
    • WILSON BIZERRA em 253 anos de Camaçari e o meu amor por ela
    • Romu em Será o fim do horário nobre?
    • Beto Flausino Coelho em O Nordeste na mídia, preconceito e estereótipo
    • Isaac de Cristo em Se isso é um Bom Dia Brasil…
    • Lacerda em Carnaval – Chuva, Suor, Cerveja e Complexos
    • www.pulseiraexpress.com.br em Propaganda baiana – Page under construction
    • Horário Político: show, cara-de-pau e palhaçadas. | Penso, Logo, Digito! Por Erick da Silva Cerqueira em Cuau o pobrema do livru do MEC?
  • Portfólio

    Caminhão da Cultura PREMMASP Duplamente TIPO Revista A Caminho da Ternura 250 anos de Camaçari 3ª Semana de Cultura de Camaçari UNEB - Universidade do Estado da Bahia Licutixo Produções Palestra de Marketing Pessoal

Site do publicitário e cronista Erick da Silva Cerqueira - Salvador - Bahia - Brasil