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A cassação de Cunha não deve ser comemorada, ainda.

Após 10 meses de espera e protelações, Cunha foi cassado. Mas ainda não temos motivos para comemorar.

Primeiro porque já tinha cumprido o papel dele no Golpe e no desgaste do governo. Logo, como disse o golpista, traidor, canalha e defensor do fim da Sangria da Lava Jato, Romero Jucá, hoje vice-líder do Senado: já estava morto.

Segundo ele havia perdido o apoio da mídia que tanto segurou ele no cargo e comemorou sua conquista à presidência deixando Chinaglia com o mesmo número de votos que o Congresso deu pela não cassação de Dilma.

Mas o mais importante, e evidente aos olhos de quem lê notícias, e não só manchetes, foi a expressiva votação CONTRA Cunha Golpista.
Esse cidadão controlou o Congresso por um ano e meio, sustentava 260 deputados de acordo com uma das delações da Lava Jato, era um gângster como afirmou uma senadora na votação do seu afastamento, articulou e manobrou para que seu julgamento demorasse quase um ano e de repente… teve 10 votos a favor e 9 abstenções (leia-se: Deputados que não tiveram coragem de apoiar e nem de votar contra ele).

Os dez discípulos fiéis que morreram abraçados ao seu líder foram Carlos Marun (PMDB-MS); Paulo Pereira da Silva (SD-SP); Marco Feliciano (PSC-SP); Carlos Andrade (PHS-RR); Jozi Araújo (PTN-AP); Júlia Marinho (PSC-PA); Wellington (PR-PB); Arthur Lira (PP-AL); João Carlos Bacelar (PR-BA); e Dâmina Pereira (PSL-MG). Curiosamente, Jari Bolsonaro que chamou Cunha de “brilhante” na votação do impeachment votou favorável a sua cassação.

Com tamanha desvantagem, mais de 400 votos a favor da cassação do líder dos golpistas, uma coisa ressalta aos olhos mais atentos: houve acordo. Ou como prefere o golpista Jucá, um pacto. 

Houve acordo para que todos votassem pela cassação dele e possivelmente preservarem o cassado de ir para prisão. Cunha e sua esposa poderiam ser presos. Mas depois da votação, minhas esperanças nesse episódio se dissolveram. Se a votação fosse apertada, talvez fosse crível. Mas não foi. Perder de goleada assim, um gângster jamais perderia. Anotem aí. Houve acordo. Vamos ver se ele será cumprido. Mas como o Juiz Sérgio Moro não conseguiu nem achar a esposa de Cuha para entregar intimação, mas achou pra devolver passaporte, acho difícil eu estar errado nesse pensamento.

Tudo armado, muito pouco a comemorar e muito ainda que cobrar. Cunha deve ir preso pelos crimes que cometeu. Corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, ocultamento de patrimônio… mas isso são cenas do próximo capítulo.

Bom lembrar que um dia após a saída de Cunha o procurador Rodrigo Janot designou seu vice, José Bonifácio Borges de Andrada (filho de um deputado tucano e ex-advogado-geral de FHC e Aécio Neves), para uma operação Acrônimo, da Polícia Federal, que investiga o PT. Coincidência, né?