O futebol no estado da Bahia está longe de ser a oitava maravilha do mundo, mas ainda existe algo na Boa Terra que consegue superá-lo em ruindade. A imprensa esportiva baiana. Seja na TV ou nas rádios que fazem a cobertura esportiva, o nível dos profissionais, em geral, é baixíssimo. As opiniões mudam de acordo com os jogos e o “principal destaque do campeonato baiano”, até a antepenúltima rodada, passa a ser um jogadorzinho dispensável quatro jogos depois. Além da fragilidade das convicções expostas pelos nossos radialistas/comentaristas, o “agouro” é uma das marcas registradas das equipes. Ainda temos alguns bons nomes, como Paulo Cerqueira, Jorge Catuji, Sinval Vieira e Ronaldo Passos para salvar o time de comentaristas. Mas em sua grande maioria são grandes pernas-de-pau com microfone em punho.

Quando o Bahia subiu para a Série A em 2010, parte da imprensa afirmava que pouquíssimos jogadores daquele time deveriam ser mantidos. O tricolor baiano começou a fazer uma série de contratações no início de 2011 e muitos radialistas aprovaram os reforços. Porém o time não se acertou durante o Campeonato baiano e a imprensa começou a criticar todos os reforços – que antes entendia como acertados. Já o Vitória, sempre tido como o franco favorito ao título pelos radialistas, era um time muito mais organizado e mais compacto.

Começa a Copa do Brasil e o rubro-negro baiano perde na primeira rodada para o Botafogo/PB. A imprensa “escracha” (como diz um dos slogans de uma das rádios) o time. O Bahia, desorganizado, segue em frente e só é eliminado pelo Atlético-PR. Goleado por 5 a 0 na Arena da Baixada, o tricolor passou a ser tido como “provável rebaixado da Série A no Brasileiro” pela imprensa local. Dias depois o Palmeiras, de Felipão, sofreu uma sonora goleada de 6-0 para o Coritiba e ninguém da imprensa paulista elegeu o time como candidato ao rebaixamento.

Não se lembrou de combinar

Veio o primeiro clássico BaVi (Bahia x Vitória) na semi-final do baianão. O lado vermelho e preto vence por 1 a 0, mesmo não sendo melhor durante a partida. No Cartão Verde Bahia, um comentarista revela: “O Bahia precisa contratar 11 jogadores para o Brasileirão; o Vitória, apenas uns três reforços.” Já no segundo jogo, Vitória 2×3 Bahia, o time tricolor, mesmo vencendo, foi eliminado pela vantagem do rival de jogar por dois resultados iguais. “O Vitória perde, mas porque podia perder por um gol de diferença”, afirmou o mesmo comentarista.

Bahia fora, caminho livre para o pentacampeonato inédito do Vitória. Contagem regressiva para o título, mesmo sabendo que deveriam enfrentar por duas vezes um time do interior. Empate em Feira de Santana e o comentarista chamado “Pimenta”, da Transamérica, professa: “O Vitória já é campeão baiano. O jogo do Bahia de Feira era esse. Deixou empatar, já era. Lá no Barradão, não terão chances.” Ele não se lembrou de combinar com o time do interior. Resultado, Vitória 1×2 Bahia de Feira. Bahia de Feira campeão baiano. Aí surge a crise.

Quem precisa de adversário?

O time do Vitória, antes “bem arrumado”, passa a ser um bando sem tática e desprovido de técnica. A grande promessa Nikão, antes revelação do campeonato, vira um jogador dispensável. O goleiro, antes ídolo, vira vilão por uma falha. A zaga não presta, o meio de campo não existe e o ataque não tem referência. O vinho se transforma em água suja por um único tropeço do ex-franco-favorito, que agora passou a ser candidato ao rebaixamento para a Série C do Brasileirão. E o técnico já precisa ser trocado…

Vai começar o Campeonato Brasileiro, onde espero que as previsões dos “urubólogos” da imprensa baiana estejam erradas. Gostaria de saber: a quem interessa tantas previsões catastróficas e imprecisas? No início do ano passado, o Bahia disputava o acesso à Série A e a imprensa afirmava: “Não tem time para subir.” O Bahia subiu. Em 2011, nenhum time do interior desbancaria a dupla BaVi, no Baianão. Deu Bahia, mas de Feira de Santana. Não sei se é falta de conhecimento futebolístico ou, simplesmente, eles são desprovidos dos dotes de adivinhação da Mãe Dinah. Mas dificilmente conseguem acertar…

No mais, parabéns ao “Tremendão” pelo título Baiano de 2011 e sorte para os times baianos no Brasileirão. Afinal, com uma imprensa como a nossa, quem precisa de adversário?

Erick da Silva Cerqueira
Publicitário & Torcedor do Bahia

Publicado no Observatório da Imprensa

Futebol baiano 1×0 imprensa baiana