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Na época do Jô Soares, ele mesmo conta, a iniciação sexual era quase ritualística. Os jovens buscavam inspiração em anúncios de calcinhas ou em livros de anatomia. “Era preciso uma imaginação de Julio Verne para se excitar”, revelou o gordo em seu programa. Aí chegou Carlos Zefiro (o Marquês de Sade da era moderna) e suas revistinhas proibidas para ajudar o pessoal. Um amigo me revelou que, naquela época, a única alternativa sexual para a garotada do interior, era a zoofilia. Um deles me revelou algo digno de registro: “as cabritas berravam muito alto, preferia as ovelhas que gemiam mais baixo, parecia até uma mulher recatada”.
Chegaram os anos 90. Era o início de uma nova revolução sexual. As meninas, já faziam. Os homens, tarados como sempre, despertavam antes da hora a libido das mocinhas. Não era mais necessário esperar a maioridade, casar, ter compromissos muito sérios. Em poucos dias de conversa a coisa “acontecia naturalmente”. Isso sem falar no Carnaval, onde o imediatismo momesco esperava apenas, e dramaticamente, o tempo de se abrir um preservativo. Não era mais necessário os préstimos das queridas empregadas, pois as “patricinhas” (expressão surgida na década para definir as “moças de família”), estavam tão interessadas no ato quantos nós, os malditos homens. A Playboy perdeu seu “status quo” pois o carne era tão acessível quanto as páginas. Era o ápice. Os adolescentes iam para as festas com o intuito de achar o par perfeito, para uma noite apenas.
Hoje as conquistas dos anos 90 parecem ridículas. O sexo entrou na rede. Qualquer criança com acesso a internet consegue achar fotos que deixam um ginecologista envergonhado. Os sites “XXX” são aproximadamente 493.000.000 no Google (a expressão XXX vem do inglês “ecsiecsiecsi”, que foneticamente se assemelha-se a “sexsexsex”. Viu? Sexo também é cultura). As meninas do hoje só falam em sexo. A Revista Nova consegue deixar a Playboy com cara de “turma da Mônica”. Big Brother, Malhação, novelas de todos os horários, não falam (ou mostram) outra coisa. Sexo virtual é algo comum. As mensagens via Facebook já são responsáveis por um em cada cinco separações nos EUA. Sites como o Chatroullete são especializados no quesito, sexo. Chats levam ao sexo. Portais de relacionamento, então, estão recheados de mulheres e homens interessados em sexo. MSN exibem desde conversas picantes até strip-teases completos e cenas ainda mais explícitas. O sexo está por um fio, ou em wireless. E haja XXX.