É incrível a história do Esporte Clube Bahia. A dez anos atrás era uma das 13 maiores potências do Brasil. Era o orgulho de uma das maiores torcidas do País. E essa nação tricolor era presenteada ano sim, outro também, com títulos, alegrias, vitórias sobre o Vitória e até título brasileiro. Encarávamos São Paulo, Flamengo, Santos (até o de Pelé), Cruzeiro, etc. Tínhamos uma sede de praia, um Fazendão bem equipado, uma das maiores divisões de base do país e jogávamos de aluguel é verdade, mas em um estádio de respeito. Aliás, a Fonte Nova era temida por todos os grandes clubes do Brasil. Vencer na Bahia para o Bahia era motivo de muita comemoração. Era um time que sempre se respeitava em casa e aprontava de vez em quando fora. A torcida rubro-negra do estado ocupava apenas 30% do estádio nos Bavis, ou até menos. Épocas de homens polêmicos, mas homens. Deiró, Osório, Maracajá. Homens que se respeitavam e faziam o seu time ser respeitado e temido pelos adversários.

Jogadores como Bobô, Douglas, Dadá, Charles, Marcelo Ramos, Luis Henrique, Paulo Rodrigues desfilavam pelos gramados baianos enquanto guerreiros como João Marcelo, Claudir, Fabão, Estevam, dentre outros, garantiam o resultado lá atrás. Mas chega de saudosismo desse senhor de 31 anos que vos escreve. O caso agora é outro. E grave.

Do Bahia que aprendi a torcer e amar, só restou o escudo. O Bahia S/A é a pior coisa que já apareceu no futebol nos últimos 20 anos. Em campo jogadores ridículos e completamente descompromissados com o time. Aliás, time, não há. O bando tricolor é algo lamentável até mesmo para os campeonatos da 3ª. Um time que nos últimos 10 anos, presenteou sua torcida com vergonha e goleadas. A última grande alegria que esse time deu foi fazer um gol aos 50 minutos do segundo tempo, contra o “grande” Fast Clube de Manaus, vencendo-o assim por 1 a 0 e garantindo sua continuidade na competição da série C de 2007. Depois subiu, é verdade, mas comemorar aquela vitória como se fosse o 3º título nacional, foi inimaginável.

Para piorar perdemos nossa hegemonia no baianão para o nosso arqui-rival. Nem lembro quando gritei “é campeão” pela última vez. Nem na terceirona, lá também fomos vice. As vergonhas não param por ai. Artuzinho, o técnico que classificou o time para a segundona foi demitido logo após a conquista. Depois voltou como salvador da pátria e manteve o time entre os 6 primeiros da série B. De repente, ele é demitido de novo. Sai do time com um aproveitamento de 60%, sendo um dos times visitantes de melhor desempenho na competição e a justificativa foi uma discussão com a diretoria pelos salários atrasados dos jogadores.

Depois disso foi só queda. Até greve de funcionários por falta de pagamento de salários. Aí, demite-se a cozinheira como a culpada pela crise. Um caso tão ridículo e vergonhoso que virou motivo de gozação por parte do presidente do rival. Pela primeira vez na história do futebol é feita uma coletiva com a imprensa para anunciar a contratação de uma cozinheira. Grande sacada de marketing do presidente do Vitória.

Como desgraça pouca é bobagem no campo começam a ser refletidas as burradas da diretoria. O time, antes brigando pelo acesso a série A, agora reza pra não cair pra C. Goleadas “homéricas” sofridas para adversários ridículos, como Fortaleza, Paraná e ABC. Uma assustadora coleção de cartões vermelhos e amarelos e ninguém é punido pela diretoria, que com os salários atrasados, não têm moral alguma para questionar ninguém. Transações equivocadas, como a do atacante Fábio Jr. A pior defesa do campeonato com 62 sofridos (até hoje), sendo que 37 apenas nos últimos 13 jogos do segundo turno da competição. Jogadores sem o menor ímpeto dentro de campo, com raríssimas exceções. E o pior, temos que sentir saudades de Artuzinho e Elias como se fossem Felipão e Kaká.

Chega.

Não me devolvam mais o meu Bahia. Agora quem não quer sou eu. Quero um novo, por favor.

A Fonte Nova, caiu. Pituaçu, não saiu. O futebol, sumiu. E os cartolas não querem ir completar a rima.

Agora eu sei o que foi ser torcedor do Vitória no século passado. Mas quem nasceu para vencer, tem sempre a esperança que as coisas mudem.

Bora Baêa minha pôrra. Vamos vencer o CRB (pelo menos esse, na boa) e gritar com o cara ao lado: “Adeus Cerei C”. Ano que vem a gente tenta voltar a ser grande de novo. Afinal, em meus 31 anos de idade, vi o meu time ser campeão baiano 16 vezes e não quero crer que vamos deixar escapar mais um estadual para os rubro-negros, cheios de orgulho pela contratação da nossa cozinheira. Ah, isso não.