Um grande amigo postou uma mensagem sobre o test-drive sexual, condenando a prática das pessoas de “testarem” seus parceiros no ato. Confesso que fiquei meio indignado com a aceitação do público dele, nas redes sociais, em ver aquilo com “excelente”. Apesar de considerá-lo uma das maiores cabeças pensantes que conheci, comecei a imaginar como responder a ele, numa boa. Então, vamos lá. Como bom publicitário tentarei analisar a tese de acordo com as teorias utilizadas no marketing, utilizando de constatações via observação e sem falar sobre mim, é claro.

Primeiro é preciso entender que, de acordo com Maslow, Sexo é uma necessidade fisiológica, assim como respirar, comer, beber e dormir. Logo, um pouco diferente da ideia principal difundida, não falaremos sobre desejo, e sim, necessidade, inicialmente.

Como toda necessidade existem várias formas de satisfazer a ela. Quando se está com fome, macarrão com cebola e um lasanha bolonhesa produzem o mesmo efeito. Porém, apesar de serem massa, odeio macarrão e adoro lasanha. Logo, apesar das duas iguarias satisfazerem a minha necessidade fisiológica de comer, apenas uma satisfaria o meu desejo de comer bem. O mesmo exemplo poderia ser utilizado com cerveja x água com gás, 10h de sono x as minhas 4h, dentre outras.

Agora imaginemos a hipotética situação: um homem de 18 anos, virgem, casa com uma mulher de 18 anos, também virgem. De acordo com o caráter religioso de ambos, essa seria a forma mais nobre do casamento aos olhos de Deus. Ou seja, sem test-drive. Mas pensemos em alguns casos, apenas sobre casais heterossexuais pra não criar outra polêmica.

Caso 1

Na lua de mel os dois deitam e se amam de forma maravilhosa e ambos vêem estrelinhas nos céus pela manhã.

Caso 2

Na lua de mel o homem descobre que a mulher é frígida e a ela descobre no seu marido um tarado inveterado que se guardou durante quase duas décadas para ela.

Caso 3

A mulher é a insaciável e o marido um homem do tipo DVD-R (Deita Vira Dorme – Ronca).

Caso 4

Ambos são, digamos, incompatíveis sexualmente. O livro do Kamasutra explica bem a situação. Imaginem uma Mulher Corça casada com um Homem Cavalo. Ou o contrário, um Homem Lebre e uma Mulher Elefanta. Na primeira opção, o ato sexual causaria dor, ao invés de prazer. Na segunda, cócegas…

Ou seja, com exceção do Caso 1, sexualmente falando, todos teriam uma vida difícil pela frente, de adaptação, rejeição ou até de submissão e rendição à uma cama, que pode até trazer felicidade, mas sem prazer.

Agora imaginemos que 1 dos dois já tenha tido outra experiência sexual no decorrer da sua vida pré-conjugal. A comparação será inevitável e daí poderão surgir o descontentamento a (o) parceira (o), vontade de recorrer ao “auxílio das ruas”, cônjuge insatisfeito mais levando o casamento até o fim da vida, como manda a bíblia e uma vida quase de penitência em prol de um casamento de aparências.

Conheço casais que casaram virgens e são felizes (pouquíssimos). Conheço pessoas que fizeram muitos test-drives e são felizes. Mas não consigo acreditar que alguém infeliz sexualmente no casamento, possa levar uma vida feliz e “sincera” a longo prazo.

Sexo não é tudo. Não é 100%. Mas, de acordo com Maslow, ele está na base da pirâmide de hierarquia das necessidades. Logo comer bem é diferente de comer macarrão com cebola. Pilotar uma Ferrari é uma experiência única, bem diferente de dirigir um fusca, apesar dos dois atenderem a mesma necessidade, deslocar passageiros de um lugar para o outro.

Enfim, sem test-drive, não existe parâmetro de comparação. Sem comparação, ‘o único’ será sempre ‘o melhor’. E assim perdemos a oportunidade de realizar novos desejos e viveremos apenas saciando as nossas necessidades.

Com isso, cheguei a seguinte conclusão: sem Test Drive, sua vida tem muito mais chances de viver precisando ir pra oficina ou viver fazendo recall.

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Ao meu grande amigo, Cazuza