Archive for junho, 2009

29
jun

Mais um Bahia…

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

bahiaAcostumado com grandes conquistas durante 70% da minha vida parece que agora está chegando o meu momento de sofrer pele meu time. Acredito que seja uma espécie de purificação, para que na próxima vida eu volte morando em Barcelona e torcendo para o time homônimo da cidade. Isso porque a cada dia deparo com novas frustrações e tristezas vindas direto do Fazendão, sede do meu glorioso tricolor baiano.

Como se não bastasse não vencer um campeonato baiano a quase 9 anos, ser rebaixado 2 vezes da primeira divisão (porque  subiu pela janela),  uma vez rebaixado pra 3ª onde passou 2 temporadas no inferno, no ano passado tivemos que apelar para um rubro-negro convícto nos salvar.  Paulo Carneiro. Mas, como ele é um profissional, que ajudou a fazer do Vicetória um vencedor, acabei me rendendo a iniciativa polêmica do novo presidente do meu clube.

Hoje, dia 29/06/09, recebo a informação da mundança do escudo do meu time. De início achei absurdo, mas como designer, resolvi tentar entender essa iniciativa como uma forma de modernizar o clube. Mas aí, vi o útimo dos erros do meu time. Que escudo feio… 

Explicando tecnicamente

O novo escudo tem problemas sérios de Semi-ótica e aplicabilidade. Ele nos passa uma idéia de tristeza e de declínio. Isso por causa da bandeira, que agora está voltada para baixo. Quando lemos algo ou estudamos uma marca, os enxergamos da esquerda pra direita. A bandeira nova começa no alto e vai caindo…

A bandeira está tremendo.
Talvez de medo dos nossos grandes adversários, como o Ipatinga e o Duque de Caxias. Ela poderia até ter movimento, como a do Corinthians, já que o nosso escudo foi baseado nele. Notem que a
bandeira do escudo do time paulista termina no alto, indicando ascenção.

Menos brilho para nossas estrelas
As estrelas diminuiram. Parece que estão desvalorizando as principais conquistas do Bahia. E foram duplicadas, ocupando também o espaço das antigas bolinhas  que separavam o nome do ano de fundação.

Menos time e mais Estado
O triângulo da bandeira do Estado, além de ser outro erro (isso já como opinião pessoal) ainda está torto. Tiraram o símbolo do meu time para colocar a bandeira do Estado. Esqueceram que quem melhor representa a Bahia hoje é um outro time, que por sinal, é o nosso arqui-rival.

Modernizar é preciso…
Já que pretendem modernizar, porque não trocaram a fonte (letra) do nome de Arial para Futura ou Helvética? A única coisa que se reaproveita são as cores e o jogo de luz do novo azul do escudo, mas isso também irá gerar problemas de aplicabilidade em algumas mídias.

Além de todos os erros do novo escudo (que espero seja substituído o mais rápido possível, pelo antigo) a fase do Bahia não é das melhores. Em 9º lugar na série B, o tricolor de aço  vem de dois sofríveis empates com times sem expressão, já citados acima para meu desgosto. Ou seja, não era o momento da diretoria gerar uma polêmica com a mudança do escudo e sim, se preocupar com o time e o técnico do Bahia. Até pra fazer besteira eles podiam ser um pouco mais inteligentes. Vamos rezar pra o Bahia voltar a 1ª divisão no final do ano e só depois pensar em fazer uma mudança radical como essa. Esse deveria ser o pensamento da Diretoria do nosso Clube.

É Bahia. Mais um, mais um título de inglória incompetência…

16
jun

Quando Maísa chorou…

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

maisa

Tive a felicidade de ter grandes professores na faculdade. Um deles, Eduardo Rocha, teve o grande mérito de me apresentar a uma das personalidades que mais mudaria a minha formação: Friedrich Wilhelm Nietzsche. Em um dos seus livros, Muito além do bem e do mal, esse louco e genial alemão questionava: quem define o que é bom ou mal para alguém? A partir disso, passei a entender as 6 bilhões de “verdades” que existem no mundo. Um dos grandes problemas de quem expõe e defende aquilo que pensa, no mundo como de hoje, é parecer arrogante e intransigente. Mas, em contrapartida, essas mesmas pessoas acabam por ganhar o respeito das outras. Parece paradoxal, mas o que seria do mundo sem os questionadores?
No dia 09 de junho, um artigo publicado no Observatório da Imprensa surpreendeu-me pela franqueza, correção, inteligência e boa argumentação. O artigo em questão é “Comunicação ou mero moralismo?”, do dr. Paulo Bento Bandarra. Bandarra critica duramente uma das terríveis tendências dos novos (e velhos) jornalistas nacionais. A síndrome anticapitalista dos estudantes de jornalismo. Talvez, essa ação subversiva seja somente um reflexo dos tempos onde a repressão à imprensa foi muito dura, na época da ditadura (ou ditabranda, segundo a Folha). Mas a imprensa já não é mais marginal. Não se colocam bombas em bancas de revista. Não se fecham jornais e revistas em represálias as suas reportagens e, principalmente, nossos impressos vão muito além dos panfletos anarquistas ítalo-brasileiros do início do século XX.

 

A exposição da “pobre menina rica”
O dr. Paulo Bento critica duramente o moralismo que impera, não somente no âmbito jornalístico-midiático, mas em todas as instâncias da nossa sociedade moralista católica cristã. Se bem que os novos cristãos e sua teologia da prosperidade começam a evidenciar a necessidade das bênçãos ainda em vida, algo que parece ter sido esquecido pelos católicos, na terrível vitória da Judéia contra Roma, como diria Nietzsche.
Em pleno século XXI ainda possuímos costumes medievais. O próprio fato de usar o 21 em algarismo romano, na frase anterior, é prova disso. O latim utilizado pelos advogados em seus textos complicadíssimos é outro sinal dos tempos remotos, onde o latim era utilizado pelos aristocratas e eclesiásticos como forma de se manterem distantes das ralés. Na imprensa e na mídia, em geral, o que perdura é a guerra entre ideologia e o capitalismo. Os ideólogos, arrasadora maioria dos profissionais, criticam os vendidos que fizeram e fazem sucesso nos meios de comunicação. Luciano Huck foi duramente criticado ao sair da Band e ir para a Globo. Vendido, mercenário, dentre outras denominações, o então jovem apresentador do “H” deu uma declaração bombástica. “Não vestirei a camisa da Globo, irei tatuar a marca no meu peito.” Essa polêmica declaração gerou muitas críticas entre os “não-vendáveis” profissionais anti-Globo, mas não passaram de críticas esquecidas, que não moveram e nem moverão moinho algum.

Agora a questão principal é sempre dar ou não importância ao dinheiro, esse vilão moderno que move o mundo, mas não traz felicidade (talvez mande entregar via delivery). Quando Maísa chorou um monte de críticos ferrenhos e opositores a exploração do trabalho infantil surgiu em todos os blogs e portais jornalísticos da nação. Nem as lágrimas de Nietzsche tiveram tanta repercussão (Quando Nietzsche Chorou, do autor Irvin D. Yalom). As lágrimas da pequena Maísa parecem ter manchado a maquiagem que escondia a verdadeira face dos observadores da imprensa daqui. A imprensa urubu, que tanto critiquei no caso do seqüestro de Santo André, parece ter pousado no Observatório. Por que só agora a superexposição da menina prodígio do tio Sílvio Santos está incomodando o Ministério Público? Será que o Ministério Público não está apenas pegando uma carona na exposição da “pobre menina rica”? E nós, do Observatório, também não estamos nessa carona?

Opção mais “confortável”
Penso muito próximo do dr. Bandarra. Acredito que seja só mais um caso da imensa hipocrisia nacional se manifestando e se concentrando em um episódio, até certo ponto, pequeno, ante tantas mazelas sofridas no dia-a-dia da nossa sociedade por milhões de crianças em estado de miséria e desamparo, Brasil a fora. Precisamos acabar com essa ideologia de ter o capitalismo como vilão da nossa sociedade. Ele está aí, e bem e ou mal, com crise ou sem crise, é a Lei. Dura Lex, Sede Lex (só para usar um pouco de latim, como os advogados e os padres exorcistas do cinema).
Vamos acabar com essa hipocrisia, senhores. Maísa e sua família precisam da caixa registradora, como critica Washington Araújo em seu artigo, “A menina-prodígio e a caixa registradora”. Ou será que a mini-petiz, apelido de Marcelo Taz à apresentadora da emissora concorrente, preferiria estar cortando cana no nordeste, vendendo chicletes em semáforos, pedindo esmola nas ruas ou sendo mais uma malabarista do sinal vermelho? Como será que o Ministério Público prefere: Maísa sendo usada pelo SBT ou sexualmente explorada pelas ruas, caro Ministério? Acredito ser a primeira opção mais “confortável” para todos, enquanto as crianças nas outras situações, sim, deveriam ser apoiadas e ajudadas pelo MP. Mas aí, que Ibope teria?

 

 

Extraído do Observatório da Imprensa.
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=543MOS002

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6
jun

Os “embrulhos” de Sábado à Tarde

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

matta

Salvando um sábado de TV

Final de jogo aqui em Montevidéu. Brasil 4, Uruguai 0. Assim se encerrava, de forma tradicional, a transmissão de Galvão Bueno para a Rede Globo de Televisão. Ai começou a minha angústia. Como viver à frente da TV aberta em um final de sábado à tarde?
Tive de pensar rápido. A qualquer momento começaria a novela das 6, algo tão abominável que o cantor Daniel é um dos atores principais. Não aguentaria assistir a essa mistura de Pantanal com O Rei do Gado. Comecei a me desesperar. Empunhei com toda gana e disposição o meu controle remoto, a maior invenção da humanidade, e comecei a mudar os canais.
Canal 9, Rede TV. Programa Escola de Profetas. Não tenho muito vocação…
Canal 7, Band. Raul Gil e seu show de calouros. Talvez quinze anos atrás, mas não hoje.
Canal 5, Record. O melhor do Brasil. Uma das piores coisas já apresentadas na TV aberta brasileira. Algo tão ruim que poderia ser considerado uma cópia muito piorada do Video game da Angélica (sic). Talvez o título do programa seja uma ironia.
Canal 4, SBT. Seriado enlatado. Pelo menos não era humorístico mexicano do Programa do Chaves.

“Público”, como algo sem dono
Canal 2, TVE Bahia. De repente, o mundo da mediocridade da TV aberta deu lugar a um importante hiato. Um programa onde o antropólogo Roberto DaMatta discorre, livremente, quase sem cenários, sobre a formação cultural do povo brasileiro. Era simples, um pano de fundo que parecia um tapete com matizes africanas. Ele, do lado esquerdo do vídeo, e sua imagem sendo cortada de tempos em tempos por vídeos antigos e imagens mostrando manifestações típicas do nosso povo.
DaMatta discursou sobre alguns dos nossos problemas cotidianos, argumentando sobre a possibilidade de muitos deles serem frutos da nossa má formação cultural. Falou sobre a famosa frase que, segundo ele, representa bem o povo brasileiro, o famoso “você sabe com quem está falando?” A constituição da nossa personalidade foi explanada de forma brilhante e simples, como em seus livros. Falou do nosso erro ao tentar fazer da escola uma extensão da nossa casa, ao chamar a professora de “tia”, deixando de lado o respeitoso tratamento, antes obrigatório, mas hoje, arcaico, “senhora”. A falta de respeito com os outros. A falta de consciência do nosso povo ao entender “público” como sendo algo sem dono, e não como bem comum a todos, dentre outras coisas.
O que está acontecendo com o espectador?
Mas o que isso tem a ver com a mídia? Tudo.
As TVs abertas exploram a ignorância, a falta de cultura e o desprezo da maioria da população pelas artes, leituras e as ciências sociais de forma tão gritante que, quando deparei com um grande autor discursando sobre suas obras e estudos, fiquei maravilhado. Algo, na minha concepção, de extrema importância para o entendimento da nossa sociedade é renegado como sendo “somente um programa para os velhos”, como cansei de ouvir. Por isso, no auge da minha velhice de três décadas de vida, agradeço a Deus por ainda conseguir enxergar esse contraste como um absurdo.
Façamos algumas perguntas a nós, e por nós mesmos: por que devemos nos contentar em ver a fictícia vida dos personagens das novelas, quando podemos aprender sobre a nossa realidade e buscar melhorar a nossa sociedade? Para que perder tempo com a vida alheia nos reality shows, nessa democratização nacional da fofoca, se podemos aprender mais sobre a nossa cultura? Como entender a audiência astronômica de programas que exploram as mazelas e desgraças do ser humano, com seus apresentadores demagogos e vendidos? E o pior, como entender os baixos pontos do Ibope alcançados pelos poucos programas de conteúdo útil e realmente interessante da nossa TV aberta?
Meu Deus, com que finalidade se assiste ao E24 da Band, onde acidentes e atendimentos a doentes terminais tornam-se espetáculos ante uma câmera nervosa, imagens difusas e gritos de dor?
O que está acontecendo com essa raça da humanidade denominada de espectador?
Talvez fosse necessário mais alguns programas com o nosso antropólogo Roberto DaMatta para responder essas perguntas. Mas acredito que ninguém irá perder um final de semana para pensar em coisas sérias e com o intuito de melhorar nossas vidas. Afinal, o Zorra Total vem aí e domingo tem Faustão, Silvio Santos, Gugu..

Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=541TVQ003


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