Archive for outubro, 2009

19
out

A guerra do narcotráfico (direito dos desumanos)

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades, Notícias

Helicóptero da PM derrubado pelo tráfico
Helicóptero da PM derrubado pelo tráfico

O Rio de Janeiro e o Brasil voltaram a ser notícia em todo o mundo, mas dessa vez não pelas Olimpíadas, e sim, pelo olímpico e hercúleo jogo de “gato e rato” travado entre policiais e narcotraficantes cariocas.
O jornal espanhol El País, que havia publicado uma matéria recheada de elogios ao nosso país no dia 12 de outubro, agora publica a notícia: “La disputa entre facciones de dos favelas desencadena un enfrentamiento con la Policía Militar que provoca doce muertos.” The New York Times destacou: “2 dead as gang shoots down Brazilian police helicopter”.

 

As cenas de guerra que aconteceram neste sábado (17/10) chocaram todo o mundo. A interminável crise na segurança pública carioca é algo absurda. O desrespeito ao poder constituído, em uma das principais cidades turísticas do planeta, é notório e tratado cada vez mais com desdém por quem não vive essa triste realidade. O combate nos morros e o fortalecimento do tráfico de drogas viraram temas de sucessos do cinema nacional. O filme Tropa de Elite, baseado no romance A Elite da Tropa, elevou os agentes do Bope ao nível de heróis nacionais. Prova disso foram os efusivos aplausos no desfile de 7 de setembro no ano do lançamento do filme. Mas parece que nem a tropa do capitão Nascimento conseguiu evitar mais essa tragédia de âmbito internacional.

Medo de ser taxado revanchista

Quando um crime como esse acontece, a primeira coisa a se detectar é a quem culpar. Aí, a imprensa se complica. O governador do Rio, responsável pela segurança no Estado, antes culpava o governo federal, responsável por controlar as fronteiras e impedir o contrabando de armas. O ministro da Defesa aparece em coletiva para oferecer o reforço da Força Nacional. O governador rejeita e afirma que o importante é trabalhar nas ações de prevenção para que novas tragédias como essa não se repitam. E assim caminha a humanidade.

Em entrevista coletiva, o secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, admitiu os erros da operação dos seus policiais. O chefe da Polícia Civil, Alan Turnowski, garantiu: “A gente sabe quem foi, sabe como foi e vamos dar a resposta na mesma medida.” E para finalizar, o comandante-geral da PM, Mário Sérgio Duarte, disse que “agindo dentro da legalidade, da legitimidade, iremos atrás deles, onde for preciso”. Ou seja, o primeiro assume o erro, o segundo garante a retaliação e o terceiro afirma que irão usar os métodos dentro da legitimidade e de forma legal. Essas duas últimas afirmações despertam uma triste sensação coletiva. Se a polícia sabe quem foi, por que eles ainda estavam soltos? E mais, por que a preocupação do comandante-geral em destacar em sua afirmativa “dentro da legalidade”?

Simples: porque existe um sistema judiciário em nosso país que se preocupa muito mais com a “segurança e bem-estar” do marginal do que com a segurança pública coletiva e os direitos humanos dos que protegem os cidadãos. Já o medo do comandante Duarte é outro. O medo de ser taxado pela nossa grande imprensa como um revanchista e de tentar fazer justiça com a as próprias mãos.

Um ato fascinante e cinematográfico

Dezenas de marginais (e alguns inocentes) dos morros cariocas serão mortos nos próximos dias, isso é fato. Saber como a imprensa reagirá a isso é a grande questão. Se vão apoiar a retaliação da polícia carioca ou se irão condená-la, afirmando que não há pena de morte no país e que houve desrespeito aos direitos humanos é uma incógnita definida apenas pela linha editorial (ou política) de cada veículo de comunicação.

A morte dos policias, irá passar despercebida. Seus nomes nem foram citados na coletiva sobre o caso, onde os profissionais que deram suas vidas na luta contra o tráfico foram reduzidos a meros números. Serão somente estatísticas no jogo de “polícia e ladrão” travado nas favelas da cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

Mas, digamos que a polícia efetuou a prisão de todos os envolvidos. E agora? É difícil acreditar no sistema carcerário nacional como um ponto de recuperação para os cada vez mais violentos traficantes brasileiros. Serão tratados como heróis e estrelas do crime, festejados por terem cometido um ato fascinante e cinematográfico como a derrubada do helicóptero da PM. Será que os representantes dos Direitos Humanos e advogados irão fazer um ato público na mídia e ajudar os parentes dos policiais mortos em combate, assim como apareceram no momento da prisão dos marginais para “garantir a integridade física de seus clientes”? Decerto que não.

Cena de guerra afegã

A ousadia, a impunidade, o uso crescente de drogas financiando o tráfico, a burocracia, a corrupção em todas as suas instâncias e os Direitos Humanos àqueles que não respeitam os direitos dos outros são e serão sempre entraves para a segurança nacional. E o pior é que ainda serei taxado (como já fui, no Observatório da Imprensa) de fascista, por defender menos Direitos Humanos aos desumanos marginais do meu país.

Mas tudo bem. Depois de um mês, essa tragédia vira “matéria fria”, a imprensa perde o interesse e o povo esquece. O governo ajudará a família das vítimas com uma pensão de um ou dois salários-mínimos e pronto. Sérgio Cabral, que dispensou a ajuda da Força Nacional, estará inaugurando outra praça, sorrindo para a mídia visando à próxima eleição em 2010. As mesmas câmeras que noticiaram a cena de guerra afegã, no morro do Rio, filmarão um campeonato de futebol financiado pela facção criminosa Comando Vermelho ou pelo ADA (Amigos Dos Amigos), dependo somente de quem estiver comandando o tráfico na ocasião. Tudo isso onde outrora caiu um helicóptero…

 Esse texto foi publicado nos portais Observatório da Imprensa e no Portal Literal

No Observatório da Imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=560CID003

No PortalLiteral.com.br
http://www.portalliteral.com.br/artigos/direitos-dos-desumanos

 

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13
out

Olimpíadas da mídia e do poder

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades, Notícias, Política

rioRio de Janeiro é confirmado como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. A capital carioca receberá as delegações de todos os países dois anos depois do país receber a Copa do Mundo de Futebol. Uma informação que foi tão divulgada como comemorada por todos os brasileiros… Quer dizer, quase todos. “A vitória do povo brasileiro”, como definiu o presidente Lula, foi comentada com ar de denúncias prévias de corrupção e a Folha de S.Paulo, como sempre, publicou uma matéria cujo título defende bem o seu posicionamento: “Para críticos de Olimpíada, Rio deveria ter outras prioridades”.Aí vem uma pergunta: será que Madri, Tóquio e Chicago, como gigantescas metrópoles que são, também não deveriam ter outras prioridades? Será Obama um irresponsável, Zapatero um inconseqüente e Hatoyama um ignorante político? Por que esses líderes iriam querer levar para seus países algo que traz tantos prejuízos para suas nações? Isso não teria explicação, nem lógica. O problema é que parte da imprensa brasileira ainda é adepta do negativismo e do cinismo político, tão presente em seus editoriais e nas mensagens semióticas disfarçadas de matérias imparciais.

mainardiTive o desprazer de ver na GNT, o mais boçal de todos os programas da TV brasileira, apesar de ser uma produção bi-nacional. O Manhattan Connection, em sua formação atual, é um simples balcão de notícias e comentários, utilizado para falar sobre economia, política internacional e desprezar ou humilhar todas as ações do atual presidente. O pedantismo do sr. Diogo Mainardi chega às raias do absurdo, quando, em crítica à conversa de Lula com Ahmadinejad, sugere que não se deva ter conversas com um lunático e que o ideal não seria o diálogo com o presidente iraniano e, sim, falou o comentarista político de Veja e do programa da GNT, o uso de bombas no Irã. Uma frase assim, “tão democrática e sensata”, partindo de “formador de opinião”, graças a Deus foi proferida em um programa de canal fechado, onde supostamente os assinantes possuem um nível cultural maior que o da maioria da sociedade e podem discernir mais facilmente as loucuras proferidas pelo rancor.

Melhorias ajudarão cidades

Mas o que isso tem a ver com as Olimpíadas do Rio? Simples, o ato de criticar toda e qualquer ação (mesmo as conquistas) do atual governo, a qualquer custo. Isso acaba gerando tolices e frases insensatas como estas do “poderoso Sir Mainardi” que, aliás, também condenou a embaixada brasileira por dar abrigo ao presidente democraticamente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, deposto por um golpe militar em Tegucigalpa. Na certa, o apresentador do Manhattan Connection entregaria o então presidente nas mãos dos opositores.

A crítica à segunda maior conquista governamental, no âmbito do esporte, dos últimos 60 anos (a primeira foi a Copa do Mundo de 2014) é muito mais política que jornalística. Não há, pelo menos em sã consciência, quem visualize nas Olimpíadas um gigantesco gasto para os cofres públicos. Todos conhecem os benefícios de se sediar o maior evento esportivo do mundo. As melhorias exigidas para a realização dos Jogos Olímpicos, nas áreas de transporte, segurança, infra-estrutura, além da criação de milhares de empregos diretos e indiretos, ajudarão, e muito, a reorganizar o Rio e as cidades que também sediarão eventos das Olimpíadas, como a minha belíssima Salvador.

Imprensa ranzinza e amargurada

Talvez alguns tenham a mesma visão pessimista e com altas doses de dor-de-cotovelo, como a do jornalista Juca Kfouri (também da Folha, coincidentemente) que afirmou categoricamente:

“Daqui a pouco vai começar a realidade e aí, muitos dos que estão festejando, vão começar a chiar.”

Calma, Juca. Não foi uma “vitória da ficção”, como você afirmou. Foi a vitória de um país em pleno crescimento, tanto econômica quanto politicamente. O Brasil não é mais um país do futuro. Hoje somos um país de futuro. Com Copa do Mundo e Olimpíadas nos próximos seis anos, com uma das economias que menos sofreu com a crise e uma das que mais rapidamente vem se soerguendo.

Por exemplo, o jornal El País destaca em sua edição do dia 12 de outubro de 2009 na sua “Reportaje: Primeiro Plano”, assinada por Francho Barón:

 

“Brasil va a por todas. Premiado con los Juegos de 2016 y convertido en potencia económica, el país asume el reto de erradicar la pobreza.”Na reportagem, o jornalista espanhol parece conhecer muito mais o nosso país do que os correspondentes do Manhattan Connection. Fala sobre a origem do termo “país do futuro”, explica o receio dos empresários quando da ascensão de Lula ao poder, sobre FHC reconhecer que o país está melhor que antes, sobre o crescimento econômico, dentre outros.

Mas, assim como Dunga teve que ouvir de um jornalista brasileiro em Buenos Aires, logo após o triunfo de 3×1 sobre a Argentina, o comentário “O que achou das falhas da defesa argentina no jogo de hoje?”, ainda existem pessoas que desqualificam as conquistas nacionais, motivadas pela frustração de assistirem seus inimigos, políticos ou não, brilhando e se emocionando com suas conquistas em rede internacional.

Infelizmente, para Mr. Mainardi, o Brasil é hoje, sim, o centro das atenções. E o pior, companheiro, será ainda daqui a quatro e seis anos. Parabéns ao Comitê Olímpico Brasileiro. Parabéns ao Brasil. Só lamento pela “velha imprensa ranzinza e amargurada” que tem que presenciar a gigantesca popularidade do nosso presidente, aqui no Brasil, e em Manhattan, ser obrigada a ouvir, no bom e velho inglês do Mr. President: Lula is the man!

Por Erick da Silva Cerqueira
Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=559FDS010

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