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Edilson – Alvo de críticas da idiota mídia baiana

O Campeonato Baiano de futebol nunca foi a “oitava maravilha do mundo”, pelo contrário. A polarização dos títulos entre a dupla BA-VI (Bahia e Vitória) nos últimos 40 anos sempre desestimulou os patrocinadores a investir nos times do interior. Outro fator que implicava na ascensão do certame local era a falta de visibilidade dos jogos. A Rede Globo, ex-detentora dos direitos de transmissão dos jogos, comprava o Campeonato e não exibia suas partidas. Esse ato, de extrema prepotência, foi a estratégia utilizada pela empresa sulista para divulgar o grande Campeonato Paulista. Rico e muito mais interessante economicamente, o Campeonato Paulista atraía os grandes patrocinadores nacionais. Com isso, muitos nordestinos passaram a ter muito mais amor pelos times paulistas do que pelos scratchs locais. Mas isso não é novidade. Nas décadas de ouro do rádio, todas as transmissões dos jogos de futebol vinham do Rio de Janeiro. Com isso, os brasileiros das outras regiões passaram a ter o Flamengo, Vasco e Botafogo como times do coração, renegando assim os pobres times locais do resto do país.

Outra característica nasceu dessa massificação da divulgação dos times sulistas. Os nordestinos, principalmente, passaram a torcer por dois ou mais times. “Sou Vitória e Flamengo” ou “sou Bahia e Corinthians” são expressões comuns no nosso estado e tema de brincadeira do apresentador Jô Soares com o músico baiano Bira, que torce para um time em cada estado.

Marcação dos comentaristas

Mas a Globo perdeu os direitos de não-transmissão dos jogos do nosso campeonato e a Record Bahia (TV Itapoan), passou a exibir os jogos da dupla BA-VI quando realizados no interior do estado. Foi algo memorável. Como todos sabem, o torcedor baiano é muito apaixonado pelo esporte. Somente para exemplificar, o Bahia quando esteve no inferno da Série C, foi recordista de público das três divisões do Campeonato Brasileiro. Vencendo inclusive, o Flamengo e o Corinthians. Era um time de terceira com um público de primeira, brincavam os comentaristas.

Mas apesar dessa grandiosa mudança de mãos, o Campeonato Baiano de futebol agora sofre com novo problema. A maldita falta de profissionalismo da crônica esportiva baiana. Alguns dos principais cronistas esportivos do estado passaram a possuir o “passe” de alguns jogadores que atuam nos dois grandes clubes da Bahia. Com isso, caso o treinador não coloque em campo o jogador que pertence ao locutor, logo é taxado de burro, imaturo, prepotente, dentre outros adjetivos. Assim, eles excitam as torcidas a pedirem a saída dos “técnicos teimosos” e se esforçam de tal maneira para esse ínterim, que normalmente conseguem seu sórdido objetivo.

Como se não bastasse esse tráfico de influência, ainda surgem perseguições motivadas pelo sentimento de torcedor de alguns comentaristas. O apresentador Raimundo Varela é um exemplo típico desse tipo de profissional. Totalmente despreparado para o cargo, Varela usa da sua influência junto às massas, conquistada pela sua grande audiência em um programa popularesco, para trabalhar como comentarista esportivo. Protagonista de pérolas como “esse jogador jogou pelo Bahia ano passado, mas eu não conheço bem ele”, “seu” Valera acaba usando seu ímpeto de torcedor para perseguir jogadores e até um time inteiro. Não há um jogo do Bahia onde ele não enxergue um erro do juiz favorecendo o tricolor e nem um jogo do Vitória onde ele não veja perseguição do árbitro contra o seu time do coração. Além disso, o apresentador passou a “pegar no pé” da principal contratação do Bahia na atualidade. O veterano jogador Edílson, pentacampeão mundial. O jogador é o principal alvo das críticas de seu Varela. Mesmo depois de disputar uma partida, jogando bem, correndo o campo inteiro até o final do jogo e dando inclusive passes para o gol, Edilson sofreu muito mais com a marcação dos apresentadores e comentaristas do que com os zagueiros adversários.

Um “horroroso” zero a zero

Edilson é uma figura emblemática no futebol brasileiro. Um jogador que deu nova visibilidade ao time do Bahia e ao Campeonato Baiano como um todo. O “Capetinha”, mesmo sem tocar na bola, foi destaque em programas esportivos de todas as principais emissoras de TV do Brasil. Somente isso deveria servir de estímulo aos nossos cronistas, para aproveitar o momento e valorizar o nosso pobre Campeonato Baiano e buscar novos investidores. Mas isso não acontece, fruto de um terrível complexo de inferioridade da imprensa baiana.

Esse complexo de inferioridade acaba repercutindo em âmbito nacional. A imprensa baiana se resume a falar mal dos times locais. Talvez por isso, o único jogador revelado na Bahia a vestir a camisa da atual seleção brasileira é Daniel Alves. E isso porque ele já jogava no Sevilha da Espanha. Sair de algum time baiano direto para a Seleção Canarinho, o último foi Dudu Cearense, do Vitória, em 2003.

Criticar as equipes é uma grandiosa burrice da nossa imprensa. Se os times não prestam, o campeonato também não irá prestar. Se isso ocorre, qual patrocinador irá querer investir seu dinheiro em propagandas nas transmissões dos jogos? Qual será a vantagem de associar a marca de uma grande empresa a um produto tão ruim? Será que ninguém percebe algo tão simples quanto isso? Nessa disputa entre o Campeonato Baiano e os cronistas esportivos da Bahia, o resultado é um hor-ro-ro-so zero-a-zero, como gosta de gritar o locutor da TV Itapoan. Todos perdem. Mas, pelo menos, agora podemos assistir aos jogos pela televisão. É só apertar a tecla mute do controle remoto e tudo se resolve…

Por Erick da Silva Cerqueira

Publicado no Observatório da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=581FDS009

O ano de 2010 começou com grandes catástrofes provocadas pela natureza. Enchentes em São Paulo, deslizamento de terra em Angra dos Reis e um terremoto terrível no Haiti. Nos noticiários assistíamos à dor das pessoas que perderam casas, bens materiais e principalmente amigos e familiares. A dor foi o grande furo de reportagem desse início de ano. Nos jornais impressos, na TV, nos sites e blogs e até mesmo nas “correntes de e-mails” o assunto era sempre o mesmo. O sofrimento foi a grande manchete e a cobertura jornalística das TVs brasileiras deu um verdadeiro show de reportagem. Até que uma figura que andava quase esquecida deu o ar de sua graça e mexeu com a internet brasileira.
Nunca fui fã da Sandy e sempre a vi como uma menina mimada, filhinha de papai artista e que foi alçada ao show biz meramente por causa do sobrenome. Mas aquela mocinha eternamente com carinha de boa moça, jogou uma bomba na internet brasileira. Através do Twitter opinou que as pessoas estão se preocupando mais com as vítimas do Haiti do que com as vítimas da chuva no Brasil. Pela primeira vez ela entrava em uma polêmica que não se referia a sua virgindade. Opinava e o fazia de forma corajosa, questionando a ajuda de brasileiros famosos aos haitianos, sobre o porquê deles não ajudarem as vítimas dos alagamentos brasileiros. Obviamente quem leu aquilo a acusou de ser desumana ante a gigantesca tragédia haitiana, mas será que ela não estava certa?

As câmeras impávidas da imprensa
Assim como milhões de brasileiros, acompanhei, chocado, a cena, quase reality show, da repórter da Rede Globo, que estava na hora certa onde um soldado brasileiro acabara de achar uma vítima nos escombros depois de mais de 40 horas. Emocionei-me com aquela professora grávida que fora resgatada por um brasileiro da Força de Paz da ONU e iria atribuir ao seu filho, o nome do seu salvador. Pensei em quantas vidas aqueles brasileiros a serviço da ONU haviam salvado naquele país paupérrimo e destroçado por guerras civis. Pensei em Zilda Arns, uma mulher que morreu como viveu. Ajudando os que mais necessitavam de ajuda. Uma morte digna da vida que levou. Pensei em Zilda e em Sandy. Quanta diferença. Mas julgar a jovem cantora seria uma grande maldade.

Sandy não tem culpa de ver o mundo sem culpa. A tragédia da América Central deve, sim, mobilizar o mundo inteiro. Afinal, um país tão devastado e pobre jamais terá condição de se recuperar sem a ajuda internacional. Mas Sandy tem razão em um ponto. Ajudar o Haiti é um ato solene, mas ajudar as vítimas brasileiras também o seria. Por que será que a solidariedade de personalidades como Gisele Bündschen não se estende pelo resto do ano, ajudando vítimas de tragédias e, principalmente, milhões de miseráveis brasileiros? Seria “bom” para a bela imagem da musa, a imprensa ganharia uma grande reportagem por mês e vários brasileiros agradeceriam por ter as três refeições diárias, tão sonhadas pelo homme de l´année e “filho do Brasil”, Luiz Inácio da Silva.

Mas ajudar muitas vezes não rende capas de Caras ou reportagens do Jornal Nacional. A tragédia e a miséria são deleites para a imprensa e celebridades. Gugu, Faustão, Datena, Luciano Huck e tantos outros exploram a miséria diária. Jornais e celebridades usam as grandes tragédias como meio de alcançar picos de audiência e promoverem suas imagens. A desgraça externa comove mais que as internas. As vítimas haitianas aparecem gritando e pedindo por ajuda em frente às câmeras impávidas da imprensa internacional. Enquanto nós, espectadores, sabemos cada vez mais sobre números de mortos e de sobreviventes inesperados, para podermos conversar sobre o assunto com os amigos no dia seguinte e nos solidarizarmos com as dores das famílias.

Não há fronteiras
A morte na TV não tem conseqüências. São apenas fatos e números crescentes, sem muita importância… Talvez por isso a morte em grandes tragédias seja tão noticiada pela grande imprensa e tão consumida pelos espectadores. As catástrofes são momentos únicos para grandes furos de reportagem e locais onde personalidades aparecem para ajudar, num triste e necessário ato de marketing social de alguns.

Sandy está certa: por que não olhar para “nossos” grandes problemas antes de olhar para os grandes problemas dos “outros”? A resposta é simples: a bondade desinteressada e a ajuda humanitária deram lugar ao posicionamento de mercado. Mais vale uma ajuda internacional no currículo do que um auxílio diário aos milhões de miseráveis brasileiros que sofrem constantemente com fome, frio e sede.

E Sandy está errada: não há fronteiras no século 21 e o sofrimento de lá não é diferente do daqui. A ajuda deve vir de todos os lugares e o Brasil tem de fazer a sua parte também. Zilda Arns sabia disso e por isso milhares de bandeiras brasileiras foram hasteadas a meio-pau.

  ”em memória de Zilda Arns”

Por Erick da Silva Cerqueira
Publicado no Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=573FDS004

Mensalão - A Revanche

Mensalão - A Revanche

Dois mil e nove se encerra e deixa no ar a gigantesca sensação de “dias melhores virão”. O ano foi marcado por perdas irrecuperáveis. Perdemos o resto de confiança nos políticos com os novos Blockbusters brasilienses: “Mensalão – A revanche”, “Dinheiro na cueca 2 -  A missão”, e “Político em família” (estrelando José Sarney) .

Perdemos a credibilidade na justiça, com casos absurdos de juízes envolvidos em tráfico de drogas, corrupção ativa, venda de habeas corpus, etc.

Perdemos o controle da situação vendo um helicóptero da PM carioca sendo abatido pelos traficantes, numa cena típica de filmes de Rambo ou das guerra no Afeganistão e no Iraque.

Perdemos tempo, vendo fotos e recados no Orkut.

Perdemos a TV como grande referencial de noticias, vendo o passarinho azul do Twitter salvar o ‘mundo das manchetes’ com informações direto do inacessível front norte-coreano.

Perdemos Michael Jackson, em Dallas; John Hughes, em Nova Iorque; Claude Lévi-Strauss, em Paris; Patrick Swayze, em Los Angeles; Leila Lopes, no Rio de Janeiro; Dona Dedé e Val, na Bahia…

 

Boas notícias

glo-recMas apesar de tantas perdas, ainda assim, temos muito a comemorar sobre esse ano velho. A imprensa se abriu para os não-diplomados. Os blogs (alguns) se consolidaram como fontes confiáveis de informações.

A imprensa, mais do que o povo brasileiro, ganhou a Copa e as Olimpíadas do Brasil, gerando assim a possibilidade de aquisição de novos anunciantes, novas contratações, novas parcerias, novos (e muitos) capitais estrangeiros, além do investimento em novas tecnologias para dar ‘um show de cobertura’, citando o empolgado Galvão Bueno.

A imprensa ganhou ainda novos aliados, como os sites de fofoca internacionais que disputaram, e compartilharam, as primeiras informações da morte em realtime, num thriller de notícias impressionante, minuto-a-minuto, para informar aos milhões de apaixonados pelo astro Michael Jackson, quem é o número um do paparazzi internacional.

A Globo revelou as “entranhas” da Record e vice-versa, ganhando assim, nós espectadores, a “humanização” desses meios de comunicação, sem a antiga aura divina das suas informações. A Rede Record lança o R7 copiando o G1 da Rede Globo, em sua globalização espiritual. A Globo faz uma série de reportagens para exaltar os evangélicos, buscando ampliar o seu Market Share nesse nicho. A Record vibra com suas novas contratações e Gugu é o grande nome entre elas. Enquanto isso Sílvio Santos chora a grande perda de Lombardi e “A Voz do SBT” ganhou rosto para o resto do Brasil.

 

Allez Lula

lula_positivo2-204x300Lula é eleito homem do ano pelo Le Monde, possui 72 de aprovação da população (segundo o Datafolha), Dilma sobe para 26% das intenções de voto parar 2010 (Datafolha) e a Oposição tenta usar o “apagão” como uma tragédia nacional para barrar a enxurrada de “boas novas petistas”. A crise passou, mas deixou como triste consequência o fim da sequência do crescimento sustentável do nosso país, além de milhares de desempregados afogados na “marolinha” brasileira.

É, pede pra sair 09, pois, definitivamente, você não foi um bom ano. Mas infelizmente ficara para sempre marcado na história do Brasil, com o ano que bem ou mal, tiveram que falar da gente…

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