Archive for the ‘Humor’ Category

O problema de deixar de ver televisão ficar meio perdido, às vezes. Hoje, por imposição das mulheres da casa, tomei café assistindo o final do “Mais Você“. Em minha opinião, o pior programa da Globo, salvo apenas, pelas sacadas do Louro José. Vi a Ana Maria Braga chorando, com voz trêmula e tremendo. Pensei, morreu outra cachorrinha dela, coitadinha… Mas não era isso.

A apresentadora do “Mais Você” estava falando sobre um problema dela com uma revista, dessas de fofocas, que todo mundo critica, mas já existem aos montes nas bancas. Segundo Ana, a revista sem qualidade apresentou inverdades sobre o fim do seu relacionamento. Ana Maria Braga afirma que não teve um caso com o seu professor de dança, Renato Zóia. A apresentadora disse ainda, contendo as lágrimas para não borrar a maquiagem, que só deve satisfação aos seus filhos e que iria processar essa Revista “sem qualificação”. Mas, pensemos um pouco: a revista era a “Quem”. Uma revista especializada em fofocas da própria editora Globo. Seria a Globo contra a Globo?

Bem, continuando a história. Como as mulheres da casas não deixaram eu ouvir o desabafo da Ana Maria, fui pra internet me inteirar e tentar entender se era isso mesmo. E era. Fui ao Twitter pra ver mais sobre o assunto e  me deparo com outra campanha. Descubro no Twitter o #DSG. Traduzindo, o “Dia sem Globo“. Um movimento dos usuários do microblog que visa influenciar a todos a não assistir o jogo do Brasil contra Portugal, nessa sexta (25/6/2010), na emissora do Galvão. Tem até um cartaz, ai ao lado, sobre a campanha. A coisa tá engrossando…

O Twitter vai acabar se tornando o inimigo público número 1 da Rede Globo. O CALA BOCA GALVAO, surtiu um efeito mundial, chegando ao The New York Times. Não bastasse essa brincadeira, o Dunga chamando o repórter Alex Escobar de “cagão”, levou os twitters à loucura. Um “orgasmo cultural”, diria meu amigo Wilson Bizerra. Depois o Tadeu Schmidt foi defender o colega no Fantástico e…  CALA BOCA TADEU SCHMIDT pra ele também.

Agora até a Ana Maria Braga, se volta contra a Globo. Onde esse mundo vai parar? E se a Globo não conseguir eleger o Serra, agora em outubro? Será que ele também vai entrar na próxima campanha #DSG?

Acredito ter ficado longe demais da principal emissora do país (graças a Deus). Mas, pra finalizar esse texto, não poderia deixar de falar da banda Quanta Ladeira. Um grupo pernambucano que fez uma “singela homenagem” à emissora do PlimPlim. Afinal, a Globo tá demais…

Divirtam-se:

Toca o despertador. Olho e meio incrédulo enxergo um número quatro antes dos dois pontos… Hora de levantar. Procuro minha sandália, não acho. Vou descalço pra o banheiro e o chão frio me desperta de uma vez. Ligo a luz e descubro, faltou energia. Maldita Coelba… Escovo os dentes rapidamente e me jogo debaixo dá água gelada. Meio congelado desperto minha esposa.

- Acorda amor. Senão não pegamos a “ficha” do Posto de Saúde para levarmos nosso filho. Olho meu filho ainda dormindo e com a inocência dos poucos meses de vida, não imagina a odisséia a ser vivida pelos seus pais.

Guernica moderna

Guernica Moderna

Tomamos café correndo e saímos. Pisando em lama, caminhamos até o ponto de ônibus. A prefeitura não asfaltou a rua até hoje… Chuvisca e ficamos expostos a chuva debaixo da falta de proteção do ponto. Dezenas de minutos depois vemos o maldito chegar atrasado no horizonte. Mas, para meu consolo, a frente do mesmo encontra-se vazia. Ao menos será uma viagem tranquila. Ledo engano. Subo os degraus me segurando e protegendo minha esposa e filho dos empurrões apressados dos nossos colegas de viagem. Dentro do ônibus, um imprevisto. Percebo que mesmo com a frente vazia, o fundo está lotado. Lembrando dos heróis de borracha vou me esgueirando entre o corredor humano a minha frente.

Finalmente, vencido a barreira da primeira metade do ônibus, vejo espaço. Ao menos, pelo alto. No chão, sete caixotes de mangas, de uma senhora simpática, estão sendo levados para serem vendidos na Feira de São Joaquim. Penso rápido: agora, já era. Olhe em volta e vejo um estudante fingindo dormir para não dar o lugar a minha esposa com meu filho no braço. Armado com duas sacolas enormes de crianças (nunca entendi tanta coisa pra um menino tão pequeno) e minha pasta do trabalho na outra mão, sinto mais dois caixotes entrando pela frente do “coletivo” e apertando meu pé. Junto com a caixa um grito :”Ó o pé ai veí”. É o fim. Revolto-me e solto um singelo “ó o pé ai uma p…, minha senhora. A senhora tá pensando que isso aqui é o que? Caçamba? Isso é um “coletivo” e não tem mais lugar pra tanta caixa aqui não. Vá colocar sua caixa na cabeça” (mudei a parte do corpo por uma questão didática). Agora sim, sou o senhor dos meus 30x20cm de chão no maldito buzu.

De repente ouço os murmurinhos… “Que grosseiro, como pode fazer isso com uma senhora de idade, uma guerreira que está tentando ganhar a vida honestamente…” Olho pra trás num impulso e as bocas estão todas cerradas. Finalmente salva-se uma alma do inferno e um dos pseudo-entorpecido, talvez assustado com minha explosão, cede o lugar a esposa com a criança no colo.

Cinco pontos e alguns insultos disfarçados depois, chegamos ao ponto do Posto de Saúde. Desço as escadas do “ônibus” sob os olhares de reprovação ao meu ato, mas feliz de tê-lo feito. No Posto, uma senhora desencorajada me pede uma papelada do tamanho do meu filho para poder vaciná-lo. Depois de analisar o livro, nota que a receita médica está sem a data. Me diz então em tom quase sarcástico:  
“- infelizmente, sem data, não podemos fazer nada…”
Imploro pra que a mesma repense o seu ato, considerando o meu transtorno e minha odisséia hercúlea, vivida antes do sol raiar, ao que ouço:
“- Se eu fizer isso posso ser até processada”.
Num ímpeto, perco a paciência e apresento a carteira da OAB dizendo: se ocorrer isso, eu defendo a senhora, sem problemas e de graça. Com fisionomia alterada, a mesma finalmente cede e aplica a vacina em meu filho. Agora, penso: e se não fosse advogado? Esqueço o “se” e saiu satisfeito e regozijado pelos 6 anos no banco da faculdade…

NÃÃÃÃÃÃÃÃO.

Acordo assustado, olho o relógio e vejo 08:55h. Ao meu lado, minha cachorrinha se espreguiça empurrando minhas pernas. Minha esposa nem se abala com o meu grito… Fito-a dormindo como um anjo e me acalmo. Meu filho, ainda não existe. Não precisei acordar antes do sol, não peguei ônibus via São Joaquim, nenhuma caixa de manga amassou meu sapato, não gritei contra a falta de educação da senhora, não tive ódio do menino que fingia dormir e o mais importante: não carreguei o Vade Mecum por seis anos na minha mochila. Era só um pesadelo…

O problema é que essa história é real. Foi contada por um grande amigo que ficou sem carro por um período e sofreu pra sair de Camaçari e chegar em Salvador para vacinar o filho. E sabe o que é pior? Ela se repete a cada dia com milhares de pessoas. E nós, com pena da “senhora das mangas”, alimentamos a falta de educação e o desrespeito com o espaço alheio, ficando piedosos e sentidos pelo esforço da idosa. O mundo está perdido… Certo mesmo é o jovem mal-caráter que finge que dorme pra não dar o lugar. Afinal, o que os olhos não vêem, o coração não sente…

Por Erick Cerqueira

Jesus está chegando. Arrependei-vos…

Sempre tive medo dessa frase se tornar realidade. Acredito que Ele não merece isso.

Jesus e o cyberespaçoImaginem Jesus, voltando a terra e vendo tanta miséria e sofrimento sendo disseminada em seu nome. Imaginem o Cristo entrando na Basílica de São Francisco, no Pelourinho, em Salvador. Uma igreja toda banhada a ouro, com riquíssimos e requintados azulejos portugueses do século XVI. Olhando o tapete vermelho ao centro, toda a pompa da roupa do padre, dos cálices de ouro e da prataria no altar. Qual seria o sentimento do nazareno, que pregava a simplicidade e a humildade como principais virtudes do ser humano, vendo tanto luxo onde se cultuam a sua imagem, morto e pregado na cruz?

Jesus a essa altura, entraria numa Lan House, entraria no google, e iria estudar a Verdade por trás de tanta pompa. Descobriria as histórias das Cruzadas, onde homens carregaram a sua cruz para conquistar a Terra Santa. Saindo de Roma e saqueando, matando outros homens e estuprando mulheres no caminho da missão Sagrada de derrubar os “impuros” conquistadores de Jerusalém. Ainda estarrecido iria descobrir que o espaço, onde hoje encontramos os palácios do Vaticano, foi conquistado por um golpe, dado por um Papa em um imperador romano…

Triste, Ele iria descobrir ainda, que através da “Taxa Camarae“, pecados eram perdoados mediante o pagamento de uma quantia para conquistar as indulgências da Santa Sé. Iria descobrir trechos como esses: “o eclesiástico que cometa o pecado da carne, seja com freiras, seja com primas, sobrinhas ou afilhadas suas, seja, por fim, com outra mulher qualquer, será absolvido, mediante o pagamento de 67 libras, 12 soldos”, publicado pelo Papa Leão X, em 1517. Revoltado, iria querer quebrar toda a igreja como fez com o templo, tempos atrás. Mas notaria que dessa vez, não teria os apóstolos para ajudá-lo a sumir, e com certeza se acalmaria.

Jesus então procuraria no google, uma outra forma de cristianismo (palavra que com certeza, Ele não aprovaria). Encontraria as igrejas evangélicas. Primeiro iria se impressionar com a história de Lutero. Um homem de coragem que lutou para o regresso do sentimento que Ele havia ensinado 15 séculos antes. Encantar-se-ia com a colaboração de seu Pai que deu Guttemberg como uma espécie de “milagre” pra ajudar aquele monge alemão a disseminar seus ideais. Jesus vibraria com aquilo, com certeza. Mas aí, lendo algumas outras páginas do google, descobriria os escândalos de algumas facções religiosas oriundas do luteranismo. Novamente triste, iria encontrar a histórias de sacerdotes desonestos, de bispa presa em país estrangeiro e rezando missa online para fiéis no Brasil e no mundo. Encontraria um vídeo no Youtube com bispos ensinando como “arrancar dinheiro dos fiéis”. Muito chateado, Ele pararia um pouco. Daria uma olhada no site do GreenPeace, do WWF, da UNICEF, da APAE, da ONU. Ficaria feliz vendo que alguns aprenderam o único mandamento deixado por Ele. Amai-vos uns aos outros.

Jesus então voltaria às verdades. Veria que na Terra Santa, até hoje se mata em nome do Seu Pai. Chocaria-se com a intifada, teria vontade de intermediar, mas… Já o crucificaram lá uma vez, os judeus ainda estão no controle… Sabe como é, né… Nesse instante, rezaria pra seu Pai proteger os que sofrem naquela terra de gente louca, que se acha escolhida e preferida por Deus.

Encontraria a dor vendo padres pedófilos sendo processados no mundo todo. Iria rir da maquiagem e das palhaçadas do Padre Pinto. Veria no Brasil, a Pátria do Evangelho, a perseguição dos ditos Cristãos, contra os adeptos das religiões de origem africana. Se indignaria com as distorções das Suas Palavras, que são usadas para enganar fiéis em algumas religiões. Sofreria, e mais uma vez, diria: Pai perdoa, eles não sabem o que fazem…

O Cristo ficaria confuso com as novas misturas religiosas, como os: judeusevangélicos, umbandistaskardecistas, espiritólicos e os “baianos” (uma espécie de cristão, que pula sete ondinhas no reveillon, usa fita do Sr. do Bonfim, coloca flores pra Yemanjá, faz Caruru pra Iansã, freqüenta a Centro Espírita, bate tambor pra caboclo e não dispensa um patuá na bolsa).

Por fim, entenderia que a Verdade que liberta, não foi aprendida direito pelos seus filhos… Mas ficaria feliz com uma. Estaria de volta a terra, com uma missão ainda mais difícil que a primeira. Porém, agora, ao invés de pregar no Monte das Oliveiras para centenas, faria um site maneiro e utilizaria o mailmarketing para atingir os seus novos discípulos. Mas, uma coisa é certa: nada de emails powerpoints, isso é coisa do diabo, não de Deus, e transforma a internet num verdadeiro inferno…

Por Erick da Silva Cerqueira

Para se revoltar um pouco…

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