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Ando meio decepcionado com o mundo da propaganda local. E o pior, justo agora que depois de 15 anos na área de criação, tomei coragem para enfrentar uma Faculdade e estou prestes a me forma em marketing. Não sou nenhum Marco Gavazza, com experiência e tempo de sobra pra se desiludir com a área (falarei disso mais a frente), mas é triste ver erros primários sendo cometidos por empresas gigantescas.

Uma das ferramentas mais importantes da propaganda atual é o site da empresa. Imaginemos que a empresa “X” resolve conhecer as empresas de propaganda de Salvador através da internet. Conhece a fama da PROPEG, vai lá e digita www.propeg.com.br (lógico). Resultado: página fora do ar desde o dia 30/12/09 até a manhã do dia 02/01/10. Ou seja, a Propeg virou o ano, fora do ar. Mas tudo bem. É só demitir o pobre do estagiário que não viu isso e pronto.

E segue a procura. Ouve falar da ENGENHO NOVO, que recentemente tomou uma coragem desmedida e fez propaganda de si mesma, algo extraordinariamente inusitado na Bahia, onde agência de propaganda não faz propaganda de si. O site da EngenhoInova, inovou. Fundo amarelo, marca nova e… SITE EM CONSTRUÇÃO. Como diria minha mãe, “o ano passou por cima deles, que dormiram no Réveillon”.

A AGÊNCIA ÚNICA foi outra grande decepção. Os consultores da Empresa “X”  encontraram o link da empresa em um site de buscas que a referenciava como “site inovador”, mas quando acessaram o site… Porém, apesar da famigerada “Página em Construção” encontrada no site da ÚNICA, eles tiveram o cuidado extra de comunicar os seus contatos de “e-mail e telefone” na sua Home Page Under Construction.

Aí, veio a pergunta. Porque será que as agências não deixam os sites antigos e só substituem pelos novos quando os novos estiverem prontos?

Depois dessas decepções nos sites, os consultores da empresa “X” lêem um artigo do Marco Gavazza com o título “O tempo passa, o tempo vôa“. Nesse artigo o publicitário nos mostra a triste realidade da propaganda baiana, que segundo ele, empacou nos clichês e nas fórmulas prontas de se fazer comercial definidas no século passado.  E se entristecem.

Decepcionados e quase desistindo da busca os consultores da “X” começam a encontrar empresas de propaganda que cuidam da sua imagem.

A IDÉIA3 dá um show em seu site. Rápido, bonito, limpo, bem distribuído e muito adequado ao conceito da campanha da empresa. Os olhos do consultor da “X” começam a brilhar de empolgação.

Procurando mais um pouco encontra a LEIAUTE. Um site com conceito interessante, brincando com as histórias infantis e mostrando aos personagens delas que a Leiaute oferece a solução para suas necessidades. Simples, genial e o site tem um “jeitão” de Blog…

Quase definido entre as duas últimas empresas, os consultores da “X” encontram o site da LINK Comunicação e Propaganda. Um site elegante, simples e direto, onde a agência procura mostrar seus últimos trabalhos na página inicial e salientar as grandes empresa à quem atendem.

Felizes e não mais decepcionados com a propaganda baiana, a empresa “X” convoca as donas dos três melhores sites para conversar e fechar negócio. Entre elas estará a vencedora da gigantesca conta de publicidade da multinacional “X”.

Obviamente as grandes multinacionis não definem assim as agências de publicidade que irão deter as contas. Mas o “cartão de visita virtual” de algumas empresas de publicidade de Salvador, precisa ser revisto. Ou então, ficaremos com o enorme sentimento de “casa de ferreiro, espeto de pau”, advindo de quem cuida da propaganda baiana. E se não sabem cuidar da imagem deles, como irão cuidar bem da imagem dos seus clientes?

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Sites pesquisados entre 30/12/09 e  02/01/10

lkimA imprensa está a duas semanas falando sobre o mesmo tema. Michael Jackson. Não que queira ser mais um dos chatos a dizer que estamos dando muita atenção a este excêntrico ex-milionário falido e falecido, mas algumas outras coisas mereceriam ser comentadas também.

Honestamente, acredito que uma das informações mais importantes dos últimos anos, não teve grande repercussão na mídia. Um feito que pode indicar a mudança político-econômica mais importante do mundo, desde a saída de Fidel Castro do comando de Cuba. Um comercial de cerveja.

Antes de começarem a desconfiar da minha inclinação etílica, devo afirmar que esse evento aparentemente irrelevante, pode mudar o mundo muito mais que velório/ show do maior astro pop da história. Explico. A referida cerveja do comercial, não continha nenhuma super modelo semi-nua. Gisele Bündchen não era a garota propaganda e Juliana Paes, infelizmente, não fazia parte da peça publicitária. A peça era de péssima qualidade visual, possuía uma musiqueta irritante de fundo e um texto extremamente “duro” para os nossos moldes. Não possuía bichinhos, jingles espetaculares, nada. O produto não será nenhum Best Seller, o preço não é tão acessível, a praça é restrita. Em suma, em termos de Marketing, não atende aos 5 Ps. Mas o que tem de tão especial essa peça publicitária, então? E por que a imprensa deveria se importar com isso?

Esse, senhores e senhoras, foi o primeiro comercial de TV de uma cerveja norte-coreana. Um primeiro sinal capitalista em um dos países comunistas mais fechados do mundo. Um avanço na economia do país armamentista que mais assusta o mundo e, quem sabe, o início da sua abertura para o mercado mundial.

“O orgulho de Pyongyang”

O comercial foi captado por uma TV da Coréia do Sul. Veiculado em uma das TVs estatais norte-coreanas, possuía quase 3 minutos de duração. Muito para os nossos moldes, mas para um país onde tudo é controlado pelo governo, nada que influenciasse muito na programação. Aliás, anúncios como esses, sempre foram proibidos pelo Governo do “homem de cabelos engraçados”.

A República Popular Democrática da Coreia faz fronteira a norte com a China e com a Rússia. Esses dois vizinhos, ex-comunistas, fazem parte do atual BRIC, sigla que designa o grupo dos 4 países emergentes do mundo, juntamente com o Brasil e a Índia. Talvez, essa influência dos vizinhos maiores tenha ajudado nesse início do processo de abertura ao mercado capitalista. Será que finalmente o presidente da Comissão Nacional de Defesa e secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coréia do Norte, Kim Jong-il, está mudando suas convicções ideológicas? Ou será somente mais uma jogada de marketing para exibir o seu país como manchete mundial, de forma gratuita, dessa vez sem mísseis?

De qualquer forma não conseguiu seu intento. Escolheu a data errada para tentar ganhar publicidade grátis. Esse fato, que deveria significar algo para a comunidade mundial, foi ofuscado (assim como o casamento de Alexandre Pato [sic]) pelas infindáveis homenagens à Michael Jackson, que possivelmente nem tocava muito nas rádios norte-coreanas. Faltou espaço nos meios de comunicação para qualquer outro assunto, senão o circo armado pelos familiares do cantor e os sempre a postos espertalhões de plantão.

“Taedong River Beer é o orgulho de Pyongyang”, mas Michael era o orgulho de milhões de fãs por todo o mundo. O comercial de cerveja da Coréia do Norte, que acredito ser uma das mais importantes demonstrações de mudanças no cenário político-econômico mundial dos últimos anos, não teve como competir com a força capitalista dos EUA, que USA e abusa do marketing há anos, com muita competência. Lá, até velório de artista vende mais que cerveja. Nessa guerra, a Coréia do Norte perdeu. E feio.

Os mísseis, caro Kim Jong-il, ainda são o produto mais conhecido da sua República “Democrática”.

Erick Cerqueira.

Link para comercial http://videos.publico.pt/Default.aspx?Id=49030540-c67b-4dcf-bc45-e4a61fb1b8dd