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Fotógrafo: José Cruz - Agência Senado

Senado Federal - cheio de desencarnados

Manhã de uma sexta-feira de carnaval e assim como todo bom baiano, assistia entediado a folia pelas manchetes da televisão. De repente, numa “zapeada” deparo-me com uma outra figura momesca. Era o senado Mão Santa(PSC-PI),presidindo uma sessão do Senado Federal, em pleno carnaval. Quase emocionado, parei para assistir aquela inusitada cena.

Com imagens muito fechadas, os hábeis editores da TV Senado tentavam esconder a realidade de uma sessão plenária com 05 nobres senadores, os quais faço questão de nomear: Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR), Pedro Simon (PMDB-RS), Adelmir Santana (DEM-DF), Marina Silva (PV-AC) e o próprio 2º Secretário Mão Santa. Como num acordo de cavalheiros, os ilustres senadores do PT e do PSDB sumiram para não comentar o “mensalão brasiliense” e a tentativa de suborno que levou a prisão o Governador do Distrito Federal. Afinal, mensalão trocado não dói. Coube ao senador Mão Santa o papel de chamar ao púlpito a única senadora presente ao local. Porém, antes de chamá-la ao microfone da casa, rasgou elogios à postura ética, profissional e ao passado da futura candidata à Presidência da República, auxiliado nessa missão pelo peemedebista Pedro Simon. Porém, antes de falar sobre esse maravilhoso discurso proferido pela Candidata Verde, uma historinha. Lembrei que no Centro Espírita, onde frequentei, quando havia pouquíssimas pessoas presentes os trabalhos aconteciam da mesma forma. Afinal, nas cadeiras vazias estavam vários “desencarnados” precisando de ajuda, também. Pensei: será que aqueles pouquíssimos senadores estavam ali no palanque pensando nos 04 senadores presentes e nos “desencarnados brasilienses” ou aquilo era o reflexo da força da TV Senado, que leva a mensagem de Brasília para todo país? De qualquer forma, fico feliz. Ou pela religiosidade dos senadores ou pela força da imprensa ali presente. Mas, voltemos à Marina.

A nobre senadora empolgou a todos com seu discurso. Anunciada pelo presidente da sessão com a frase de São Francisco de Assis, “onde há desespero que você traga a esperança”, falou do desinteresse dos senadores ausentes pelo gravíssimo fato acontecido na noite anterior. A prisão do primeiro Governador em atividade desde a ditadura militar. Afirmou estar feliz pela prisão, mas triste pelo colega Arruda, pois imaginava o sofrimento dele na cadeia (coitadinho). Disse que havia se emocionado quando há 10 anos, o mesmo Arruda, então senador, assumiu ter fraudado a segurança do Painel do Senado. O intuito era atender a um pedido de um folclórico ex-senador baiano (melhor não citar o nome), que desejava chantagear seus adversários políticos com as informações de “quem votou o que” na cassação do mandato do ex-senador Luiz Estevão. Mas aquele delito não deu certo e tanto Arruda quanto o senador baiano pediram licenças dos seus cargos para não serem cassados, lembram?

Marina falou ainda que desejava a justiça e não uma vingança. Brilhantemente disse que ninguém deve se vangloriar de ser ético, pois isso é uma obrigação do ser humano (principalmente político) e não uma qualidade a mais. Citou suas conquistas e suas vitórias como ministra, inclusive às vitórias conquistadas após a sua saída da pasta. Elogiou FHC e Lula, mas deixou escapar uma ponta de mágoa contra o atual presidente. Lembrou Mandela, citou Chico Mendes, falou sobre a educação, programas sociais, enfim. Foi um fantástico discurso da senadora que mereceu os aplausos das 5 testemunhas presentes ao local e cm certeza, das outras pouquíssimas pessoas que à assistiam em suas casas via TV.

Pedro Simon subiu ao púlpito depois de uma fala empolgada do Senador Mão Santa que historiava desde Ruy Barbosa até Marina Silva, à qual denominou de “luz ante as trevas”. O senador gaúcho, emocionado ante o discurso que ouvira, falou com pausas longas, como quem deseja impor um tom mais denso às suas palavras. Pediu que os seus assessores encaminhassem por email, a convocação para que todos os assinantes do seu newsletter assistissem pela noite, a reprise daquele profético (sic) depoimento da senadora acreana. Vociferou contra seu partido, o MDB (ele ainda vive sem “P”), que não teve coragem de lançar candidato próprio para presidente e viveu de favores nos últimos 16 anos, se aliando aos governos de FHC e Lula. Santificou as palavras de Marina, afirmou ter rezado por Arruda e estar triste por ele. Porém, disse ter consciência que aquela prisão foi necessária e era importante para a Democracia. Saiu da bancada afirmando que se a candidata do PV tiver uns 4 minutos no programa eleitoral gratuito e repetir discursos com aquela magnitude, teremos uma terceira força na disputa política presidencial esse ano.

Confesso que ganhei meu carnaval. Já podia me alienar tranquilamente ouvindo os “lelelês” do Chiclete com Banana, os “thê thê thês” da Timbalada e ir “na base do beijo” com Ivete Sangalo. Tínhamos senadores trabalhando em plena folia de Momo, Marina Silva representava a nova luz no fim do túnel da ética política brasileira, Mão Santa se mostrara um grande historiador, Simon admitia que o seu partido (MDB) estava entregue a uma “legião estrangeira” e Arruda estava preso com pedido de Habeas Corpus negado pelo ministro do STF, Marco Aurélio de Mello. No fim do dia o Presidente da República comemorou a não-extinção das pererecas e fez-se o carnaval na platéia. Enquanto isso, na Bahia o Rebolation já vai começar e resta-me apenas, encerrar franciscanamente pedindo: Oh Mestre, fazei com que eu procure mais, compreender que ser compreendido, porque em termos de política brasileira, perdoar para ser perdoado, está cada vez mais difícil.

rioRio de Janeiro é confirmado como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. A capital carioca receberá as delegações de todos os países dois anos depois do país receber a Copa do Mundo de Futebol. Uma informação que foi tão divulgada como comemorada por todos os brasileiros… Quer dizer, quase todos. “A vitória do povo brasileiro”, como definiu o presidente Lula, foi comentada com ar de denúncias prévias de corrupção e a Folha de S.Paulo, como sempre, publicou uma matéria cujo título defende bem o seu posicionamento: “Para críticos de Olimpíada, Rio deveria ter outras prioridades”.Aí vem uma pergunta: será que Madri, Tóquio e Chicago, como gigantescas metrópoles que são, também não deveriam ter outras prioridades? Será Obama um irresponsável, Zapatero um inconseqüente e Hatoyama um ignorante político? Por que esses líderes iriam querer levar para seus países algo que traz tantos prejuízos para suas nações? Isso não teria explicação, nem lógica. O problema é que parte da imprensa brasileira ainda é adepta do negativismo e do cinismo político, tão presente em seus editoriais e nas mensagens semióticas disfarçadas de matérias imparciais.

mainardiTive o desprazer de ver na GNT, o mais boçal de todos os programas da TV brasileira, apesar de ser uma produção bi-nacional. O Manhattan Connection, em sua formação atual, é um simples balcão de notícias e comentários, utilizado para falar sobre economia, política internacional e desprezar ou humilhar todas as ações do atual presidente. O pedantismo do sr. Diogo Mainardi chega às raias do absurdo, quando, em crítica à conversa de Lula com Ahmadinejad, sugere que não se deva ter conversas com um lunático e que o ideal não seria o diálogo com o presidente iraniano e, sim, falou o comentarista político de Veja e do programa da GNT, o uso de bombas no Irã. Uma frase assim, “tão democrática e sensata”, partindo de “formador de opinião”, graças a Deus foi proferida em um programa de canal fechado, onde supostamente os assinantes possuem um nível cultural maior que o da maioria da sociedade e podem discernir mais facilmente as loucuras proferidas pelo rancor.

Melhorias ajudarão cidades

Mas o que isso tem a ver com as Olimpíadas do Rio? Simples, o ato de criticar toda e qualquer ação (mesmo as conquistas) do atual governo, a qualquer custo. Isso acaba gerando tolices e frases insensatas como estas do “poderoso Sir Mainardi” que, aliás, também condenou a embaixada brasileira por dar abrigo ao presidente democraticamente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, deposto por um golpe militar em Tegucigalpa. Na certa, o apresentador do Manhattan Connection entregaria o então presidente nas mãos dos opositores.

A crítica à segunda maior conquista governamental, no âmbito do esporte, dos últimos 60 anos (a primeira foi a Copa do Mundo de 2014) é muito mais política que jornalística. Não há, pelo menos em sã consciência, quem visualize nas Olimpíadas um gigantesco gasto para os cofres públicos. Todos conhecem os benefícios de se sediar o maior evento esportivo do mundo. As melhorias exigidas para a realização dos Jogos Olímpicos, nas áreas de transporte, segurança, infra-estrutura, além da criação de milhares de empregos diretos e indiretos, ajudarão, e muito, a reorganizar o Rio e as cidades que também sediarão eventos das Olimpíadas, como a minha belíssima Salvador.

Imprensa ranzinza e amargurada

Talvez alguns tenham a mesma visão pessimista e com altas doses de dor-de-cotovelo, como a do jornalista Juca Kfouri (também da Folha, coincidentemente) que afirmou categoricamente:

“Daqui a pouco vai começar a realidade e aí, muitos dos que estão festejando, vão começar a chiar.”

Calma, Juca. Não foi uma “vitória da ficção”, como você afirmou. Foi a vitória de um país em pleno crescimento, tanto econômica quanto politicamente. O Brasil não é mais um país do futuro. Hoje somos um país de futuro. Com Copa do Mundo e Olimpíadas nos próximos seis anos, com uma das economias que menos sofreu com a crise e uma das que mais rapidamente vem se soerguendo.

Por exemplo, o jornal El País destaca em sua edição do dia 12 de outubro de 2009 na sua “Reportaje: Primeiro Plano”, assinada por Francho Barón:

 

“Brasil va a por todas. Premiado con los Juegos de 2016 y convertido en potencia económica, el país asume el reto de erradicar la pobreza.”Na reportagem, o jornalista espanhol parece conhecer muito mais o nosso país do que os correspondentes do Manhattan Connection. Fala sobre a origem do termo “país do futuro”, explica o receio dos empresários quando da ascensão de Lula ao poder, sobre FHC reconhecer que o país está melhor que antes, sobre o crescimento econômico, dentre outros.

Mas, assim como Dunga teve que ouvir de um jornalista brasileiro em Buenos Aires, logo após o triunfo de 3×1 sobre a Argentina, o comentário “O que achou das falhas da defesa argentina no jogo de hoje?”, ainda existem pessoas que desqualificam as conquistas nacionais, motivadas pela frustração de assistirem seus inimigos, políticos ou não, brilhando e se emocionando com suas conquistas em rede internacional.

Infelizmente, para Mr. Mainardi, o Brasil é hoje, sim, o centro das atenções. E o pior, companheiro, será ainda daqui a quatro e seis anos. Parabéns ao Comitê Olímpico Brasileiro. Parabéns ao Brasil. Só lamento pela “velha imprensa ranzinza e amargurada” que tem que presenciar a gigantesca popularidade do nosso presidente, aqui no Brasil, e em Manhattan, ser obrigada a ouvir, no bom e velho inglês do Mr. President: Lula is the man!

Por Erick da Silva Cerqueira
Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=559FDS010

politicagemNão há como falar em política na Bahia sem citar o nome de Antônio Carlos Magalhães. Depois de ser prefeito de Salvador e governador da Bahia apoiado pela ditadura militar, tornou-se ministro das Comunicações do governo José Sarney, a partir de 1985.

Dois anos depois, com o apoio de Roberto Marinho devido às concessões feitas pelo ministro, consegue o direito de retransmissão da Rede Globo para a Bahia, através do seu recém-criado canal, a TV Bahia, à época, retransmissora da Rede Manchete. A Rede Globo era transmitida para o estado pela TV Aratu desde 1969 e em apenas dois anos no ministério o político baiano conseguiu a concessão.

Não há como falar em política no Maranhão sem citar o nome de José Sarney. Depois de ser governador do estado do Maranhão apoiado pela ditadura militar, tornou-se presidente da República ao assumir o cargo depois da morte de Tancredo Neves, a partir de 1985.

Dois anos depois, com o apoio de Roberto Marinho devido às concessões feitas pelo então presidente, consegue o direito de retransmissão da Rede Globo para o Maranhão, através do seu recém-criado canal, a TV Mirante, à época retransmissora do SBT.

Duas biografias coincidentemente parecidas que têm em comum um fato gravíssimo. O uso da imprensa e o abuso do poder para conseguir a transmissão da emissora líder de mercado em todo o país, com o intuito de conseguir força política e apresentar ao povo, ainda desprovido de outros meios de comunicação mais eficientes para alcançar as notícias, as verdades criadas e a opinião pública pré-fabricada ao público.

Imprensa e política

Mas por que motivo tive que voltar ao passado e falar sobre o finado político baiano? Simplesmente para lembrar a todos a força da imprensa e o seu papel fundamental na construção de cidadãos ou, simplesmente, de eleitores de cabresto eletrônico.

Vejo na grande mídia, agora, as acusações de nepotismo, abuso de poder, uso de laranjas, manipulação e negociatas utilizadas pelo senhor presidente do Senado. Sinto o clamor público em relação à sua saída da cadeira de presidente. Assisto na TV Senado aos nobres deputados, antes beneficiados por Ele (o Deus do Maranhão), agora o apedrejando e crucificando-o. Mas porque será que isso só veio acontecer agora? Será que a grande mídia nunca soube de nada disso? Será que nunca compararam as trajetórias do ex-ministro das comunicações com a biografia “ilibada” do atual presidente do Senado? Ou simplesmente, “não era o momento” de se fazer essa análise mais detalhada sobre a vida do senador Sarney?

A resposta é simples. A imprensa está intrínseca na política e vice-versa. Não há um sem o outro. A TV Senado é o grande festival, uma espécie de pororoca onde o rio encontra o mar. A política se choca com a mídia e saem as duas a devastar tudo que aparece pela frente. Todos fazem questão de comparecer às CPIs e às plenárias que serão transmitidas para todo o Brasil por uma TV que é assistida, apenas, por quem se interessa por política ou alguém que leu algo interessante sobre esse canal da sua revista preferida.

Veja ou CartaCapital?

Contudo, o que determina o que é uma boa leitura ou uma má leitura?

O que define hoje se a Veja é a melhor revista do país ou se a CartaCapital é quem merece esse título não é a sua linha editorial, e sim, a orientação política de quem as lê.

Quem apóia o atual governo, lê CartaCapital, quem é contra, vê a Veja. A semiótica política nas entrelinhas das duas grandes revistas chega a ser vergonhosa em alguns casos, como no apoio deslavado da Veja à campanha de Alckmin nos outdoors da revista. A peça publicitária continha a foto do candidato tucano à Presidência da República e o título, “O desafiante”. Obviamente o TSE interferiu e proibiu as peças, pois a propaganda eleitoral era muito evidente.

Já a CartaCapital, uma explícita revista de esquerda (se é que isso ainda existe no país) serve de contrapeso aos “abusos direitistas” da revista anterior. O pior de tudo é o cinismo das duas em querer ser imparciais. Talvez até enganem a grande massa, mas que a logo da Carta é uma estrela vermelha e a da Veja é um tucano azul e a amarelo, ninguém tem dúvidas.

O caso Sarney

A campanha contra José Sarney, chegando agora com mais de 20 anos de atraso, é somente mais uma jogada política em época de eleição. Afinal, 2010 vem aí. Mas quem não sabe disso? A oposição, completamente perdida em suas estratégias, não sabia o que fazer. Vejamos:

** Como atacar publicamente o presidente da República se o mesmo goza no momento de uma altíssima taxa de aprovação? Falar mal de Lula pegaria mal.

** Atacar o Bolsa Família? Também não. Eles perderam a eleição passada com essa estratégia e agora querem assumir a “paternidade” do projeto.

** Chamar a candidata dele de guerrilheira e ex-presidiária? A Folha fez, mas não deu resultado.

** CPI da Petrobras? O governo ficou com as peças chaves da Comissão e ainda jogou o peso político de uma intenção de privatização da estatal, nas costas dos tucanos e democratas.

** Então que fazer? Simples, usemos a mídia para atacar o principal aliado do atual governo. O PMDB e um dos seus representantes mais emblemáticos, José Sarney. Simples, não? Mas não podemos parar por aí. Vamos usar a Veja para espalhar o boato de um terceiro mandato de Lula para tentar “endemonizar” a figura do presidente, comparando-o a Chávez, Evo Morales, Fidel Castro e até Hitler. Isso aconteceu em abril deste ano.

Já na Veja desta semana (última de julho), aparece uma cobra engolindo o Palácio do Planalto com o inteligente título “PMDB, da demagogia ao fisiologismo”. O maior partido político do país é tratado na matéria “A digestão do poder”, como acéfalo, “maleável”, “adaptável politicamente” (Maria-vai-com-as-outras), atrasado e resiliente (resistente a choques). Além, obviamente, de demagogo.

Pergunta: como falar de demagogia quando uma revista faz política abertamente contra um determinado partido, ou dois, e ainda se julga isenta e sem tendências políticas? Para ajudar ao semanário da Editora Abril, segue uma pérola do Aurélio:

  • Demagogia: s.f. Política que favorece as paixões populares. / Dominação das facções populares. / O que inculca os valores populares.

Veja só, é a cara da revista…
 

Por Erick Cerqueira

No Observatório da Imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=548FDS015

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