O Santos e os santos da imprensa política
E viva o Santos, o melhor time do Brasil da atualidade. A imprensa nacional está vibrando com a nova edição dos “meninos da vila”. Um time de jovens talentos, comandados pelo “veterano” Robinho e que vem goleando implacavelmente todos os adversários, com um jogo moleque e bonito de se assisti. Mas, pela segunda vez, venho a essa conceituada tribuna pra lembrar aos nossos compatriotas. O Brasil não é a capital de São Paulo. E alguém precisa avisar isso ao Datafolha.
Em recente pesquisa realizada pelo Datafolha, antes do anúncio da campanha de Serra a presidente, o Brasil acordou surpreso com a reação da candidatura tucana. Porém, agora quase um mês depois, descobrimos que houve uma pequena mudança na forma de contabilizar os votos. A conceituada empresa de pesquisa, simplesmente ignorou as recomendações de IBGE para definição do plano amostral da pesquisa e utilizou uma base ponderada favorável, explicitamente, ao estado de São Paulo. Explico: para se fazer uma pesquisa nacional confiável, é necessário utilizar uma base amostral, uma referência que irá dar o “peso” ideal de cada região aos números absolutos. Nesse caso, deve-se utilizar como parâmetro sugerido pelo IBGE, aproximadamente 42% dos votos do Sudeste, 28% dos nordestinos, 14% dos sulistas e os outros 16% divididos entre Norte e Centro-Oeste do país. Curiosamente, não foi essa a base amostral utilizada pelo DataFolha. Para o Brasil, da pesquisadora, o Sudeste corresponde a 61% dos votos, os nordestinos apenas a 18% os sulistas caíram pra 12% e o Centro-Oeste quase sumiu, com míseros 9%.
Mas o que explica esse êxodo datafolhístico? Muito simples, talvez por comodidade (vamos dar um voto de confiança para o instituto) eles pesquisaram muito mais em SP do que em outras regiões, dessa vez , pois cansa muito viajar o Brasil. Então, aumentaram de 25 para 55 cidades paulistas entrevistadas, o que quase sem querer, acabou beneficiando o licenciado governador de São Paulo, e coincidentemente candidato a presidente, José Serra.
Prefiro acreditar que houve apenas um bairrismo despretensioso e não uma absoluta manipulação dos dados para beneficiar um candidato a Presidente da República. Afinal, a nossa imprensa nacional, sempre ávida pelos deslizes políticos, haveria de noticiar essa estratégia de tortura dos números em benefício explícito de um presidenciável. Senão, seremos obrigados a entender que a grande mídia nacional foi omissa por motivações políticas, o que iria ferir a credibilidade da imparcialidade tão presente na vida jornalística dos nossos grandes meios de comunicação.
Acredito piamente que os santos da nossa imprensa, desconheciam esse pequeno “equívoco” do Datafolha. Mas agora, que o erro foi revelado, veremos diariamente nos noticiários do Jornal Nacional, da Band, da Record, entre outros, os caminhos distorcidos que foram utilizados para estrangular os números de uma pesquisa eleitoral de tamanha importância para a nossa nação. E se Papai Noel existe, tudo isso será revelado. Ah, mas vamos esquecer isso que falar de política é muito chato. E o Neymar, hein? Vai ou não vai pra seleção?
Por Erick da Silva Cerqueira
No Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=586FDS005
A pequena grande desafiante
No outro canto, uma aliança antiga e recheada de mágoas, desavenças e traições mútuas traz uma outra proposta. PSDB e DEM (ex-pfl, ex-arena) apostam suas fichas em uma figura obscura e com histórico de derrota na corrida presidencial. Sobre ele a responsabilidade de reconquistar o poder dos tempos de FHC. Porém, os assessores de marketing, do partido, possuem problemas terríveis para resolver com a comunicação. Como falar de governo presidencialista do PSDB/DEM, fazendo com que a população não associe esse “novo” projeto com o governo FHC? Como dizer “governaremos para o futuro” e apresentar uma política recheados de figurinhas carimbadas dos tempos do Fernando Henrique? Mas o maior problema é esse: precisamos evitar comparações dos governos FHC/Serra com a gestão Lula/ Dilma. Porém, como fazer isso? Precisamos bater em Dilma, sem citar o sacro nome do presidente da república no auge dos seus 80% de aprovação. Seremos o pós-Lula, nunca o anti-Lula. Ao nosso lado a imprensa marrom/ azul/ amarela. O povo é só um detalhe, diria Justo Veríssimo. A gente manipula com notícias semióticas, informações apócrifas e uma boa fala no horário político eleitoral. O resto é comício…
Em contrapartida, surge uma candidata técnica demais para um público popular demais. A falta da experiência política de Dilma é um calo para Partido dos Trabalhadores. A estrela dela nunca brilhará como a do atual presidente. Dilma é a cara do PDT, do PMDB, não do PT. Possui o apoio de Lula, mas não o seu carisma. Fez plástica para ficar mais “apresentável” ao grande público, mas seu jeitão de tecnocrata é indisfarçável. Distribuiu sorrisos no carnaval de Salvador, mas não toma cachaça, nem torce pra o Corinthians paulista. Seu sorriso tornou-se mais constante, contudo ainda não chegou no “ponto”. Está sendo trabalhada, moldada, dilapidada e esculpida para disputar a sua primeira eleição. E isso é o seu maior ponto fraco. Como ela se sairá nos debates, nos palanques, no contato com o povo, nas alianças políticas? Confesso que não vejo a Sra. Rousseff beijando criancinhas negras no interior do sertão. A seu favor, seu partido e a máquina governamental atual. Duvido que ela tenha viajado tanto, e em tão pouco tempo, na sua vida inteira. Possui ainda as credenciais de ter implantado projetos importantes do atual governo, como o PAC e o “Luz para todos”. Seus inimigos usarão seu passado para descredenciá-la. Um empresário de São Paulo à chamou de “guerrilheira”, em conversa informal. Porém, usado de forma correta, seu passado de combatividade, à ditadura militar, pode ser mais bem usado que o exílio do Serra.
