2
Jan

Propaganda baiana – Page under construction

   Por: Erick Cerqueira   in Marketing

Ando meio decepcionado com o mundo da propaganda local. E o pior, justo agora que depois de 15 anos na área de criação, tomei coragem para enfrentar uma Faculdade e estou prestes a me forma em marketing. Não sou nenhum Marco Gavazza, com experiência e tempo de sobra pra se desiludir com a área (falarei disso mais a frente), mas é triste ver erros primários sendo cometidos por empresas gigantescas.

Uma das ferramentas mais importantes da propaganda atual é o site da empresa. Imaginemos que a empresa “X” resolve conhecer as empresas de propaganda de Salvador através da internet. Conhece a fama da PROPEG, vai lá e digita www.propeg.com.br (lógico). Resultado: página fora do ar desde o dia 30/12/09 até a manhã do dia 02/01/10. Ou seja, a Propeg virou o ano, fora do ar. Mas tudo bem. É só demitir o pobre do estagiário que não viu isso e pronto.

E segue a procura. Ouve falar da ENGENHO NOVO, que recentemente tomou uma coragem desmedida e fez propaganda de si mesma, algo extraordinariamente inusitado na Bahia, onde agência de propaganda não faz propaganda de si. O site da EngenhoInova, inovou. Fundo amarelo, marca nova e… SITE EM CONSTRUÇÃO. Como diria minha mãe, “o ano passou por cima deles, que dormiram no Réveillon”.

A AGÊNCIA ÚNICA foi outra grande decepção. Os consultores da Empresa “X”  encontraram o link da empresa em um site de buscas que a referenciava como “site inovador”, mas quando acessaram o site… Porém, apesar da famigerada “Página em Construção” encontrada no site da ÚNICA, eles tiveram o cuidado extra de comunicar os seus contatos de “e-mail e telefone” na sua Home Page Under Construction.

Aí, veio a pergunta. Porque será que as agências não deixam os sites antigos e só substituem pelos novos quando os novos estiverem prontos?

Depois dessas decepções nos sites, os consultores da empresa “X” lêem um artigo do Marco Gavazza com o título “O tempo passa, o tempo vôa“. Nesse artigo o publicitário nos mostra a triste realidade da propaganda baiana, que segundo ele, empacou nos clichês e nas fórmulas prontas de se fazer comercial definidas no século passado.  E se entristecem.

Decepcionados e quase desistindo da busca os consultores da “X” começam a encontrar empresas de propaganda que cuidam da sua imagem.

A IDÉIA3 dá um show em seu site. Rápido, bonito, limpo, bem distribuído e muito adequado ao conceito da campanha da empresa. Os olhos do consultor da “X” começam a brilhar de empolgação.

Procurando mais um pouco encontra a LEIAUTE. Um site com conceito interessante, brincando com as histórias infantis e mostrando aos personagens delas que a Leiaute oferece a solução para suas necessidades. Simples, genial e o site tem um “jeitão” de Blog…

Quase definido entre as duas últimas empresas, os consultores da “X” encontram o site da LINK Comunicação e Propaganda. Um site elegante, simples e direto, onde a agência procura mostrar seus últimos trabalhos na página inicial e salientar as grandes empresa à quem atendem.

Felizes e não mais decepcionados com a propaganda baiana, a empresa “X” convoca as donas dos três melhores sites para conversar e fechar negócio. Entre elas estará a vencedora da gigantesca conta de publicidade da multinacional “X”.

Obviamente as grandes multinacionis não definem assim as agências de publicidade que irão deter as contas. Mas o “cartão de visita virtual” de algumas empresas de publicidade de Salvador, precisa ser revisto. Ou então, ficaremos com o enorme sentimento de “casa de ferreiro, espeto de pau”, advindo de quem cuida da propaganda baiana. E se não sabem cuidar da imagem deles, como irão cuidar bem da imagem dos seus clientes?

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Sites pesquisados entre 30/12/09 e  02/01/10

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1
Jan

Finalmente, o fim…

   Por: Erick Cerqueira   in Humor

Acabaram-se as terríveis “festas de final de ano” que tanto odeio. Toda a falsa sensação de paz natalina, de compreensão entre os familiares, de amizade entre os colegas de trabalho, de viagens de final de ano, tudo chegou ao fim. É a melhor sensação de “final de festa” de cada ano, mas é uma pena que aparecem os efeitos colaterais. Os shoppings voltarão ao seu movimento normal, poucas dondocas nas lojas das alas nobres e muitos pobres nos corredores. Voltaram as moderações nas vendas, os descontos para queimar estoque, o desaquecimento da economia, milhares de jovens perdendo seus empregos temporários e milhões de brasileiros endividados por dez meses nos cartões de crédito ou nos carnês, etc.

É incompreensível como as pessoas não se atentam para o fato do Natal ser a festa máxima do Marketing, e não do cristianismo como querem os clérigos. O pobre do Jesus some cada vez mais da festa, dando espaço ao sujeito “tipicamente brasileiro” chamado de Papai-Noel (já falei que não acredito nele num texto anterior). Aquele velho gordo, com roupas de frio, num trenó puxado por renas, que coloca crianças no colo e promete presentes (que não entrega), e além de tudo isso, teve o seu designer idealizado para um comercial da Coca-Cola, é a imagem mais fiel do inferno que se transformou o Natal. Mulheres em estado de êxtase nos Shoppings, filas gigantescas pra comer, estacionar, comprar, entrar em lojas, ir ao banheiro, subir escadas rolantes. Maridos sentados (e emburrados) nas praças de alimentação esperando às suas “respectivas” terminarem as compras, superfaturamento do tender, do peru e chester, meninos gritando “EU QUERO, MÃÃINHÊÊÊÊÊÊÊ”, sinos, velas, bolas, árvores… Só as mamães-noéis dos shoppings salvam o mundo masculino nesse período que se arrasta até o dia 25/12 .

Mas quando tudo acaba, e nós temos a esperança da normalidade, volta tudo de novo, mudando apenas as cores de vermelho para o branco. O Réveillon.

A palavra Réveillon é derivada do verbo francês “réveiller”, que significa “despertar”. Porém, nesse final de ano assisti a uma cena chocante, mas comum nas vésperas de feriados, executada por pessoas que parecem não despertar do transe de estarem transformando uma passagem de dias comuns, em um evento extraordinário.

A fila da para pegar a lanchinha Salvador-Mar grande estava gigantesca às 15h. Não parecia haver a menor possibilidade de todos embarcarem, antes da meia-noite, mas a fila continuava crescendo. Tudo isso para passar o Réveillon nas praias da Ilha. Senti-me um velho por não concordar com tanto sacrifício para tão pouco benefício. Confesso que não entendo até agora tamanho sofrimento para ver as praias da Ilha de Itaparica, banhadas pelas mesmas águas da Baia de Todos os Santos que refrescam a Cidade Baixa de Salvador. Ou seja, passaram entre 4 e 5 horas numa fila, debaixo do sol da Bahia, viajaram mais uma hora (ou quase) de lanchinha e soltaram em Mar Grande, pegaram um ônibus (e outros até mais um barco) para depois de tudo isso, comemorar a passagem do ano em uma… Praia. Talvez se esse roteiro fosse feito por um paulistano ou um mineiro fosse mais compreensivo. Mas por um soteropolitano? Tenha paciência…

Porém, o importante é celebrar o final do ano velho e comemorar a chegada do ano novo. E com tantos desejos de muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender, tenho certeza que a crise econômica mundial e os problemas do SUS ficaram para trás. Ou no saco cheio do Papai Noel ou talvez na Ilha de Itaparica, presa na gigantesca fila de volta da lanchinha e do Ferry-boat. Agora é só esperar passar o carnaval para começarmos o ano de 2010 na Bahia. Êta terra festeira…

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28
Dec

Pede pra sair 09!

   Por: Erick Cerqueira   in Atualidades

Mensalão - A Revanche

Mensalão - A Revanche

Dois mil e nove se encerra e deixa no ar a gigantesca sensação de “dias melhores virão”. O ano foi marcado por perdas irrecuperáveis. Perdemos o resto de confiança nos políticos com os novos Blockbusters brasilienses: “Mensalão – A revanche”, “Dinheiro na cueca 2 -  A missão”, e “Político em família” (estrelando José Sarney) .

Perdemos a credibilidade na justiça, com casos absurdos de juízes envolvidos em tráfico de drogas, corrupção ativa, venda de habeas corpus, etc.

Perdemos o controle da situação vendo um helicóptero da PM carioca sendo abatido pelos traficantes, numa cena típica de filmes de Rambo ou das guerra no Afeganistão e no Iraque.

Perdemos tempo, vendo fotos e recados no Orkut.

Perdemos a TV como grande referencial de noticias, vendo o passarinho azul do Twitter salvar o ‘mundo das manchetes’ com informações direto do inacessível front norte-coreano.

Perdemos Michael Jackson, em Dallas; John Hughes, em Nova Iorque; Claude Lévi-Strauss, em Paris; Patrick Swayze, em Los Angeles; Leila Lopes, no Rio de Janeiro; Dona Dedé e Val, na Bahia…

 

Boas notícias

glo-recMas apesar de tantas perdas, ainda assim, temos muito a comemorar sobre esse ano velho. A imprensa se abriu para os não-diplomados. Os blogs (alguns) se consolidaram como fontes confiáveis de informações.

A imprensa, mais do que o povo brasileiro, ganhou a Copa e as Olimpíadas do Brasil, gerando assim a possibilidade de aquisição de novos anunciantes, novas contratações, novas parcerias, novos (e muitos) capitais estrangeiros, além do investimento em novas tecnologias para dar ‘um show de cobertura’, citando o empolgado Galvão Bueno.

A imprensa ganhou ainda novos aliados, como os sites de fofoca internacionais que disputaram, e compartilharam, as primeiras informações da morte em realtime, num thriller de notícias impressionante, minuto-a-minuto, para informar aos milhões de apaixonados pelo astro Michael Jackson, quem é o número um do paparazzi internacional.

A Globo revelou as “entranhas” da Record e vice-versa, ganhando assim, nós espectadores, a “humanização” desses meios de comunicação, sem a antiga aura divina das suas informações. A Rede Record lança o R7 copiando o G1 da Rede Globo, em sua globalização espiritual. A Globo faz uma série de reportagens para exaltar os evangélicos, buscando ampliar o seu Market Share nesse nicho. A Record vibra com suas novas contratações e Gugu é o grande nome entre elas. Enquanto isso Sílvio Santos chora a grande perda de Lombardi e “A Voz do SBT” ganhou rosto para o resto do Brasil.

 

Allez Lula

lula_positivo2-204x300Lula é eleito homem do ano pelo Le Monde, possui 72 de aprovação da população (segundo o Datafolha), Dilma sobe para 26% das intenções de voto parar 2010 (Datafolha) e a Oposição tenta usar o “apagão” como uma tragédia nacional para barrar a enxurrada de “boas novas petistas”. A crise passou, mas deixou como triste consequência o fim da sequência do crescimento sustentável do nosso país, além de milhares de desempregados afogados na “marolinha” brasileira.

É, pede pra sair 09, pois, definitivamente, você não foi um bom ano. Mas infelizmente ficara para sempre marcado na história do Brasil, com o ano que bem ou mal, tiveram que falar da gente…

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