18
jun

José Saramago recebe o envelope roxo

   Por: Erick Cerqueira   in Cultura

Ninguém foi tão inverossímil para relatar a realidade quanto ele. José de Souza Saramago! Sim, seu nome deve ser sempre seguido de uma exclamação. Aos 87 anos, no dia 18 de junho de 2010, o maior escritor contemporâneo do mundo, deixou o mundo. Seu corpo está sendo velado na Biblioteca, que leva o seu nome, em Tías, nas Ilhas Canárias. Apropriado, não?

Em seu refúgio nas Ilhas Canárias, foi vitimado por uma leucemia que o levou à falência múltipla dos órgãos.  Mas não há como falar da morte de um homem que, em seus realismos-surreais, simplesmente deu férias a ela. A morte.

A imagem viva do velho comunista, meio ranzinza quanto à tradução dos seus livros do português de Portugal para o português brasileiro, ficará na mente dos seus fãs. Porém, se puder, escolherei lembrar apenas dele chorando emocionado ao assistir a avant-premiere do filme Cegueira, de Fernando Meirelles. Aliás, fica a dica. Assistam ao filme no DVD, mas não deixe de ver também, o fantástico making-of nos extras. No making-of, Meirelles viaja até as Ilhas Canárias para pedir a permissão do Mestre para fazer um filme de um dos seus livros. O diretor sabia que o escritor não gostava da idéia de ver suas páginas nas telonas, mas conseguiu convencê-lo. Porém, com uma condição. Se ele, José Saramago, não aprovasse a película, ela não iria aos cinemas. Meirelles aceitou o desafio e quando exibiu Cegueira pela primeira vez ao autor, emocionado, assistiu às lágrimas do Velho Senhor. Saramago aprovara e se apaixonara pelo que assistira.

Autor de livros como “As intermitências da morte”, “Caim” e “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, Saramago recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1998, ano seguinte ao lançamento do livro “Todos os nomes”. Suas obras possuem uma identidade própria, com diálogos sendo intercalados por vírgulas seguidas de letras maiúsculas para alterar o locutor. Se pudéssemos manter um diálogo com ele, diríamos: Você foi o maior gênio da língua da portuguesa, Muito grato, mas fiz apenas a minha parte, Obrigado ao senhor por nos inspirar a pensar.

Em 1991 escreveu sua obra mais polêmica: O Evangelho Segundo Jesus Cristo. O seu Jesus humanizado chocou os retrógrados religiosos portugueses que consideraram a obra como uma blasfêmia. O governo português, obviamente influenciado pela Igreja, vetou a indicação do livro para a lista do Prêmio Literário Europeu. Em retaliação a essa censura, Saramago abandona Portugal e parte para a Espanha, aonde viveu até receber o seu “envelope roxo”. Não sabe o que é o “envelope roxo”? Então recomendo a leitura de “As intermitências da morte“, para esclarecer esse mistério e se aprofundar na magistral obra desse português que imaginava o inimaginável para explicar a realidade humana.

Ave, Saramago!   
* 16/11/1922       + 18/06/2010
 

PS. Talvez ele esculhambasse esse texto. Mas como fã, não posso deixar de homenageá-lo…

 

Erick da Silva Cerqueira

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17
jun

Dunga zangado com imprensa infeliz

   Por: Erick Cerqueira   in Notícias

É impressionante como algumas pessoas fazem questão de serem desagradáveis. Talvez por frustração, necessidade advinda de um egocentrismo tardio ou simplesmente pelo prazer de criar a discórdia e aparecer através de uma polêmica. E pior: parece que essa prática desagradável é ensinada como matéria nas faculdades de Jornalismo do Brasil.

A grande imprensa nacional está dando um show de cobertura da Copa do Mundo da África. Flashes ao vivo, equipes de plantão 24 horas, cobertura total e o melhor de tudo: todos os jogos sendo transmitidos ao vivo. Mas a primeira Copa em território africano resgata um antigo problema da nossa Seleção. Como pode uma Seleção Brasileira de futebol ir para a Copa e não se meter em nenhuma polêmica? É um absurdo. Lembro de 86, Zico sendo convocado e levado machucado para a Copa. Em 90, uma seleção totalmente desacreditada com o Lazaroni ao comando. E como esquecer a vitoriosa campanha de 94, onde somente a chegada de Romário no jogo contra o Uruguai acalmou a grande mídia nacional? Quatro anos depois, Romário chora e pinta Zico e Zagalo na porta do seu bar. A seleção perde de 3 para Zidane e companhia e surge a teoria da conspiração (e da convulsão). Felipão assume e fomos para a Ásia empolgados, mas com os pés no chão. Nada de favoritismo e, magistralmente, vencemos com o cabelo de Cascão do Ronaldo. Aliás, a maior estratégia de marketing em uma Copa de todos os tempos. Não se comentava de problemas na seleção, apenas do corte esquisito e horroroso do camisa 9. Em 2006, favoritíssimos. Quarteto mágico, badalação, futebol espetáculo, festa nos treinos, torcida no campo e gol de Henry… Weiser nunca mais sairá das nossas mentes.

Mas, e agora? Não tem polêmica? Tem, sim. Faltou o Ganso e o Neymar. Se perder, Dunga será culpado de não ter levado os “meninos da Vila”. A crítica da imprensa já está pronta para a derrota. Contudo, faltam ainda 45 dias para saber a colocação final da Seleção. Então vamos criticar os detalhes. Kaká discutiu com Felipe Melo. Crise? Não, Kaká abraçou o companheiro no dia seguinte. Droga.

A bola é sobrenatural. Pronto, polêmica. Não, o Kaká disse que eles já se acostumaram com a Jubilani. Próxima. Daniel discutiu com Júlio Batista. Agora temos uma crise. Felipe Melo vem estragar tudo. Dizendo que essa história de crise é uma grande palhaçada. Aí, o Dunga vira o Zangado e fecha o treino para a imprensa. Um absurdo. A seleção é do povo brasileiro, não do seu treinador. E tome críticas ao Dunga.

Que as vuvuzelas abafem o pessimismo
É impressionante como a crônica esportiva está ávida por um escândalo. Os jornalistas se apegam aos pequenos detalhes para criar uma grande polêmica com o scratch brasileiro. Com que propósito? Ganhar audiência? Aparecer com os furos de reportagem? Ou ainda, serem mais importantes que os jogadores convocados? Que pena…

Ouvi um comentário durante o jogo de abertura da Copa que, com certeza, reflete bem o que é a imprensa nacional. Dizia o repórter da TV Globo: Maradona levou seis atacantes e Dunga levou seis “cabeças de área”. Talvez a grande Argentina deva mesmo ser uma referência e servir de exemplo para o Brasil. Uma seleção que não vence nenhuma competição desde 1995, quando ganhou a Copa América. É o famoso “complexo de vira-latas brasileiro”, citado por um famoso corintiano de Garanhuns.

Deixem o Dunga fazer o trabalho dele. Sem polêmicas, sem crises, sem “disse-me-disses”, sem intrigas. Deixe o povo torcer por Kaká, sem falar que ele não está 100%. Elogiar o Luís Fabiano, esquecendo a má fase de seis jogos sem gols. E torcer para não ter de citar a falta do Neymar, como ausência fundamental para a desclassificação antecipada da nossa seleção.

O Brasil não precisa de polêmica, mas de torcida. Nada de pessimismo, sim de vibração positiva. E vamos procurar confiar no elenco atual. Afinal, foi a seleção desacreditada de 94 que conseguiu o tetra, e não a badalada de 82. Vamos, Brasil! Hexa neles. E que as vuvuzelas africanas abafem o pessimismo e as pseudo-polêmicas da imprensa nacional. E aproveitando, mando uma mensagem para o Dunga. Nietzsche já dizia: “quanto mais alto voamos, menores pareceremos, aos olhos daqueles que não sabem voar”.

Por Erick da Silva Cerqueira

No Observatório da Imprensa: 
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=594FDS003

No PenseAi.com
http://www.penseai.com/2010/06/dunga-zangado-com-imprensa-infeliz/

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10
jun

Ação de Marketing de Guerrilha na F2J

   Por: Erick Cerqueira   in Marketing

A equipe 5Pês, formada por estudantes de Propaganda e Marketing da Faculdade 2 de Julho, realizou nesta terça (08/06) uma ação de Marketing de Guerrilha dentro da instituição.
A apresentação de MotoShow faz parte do Trabalho de Conclusão de Curso desta equipe, que tem como cliente a empresa ASA MOTO CENTER.
Os pilotos-acrobátas conhecidos como Serrinha e Cola impressionaram os estudantes da Faculdade. Até mesmo o Diretor Josué Mello e a Coordenadora Pedagógica Tecla Mello, se impressioram com as performances dos pilotos.
O Marketing de Guerrilha se caracteriza por ações não convencionais de propaganda. A ação não foi divulgada de forma proposital. A equipe surgiu com cones e fitas zebradas, ao som de Born to be Wild, do Sttepenwolf. As motos surgiram em seguida, chamando a atenção de todos os presentes no local.
A equipe realizadora do evento é composta por CLAUDIO JOSÉ, ERICK CERQUEIRA, GUILHERME MENDONÇA, MOISÉS MELO, NAIANA REIS, NILMA DUARTE, SUELLEN RIBEIRO, SUELI PAIXÃO, TALITA SAMPAIO.

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Veja as fotos:

até o diretor tirou foto

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