Por Verbena Córdula em 13/4/2010 – extraído do Observatório da Imprensa
No Bom dia Brasil de quarta-feira (8/4), o jornalista e âncora Renato Machado, perguntou: “Onde foi parar o dinheiro destinado às obras de prevenção de catástrofes?”, referindo-se à denúncia do Tribunal de Contas da União (TCU) segundo a qual o ex-ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, candidato a governador da Bahia pelo PMDB – partido aliado do governo Lula – teria utilizado quase toda a verba para obras naquele estado em detrimento dos demais. Pareceu-me que faltou, ao jornalista, um senso crítico mais aguçado.
Não restam dúvidas de que Geddel agiu de maneira pragmática e sobretudo irresponsável, de olho nas próximas eleições. No entanto, o jornalista Renato Machado falhou, de modo inadmissível, quando não fez uma reflexão (mesmo que pequena) acerca das questões relativas à infraestrutura urbana no Brasil, que historicamente contam com o descaso dos governantes de plantão, em todas as esferas do Estado. Independentemente da “esperteza” de Geddel, o dinheiro a que se refere a polêmica em questão, mesmo aplicado equitativamente nos 26 estados da Federação brasileira, não seria suficiente para resolver os problemas referentes à infraestrutura no país.
Renato Machado esqueceu de frisar foi que Salvador, a capital baiana, mesmo com todo o montante gasto pelo Ministério da Integração Nacional, está – em consequência das chuvas que começaram a cair – tão caótica quanto o Rio de Janeiro e outros estados, revelando o descaso histórico dos governos que preferem realizar algumas obras que fiquem às vistas (vide Jogos Panamericanos, Copa de 2014, Olimpíada 2016) e coisas do gênero. Aliás, seria uma excelente oportunidade para se questionar a pertinência de se realizar eventos como esses nas cidades brasileiras. Sem embargo – e logicamente como a Rede Globo irá faturar (e muito) por conta disso –, não podemos esperar posturas jornalísticas nesse sentido.
Falta de respeito com o jornalismo
Cada dia é mais indignante a maneira incipiente como jornalistas das grandes redes consagradas vêm atuando. O Bom Dia Brasil e a maioria da programação jornalística da Rede Globo parecem ter como objetivo principal subestimar a capacidade reflexiva do telespectador. Aliás, a Globo está se especializando, cada vez mais, em superficialidades e falta de profissionalismo.
No dia anterior, na Globo News, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, contou com uma expressiva ajuda em sua campanha para o próximo pleito, já que desfrutou de longos minutos para se auto-elogiar e elogiar o presidente da República pelas obras do Programa de Aceleraçãol do Crescimento (PAC) naquele estado, que pelo visto não fizeram muita diferença para as vidas das dezenas de pessoas que morreram em consequência da falta de atuação governamental em obras de infraestrutura urbana. Aliás, Cabral – além de se autopromover e de promover o governo federal –, limitou-se a apelar a Deus para que mais pessoas não morram em consequência dos desmandos administrativos.
Até quando teremos que suportar essa falta de respeito com o jornalismo?
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E viva o Santos, o melhor time do Brasil da atualidade. A imprensa nacional está vibrando com a nova edição dos “meninos da vila”. Um time de jovens talentos, comandados pelo “veterano” Robinho e que vem goleando implacavelmente todos os adversários, com um jogo moleque e bonito de se assisti. Mas, pela segunda vez, venho a essa conceituada tribuna pra lembrar aos nossos compatriotas. O Brasil não é a capital de São Paulo. E alguém precisa avisar isso ao Datafolha.
Mas o que explica esse êxodo datafolhístico? Muito simples, talvez por comodidade (vamos dar um voto de confiança para o instituto) eles pesquisaram muito mais em SP do que em outras regiões, dessa vez , pois cansa muito viajar o Brasil. Então, aumentaram de 25 para 55 cidades paulistas entrevistadas, o que quase sem querer, acabou beneficiando o licenciado governador de São Paulo, e coincidentemente candidato a presidente, José Serra.
E se os Nardonis fossem soltos? Será que a polícia teria como garantir a segurança dos acusados? Não teria. O crime que chocou a opinião pública nacional é um grande exemplo da força da imprensa no nosso país. Poder tão grande que transformou a indignação do povo brasileiro, ante um crime tão hediondo, em um ódio mortal pelos acusados.