19
abr

O deslize estatístico do Datafolha

   Por: Erick Cerqueira   in Atualidades, Política

 O Santos e os santos da imprensa política

 E viva o Santos, o melhor time do Brasil da atualidade. A imprensa nacional está vibrando com a nova edição dos “meninos da vila”. Um time de jovens talentos, comandados pelo “veterano” Robinho e que vem goleando implacavelmente todos os adversários, com um jogo moleque e bonito de se assisti. Mas, pela segunda vez, venho a essa conceituada tribuna pra lembrar aos nossos compatriotas. O Brasil não é a capital de São Paulo. E alguém precisa avisar isso ao Datafolha.

Em recente pesquisa realizada pelo Datafolha, antes do anúncio da campanha de Serra a presidente, o Brasil acordou surpreso com a reação da candidatura tucana. Porém, agora quase um mês depois, descobrimos que houve uma pequena mudança na forma de contabilizar os votos. A conceituada empresa de pesquisa, simplesmente ignorou as recomendações de IBGE para definição do plano amostral da pesquisa e utilizou uma base ponderada favorável, explicitamente, ao estado de São Paulo. Explico: para se fazer uma pesquisa nacional confiável, é necessário utilizar uma base amostral, uma referência que irá dar o “peso” ideal de cada região aos números absolutos. Nesse caso, deve-se utilizar como parâmetro sugerido pelo IBGE, aproximadamente 42% dos votos do Sudeste, 28% dos nordestinos, 14% dos sulistas e os outros 16% divididos entre Norte e Centro-Oeste do país. Curiosamente, não foi essa a base amostral utilizada pelo DataFolha. Para o Brasil, da pesquisadora, o Sudeste corresponde a 61% dos votos, os nordestinos apenas a 18% os sulistas caíram pra 12% e o Centro-Oeste quase sumiu, com míseros 9%.

Mas o que explica esse êxodo datafolhístico? Muito simples, talvez por comodidade (vamos dar um voto de confiança para o instituto) eles pesquisaram muito mais em SP do que em outras regiões, dessa vez , pois cansa muito viajar o Brasil. Então, aumentaram de 25 para 55 cidades paulistas entrevistadas, o que quase sem querer, acabou beneficiando o licenciado governador de São Paulo, e coincidentemente candidato a presidente, José Serra.

Prefiro acreditar que houve apenas um bairrismo despretensioso e não uma absoluta manipulação dos dados para beneficiar um candidato a Presidente da República. Afinal, a nossa imprensa nacional, sempre ávida pelos deslizes políticos, haveria de noticiar essa estratégia de tortura dos números em benefício explícito de um presidenciável. Senão, seremos obrigados a entender que a grande mídia nacional foi omissa por motivações políticas, o que iria ferir a credibilidade da imparcialidade tão presente na vida jornalística dos nossos grandes meios de comunicação.

Acredito piamente que os santos da nossa imprensa, desconheciam esse pequeno “equívoco” do Datafolha. Mas agora, que o erro foi revelado, veremos diariamente nos noticiários do Jornal Nacional, da Band, da Record, entre outros, os caminhos distorcidos que foram utilizados para estrangular os números de uma pesquisa eleitoral de tamanha importância para a nossa nação. E se Papai Noel existe, tudo isso será revelado. Ah, mas vamos esquecer isso que falar de política é muito chato. E o Neymar, hein? Vai ou não vai pra seleção?

Por Erick da Silva Cerqueira

No Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=586FDS005

Tags: , , , , , , , , ,

15
abr

“Caso Geddel” e o jornalismo incipiente

   Por: Erick Cerqueira   in Notícias, Política

Por Verbena Córdula em 13/4/2010 – extraído do Observatório da Imprensa

No Bom dia Brasil de quarta-feira (8/4), o jornalista e âncora Renato Machado, perguntou: “Onde foi parar o dinheiro destinado às obras de prevenção de catástrofes?”, referindo-se à denúncia do Tribunal de Contas da União (TCU) segundo a qual o ex-ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, candidato a governador da Bahia pelo PMDB – partido aliado do governo Lula – teria utilizado quase toda a verba para obras naquele estado em detrimento dos demais. Pareceu-me que faltou, ao jornalista, um senso crítico mais aguçado.

Não restam dúvidas de que Geddel agiu de maneira pragmática e sobretudo irresponsável, de olho nas próximas eleições. No entanto, o jornalista Renato Machado falhou, de modo inadmissível, quando não fez uma reflexão (mesmo que pequena) acerca das questões relativas à infraestrutura urbana no Brasil, que historicamente contam com o descaso dos governantes de plantão, em todas as esferas do Estado. Independentemente da “esperteza” de Geddel, o dinheiro a que se refere a polêmica em questão, mesmo aplicado equitativamente nos 26 estados da Federação brasileira, não seria suficiente para resolver os problemas referentes à infraestrutura no país.

Renato Machado esqueceu de frisar foi que Salvador, a capital baiana, mesmo com todo o montante gasto pelo Ministério da Integração Nacional, está – em consequência das chuvas que começaram a cair – tão caótica quanto o Rio de Janeiro e outros estados, revelando o descaso histórico dos governos que preferem realizar algumas obras que fiquem às vistas (vide Jogos Panamericanos, Copa de 2014, Olimpíada 2016) e coisas do gênero. Aliás, seria uma excelente oportunidade para se questionar a pertinência de se realizar eventos como esses nas cidades brasileiras. Sem embargo – e logicamente como a Rede Globo irá faturar (e muito) por conta disso –, não podemos esperar posturas jornalísticas nesse sentido.

Falta de respeito com o jornalismo

Cada dia é mais indignante a maneira incipiente como jornalistas das grandes redes consagradas vêm atuando. O Bom Dia Brasil e a maioria da programação jornalística da Rede Globo parecem ter como objetivo principal subestimar a capacidade reflexiva do telespectador. Aliás, a Globo está se especializando, cada vez mais, em superficialidades e falta de profissionalismo.

No dia anterior, na Globo News, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, contou com uma expressiva ajuda em sua campanha para o próximo pleito, já que desfrutou de longos minutos para se auto-elogiar e elogiar o presidente da República pelas obras do Programa de Aceleraçãol do Crescimento (PAC) naquele estado, que pelo visto não fizeram muita diferença para as vidas das dezenas de pessoas que morreram em consequência da falta de atuação governamental em obras de infraestrutura urbana. Aliás, Cabral – além de se autopromover e de promover o governo federal –, limitou-se a apelar a Deus para que mais pessoas não morram em consequência dos desmandos administrativos.

Até quando teremos que suportar essa falta de respeito com o jornalismo?

Tags: , , , , , , ,

29
mar

Uma nação de ódio clamando por vingança

   Por: Erick Cerqueira   in Atualidades

E se os Nardonis fossem soltos? Será que a polícia teria como garantir a segurança dos acusados? Não teria. O crime que chocou a opinião pública nacional é um grande exemplo da força da imprensa no nosso país. Poder tão grande que transformou a indignação do povo brasileiro, ante um crime tão hediondo, em um ódio mortal pelos acusados.
Durante a incrível cobertura do julgamento, em março desse ano, ninguém comentava outra coisa, senão o julgamento. O povo pedia justiça, ou seja, condenação severa para os acusados.  Porém, se eles fossem inocentados, talvez fossem linchados dentro do carro da PM.
Cenas lamentáveis de agressão contra os defensores do casal, contra o pai do acusado e, obviamente, xingamentos contra o casal assassino, viravam furo de reportagem. O julgamento era só um detalhe. Questão de determinar quantos anos mais os réus passarão na cadeia. Duvido que o juiz tivesse coragem de inocentar os réus diante de tanto raiva alimentado pela imprensa.

Antes de me lincharem, preciso dizer que também achava os réus culpados. Não os defendi e nem tive dúvidas que o assassino seria o pai e/ ou a madrasta da menina. Mas é preciso pensar na justiça não como um objeto de vingança fria e pura. De acordo com Mariel Marra, “a justiça tem normas, tem rituais, protocolos, tem fundamentos vinculados a direitos, e quando ela é acionada, ela se defronta com o princípio do contraditório, da legalidade, da fragmentariedade, da humanidade, da culpabilidade, dentre outros que devem ser respeitados. Em que de um lado estão os direitos individuais ou coletivos supostamente violados, e de outro os direitos humanos dos acusados. Nas democracias, essas normas, esses rituais, fundamentos e princípios, expressam a vontade e as escolhas da coletividade”. A vingança, por sua vez, é alimentada pelo ódio e pelo desejo de prejudicar o outro como forma de punição pelos seus crimes ou erros. A justiça depende de processos, onde todos, sem exceção, têm direito a uma ampla defesa. Porém, diante de tanta revolta da população, poucos advogados tiveram coragem de defender esse casal. Os que tiveram, temem por uma retaliação futura e irracional, onde eles poderão perder clientes por terem defendido esse casal de “monstros”.

É preciso entender que esse linchamento midiático do casal, antes mesmo do seu julgamento, serviu apenas para acirrar os sentimentos de ódio de milhões de brasileiros, espectadores de um julgamento, quase Reality-Show, onde todos queriam entrar para assistir. Parecia show da Madonna, com pessoas dormindo na fila, virando noite em frente ao fórum no intuito de participar da condenação dos inimigos públicos nº 1 do Brasil.
O casal de assassinos de criança foi condenado para felicidade geral da nação. Agora, todos voltarão as suas atenções para a final do BBB10 (argh!). Mas, pensemos: a sociedade ganhou o que com tanto ódio pelos condenados? Aprendi uma vez, que o ódio é um veneno que nós bebemos e ficamos na espera que o odiado morra. Esse veneno fica em nós, não neles. Vamos voltar a tomar conta das nossas vidas e deixar que a justiça cuide do Casal Nardoni, agora. Nesse caso, o melhor a fazer não é odiar o assassino, e sim, rezar pela vítima.

No Observatório da Imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=583FDS005

Tags: , , , , , , ,

Page 6 of 18« First...4567810...Last »