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4
jul

Born Free – Romain Gavras

   Posted by: Erick Cerqueira    in Cultura

Mia - A cantora que virou coadjuvante (quase figurante) em seu próprio videoclipe

Agora que o Brasil está fora da Copa o mundo deve voltar ao normal. E voltando a normalidade assisti estarrecido a um “simples” videoclipe de uma cantora inglesa. MIA. Musicalmente falando é uma simples reedição de tudo que se vê na MTV. Um roquezinho sem muita expressão, que simplesmente fica inaudível depois de meio minuto de clipe. Agora, o Videoclipe é Sensacional.

Dirigido pelo francês Romain Gavras o curta, disfarçado de videoclipe, é de uma violência absurda. O filme é tão chocante que a música vira quase uma mensagem subliminar. Born Free. Gavras já vinha chocando a opinião pública no mundo inteiro com clipes como “Stress“. Porém, não são jovens arruaceiros que estrelam a violência dessa vez. São soldados que violentam os cidadãos e desrespeitam os direitos de uma minoria.

Com cenas dignas do holocausto nazista, o filme retrata soldados invadindo casas e sequestrando jovens ruivos. Numa clara referência aos genocídios de raças da Segunda Guerra, só que dessa vez, não é a suástica que enfeita os braços dos soldados. É a bandeira norte-americana.

Born Free é chocante e, se ainda houvesse censura nesse país, seria classificado como “21 anos”. Mas não foi a violência do clipe que me deixou estarrecido. O que assusta é ver que uma cantora gasta milhões pra fazer um videoclipe maravilhoso, e ao final, você não sabe nem o timbre da voz da Mia, que dirá, uma frase sequer da música. Aliás, procurando a letra na internet, achei essa frase I throw this sh!t in your face when I see you (eu vou jogar essa merda na sua cara quando eu te ver). Ou seja, dispensável.

Com uma edição primorosa Gavras usou a cantora para denunciar ao mundo, suas ideiaas sobre ao genocídio, o racismo (com ruivos no lugar dos negros),  e a brutalidade do imperialismo americano. É cruel, mas é maravilhoso. É uma verdade tão nua que envergonha, e tão crua que choca.

Se tiver estômago para assistir jovens sendo assassinados, clique ai embaixo. Mas tire as crianças da frente do computador antes.

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20
set

Brasília – Diário de Viagem

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

Caros amigos, estive em Brasília a trabalho e não me contive em escrever sobre as coisas maravilhosas que vi naquele lugar. Como alguns já sabem sou um grande fã de Oscar Niemeyer e não pude me furtar a elogiar publicamente um dos meus artistas favoritos e suas obras. Espero que gostem.

Deus+Niemeyer=Galeria de Arte

Andar por Brasília é impressionar-se a cada esquina. A cidade certinha demais abriga uma surpresa agradável a cada esquina. Como marinheiro de primeira viagem, preferi conhecer a tudo andando. Obviamente não ma refiro a grande Brasília como um todo e sim a parte, digamos, turística e genial desenhada por Niemeyer. Vamos a esse breve passeio.

Biblioteca Nacional

Biblioteca Nacional

Começarei falando da primeira meia cúpula gigantesca que vi pela frente. A Biblioteca Nacional. A beleza estética do prédio é tão surpreendente quanto o seu conteúdo. Um caso típico de boa embalagem e bom produto. Dentro uma exposição magnífica contava a história da comunicação, patrocinada pela Telefonica. Perguntei em tom de brincadeira se aquela maravilha poderia um dia vir à Bahia e a recepcionista me respondeu, meio sem jeito que estava programada apenas uma viagem a São Paulo. Lembrei da realidade dos nossos museus, abandonados pelo grande público e freqüentados apenas por estudantes. Preferi não voltar a minha realidade ainda e depois de observar atentamente a maravilha da exposição voltei a minha peregrinação. Ao sair da biblioteca um enorme calçadão nos remete a uma incrível sensação de tranqüilidade, distanciamento dos problemas reais e ao calor do escaldante tempo da capital.

Catedral de Brasília

Catedral de Brasília

Pouco a frente outra escultura em forma de arquitetura. A Catedral de Brasília. Citarei o autor para resumir essa obra:  “Se a reta é o caminho mais curto entre dois pontos, a curva é o que faz o concreto buscar o infinito.”Oscar Niemeyer. As curvas geniais da Catedral de Brasília, com seus quatro sinos, deixam evidente a idéia de ascensão projetada pelo seu desenhista. Em seu interior um Jesus crucificado cede humildemente o papel de destaque aos anjos que sobrevoam sob a cúpula de vitrais. Deus nunca foi tão bem representado pela arte como naquele lugar. A réplica da Pietà, de Michelangelo, contrasta com a modernidade genial das outras peças do recinto. Desde a escura entrada até a claridade interna daquele monumento, nunca me emocionei tanto numa igreja. A Catedral (da Arte) de Brasília é mais inspiradora que as velhas igrejas da minha terra.

Saindo da Catedral e nos deparamos com uma fila de prédios que remete-nos a dominós deitados. A Esplanada dos Ministérios encanta pela sofisticação da simplicidade. Uma extraordinária estrada, com seus tijolinhos em forma de prédios baixos, nos leva a obra-prima do artista autor da Cidade. O Congresso Nacional.

Congresso Nacional

Congresso Nacional

Uma emocionante escultura colocada no fim de um canteiro central gigantesco parece ser o prêmio aos que conseguiram percorrer o extenso corredor de prédios. Não há como não se emocionar ante aquela construção ímpar. Confesso que sentei no chão para admirá-la em todos seus aspectos. As rampas com tapetes vermelhos, a garagem subterrânea (como tudo em Brasília), o espelho d’água os prédios ligados  pelo centro e suas semi-cúpulas. Lembrei da frase de Niemeyer que tanto me inspirou e inspira no meu trabalho como designer:

“Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu País, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo – o Universo curvo de Einstein.” (Oscar Niemeyer)

E fiquei ali, extasiado ante a obra-prima do Mestre, mas achei a primeira falha na obra do deus Niemeyer. Ele coloca tanta beleza no prédio do poder Legislativo que os outros Poderes ficam renegados ao segundo plano. É como se o “velho-comunista” salientasse mais a importância do Parlamento que a do Presidente, mesmo sendo o Palácio da Alvorada uma das suas obras preferidas.

 

Entre Deus e Niemeyer

Entre Deus e Niemeyer

Niemeyer x Deus

Brasília não é só isso, claro, mas essa enorme avenida que nos leva da Biblioteca Nacional ao Palácio da Alvorada é sem dúvida a representação do maior conjunto de obras de arte a céu aberto do Brasil. O traço curvo do arquiteto ateu aparece em total conjunção com um céu absolutamente lindo projetado por Deus. É como se o Criador de Brasília quisesse desafiar o Criador do Mundo para ver quem faz o seu trabalho mais bonito que outro. Mas nesse desafio só quem vence são os olhos de quem por lá já passaram.

 

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