Posts Tagged ‘bahia’

9
Mar

Complexo de inferioridade da Imprensa Baiana

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

Edilson - Alvo de críticas da idiota mídia baiana

O Campeonato Baiano de futebol nunca foi a “oitava maravilha do mundo”, pelo contrário. A polarização dos títulos entre a dupla BAVI nos últimos 40 anos, sempre desestimulou os patrocinadores a investir nos times do interior. Outro fator que implicava na ascensão do certame local era a falta de visibilidade dos jogos. A Rede Globo, ex-detentora dos direitos de transmissão dos jogos, comprava o Campeonato e não exibia suas partidas. Esse ato, de extrema prepotência, foi a estratégia utilizada pela empresa sulista para divulgar o grande campeonato Paulista. Rico e muito mais interessante economicamente, o Campeonato Paulista atraia os grandes patrocinadores nacionais.  Com isso muitos nordestinos passaram a ter muito mais amor aos times paulistas do que aos escretes locais. Mas isso não é novidade. Nas décadas de ouro do rádio, todas as transmissões dos jogos de futebol vinham do Rio de Janeiro. Com isso os brasileiros das outras regiões passaram a ter o Flamengo, Vasco e Botafogo como times do coração, renegando assim os pobres times locais do resto do país.
Outra característica nasceu dessa massificação da divulgação dos times sulistas. Os nordestinos, principalmente, passaram a torcer por dois ou mais times. “Sou Vitória e Flamengo” ou “sou Bahia e Corinthians” são expressões comuns no nosso estado e tema de brincadeira do apresentador Jô Soares com o músico baiano Bira, que torce pra um time em cada estado.

Enfim, o fim.
Mas a Globo perdeu os direitos de não-transmissão dos jogos do nosso campeonato e a Record Bahia (TV Itapoan), passou a exibir os jogos da dupla BAVI quando realizados no interior do estado. Foi algo memorável. Como todos sabem, o torcedor baiano é muito apaixonado pelo esporte. Somente para exemplificar, o Bahia quando esteve no inferno da Série C, foi recordista de público das três divisões do Campeonato Brasileiro. Vencendo inclusive, o Flamengo e o Corinthians. Era uma time de terceira com um público de primeira, brincavam os comentaristas.
Mas apesar dessa grandiosa mudança de mãos, o Campeonato Baiano de Futebol agora sofre com novo problema. A maldita falta de profissionalismo da crônica esportiva baiana. Alguns dos principais cronistas esportivos do estado passaram a possuir o “passe” de alguns jogadores que atuam nos dois grandes clubes da Bahia. Com isso, caso o treinador não coloque em campo o jogador que pertence ao locutor, logo é taxado como burro, imaturo, prepotente, dentre outros adjetivos. Assim, eles excitam as torcidas a pedirem a saída dos “técnicos teimosos” e se esforçam de tal maneira para esse ínterim, que normalmente conseguem seu sórdido objetivo.
Como se não bastasse esse tráfico de influência, ainda surgem perseguições motivadas pelo sentimento de torcedor de alguns comentaristas. O apresentador Raimundo Varela é um exemplo típico desse tipo de profissional. Totalmente despreparado para o cargo, Varela usa da sua influência junto às massas, conquistada pela sua grande audiência em um programa popularesco, para trabalhar como comentarista esportivo. Protagonista de pérolas como “esse jogador jogou pelo Bahia ano passado, mas eu não conheço bem ele”, “Seu Valera” acaba usando seu ímpeto de torcedor para perseguir jogadores e até, um time inteiro. Não há um jogo do Bahia onde ele não enxergue um erro do juiz favorecendo o tricolor e nem um jogo do Vitória onde ele não veja perseguição do árbitro contra o seu time do coração. Além disso, o apresentador passou a “pegar no pé” da principal contratação do Bahia na atualidade. O veterano jogador Edílson, pentacampeão mundial. O jogador é o principal alvo das críticas do Seu Varela. Mesmo depois de disputar uma partida, jogando bem, correndo o campo inteiro até o final do jogo e dando inclusive passes para o gol, Edilson sofreu muito mais com a marcação dos apresentadores e comentaristas, do que com os zagueiros adversários.
Edilson é uma figura emblemática no futebol brasileiro. Um jogador que deu nova visibilidade ao time do Bahia e ao Campeonato Baiano como um todo. O “Capetinha”, mesmo sem tocar na bola, foi destaque em programas esportivos de todas as principais emissoras de TV do Brasil. Somente isso deveria servir de estímulo aos nossos cronistas, para aproveitar o momento e valorizar o nosso pobre Campeonato Baiano e buscar novos investidores. Mas isso não acontece, fruto de um terrível complexo de inferioridade da imprensa baiana.

Complexo de inferioridade da imprensa baiana
Esse complexo de inferioridade acaba repercutindo em âmbito nacional. A imprensa baiana se resume a falar mal dos times locais. Talvez por isso, o único jogador revelado na Bahia a vestir a camisa da atual Seleção Brasileira, é Daniel Alves. E isso porque ele já jogava no Sevilha da Espanha. Sair de algum time baiano, direto pra Seleção Canarinho, acredito que o último tenha sido Bobô, em 1988…
Criticar as equipes é uma grandiosa burrice da nossa imprensa. Se os times não prestam, o campeonato também não irá prestar. Se isso ocorre, qual patrocinador irá querer investir seu dinheiro em propagandas nas transmissões dos jogos? Qual será a vantagem de associar a marca de uma grande empresa a um produto tão ruim? Será que ninguém percebe algo tão simples quanto isso? Nessa disputa entre o Campeonato Baiano e os cronistas esportivos da Bahia, o resultado é um HOR-RO-RO-SO zero-a-zero, como gosta de gritar o locutor da TV Itapoan. Todos perdem. Mas pelo menos, agora, podemos assistir aos jogos pela televisão. É só apertar a tecla “mute”do controle-remoto e tudo se resolve…

Por Erick da Silva Cerqueira

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2
Jan

Propaganda baiana – Page under construction

   Posted by: Erick Cerqueira    in Marketing

Ando meio decepcionado com o mundo da propaganda local. E o pior, justo agora que depois de 15 anos na área de criação, tomei coragem para enfrentar uma Faculdade e estou prestes a me forma em marketing. Não sou nenhum Marco Gavazza, com experiência e tempo de sobra pra se desiludir com a área (falarei disso mais a frente), mas é triste ver erros primários sendo cometidos por empresas gigantescas.

Uma das ferramentas mais importantes da propaganda atual é o site da empresa. Imaginemos que a empresa “X” resolve conhecer as empresas de propaganda de Salvador através da internet. Conhece a fama da PROPEG, vai lá e digita www.propeg.com.br (lógico). Resultado: página fora do ar desde o dia 30/12/09 até a manhã do dia 02/01/10. Ou seja, a Propeg virou o ano, fora do ar. Mas tudo bem. É só demitir o pobre do estagiário que não viu isso e pronto.

E segue a procura. Ouve falar da ENGENHO NOVO, que recentemente tomou uma coragem desmedida e fez propaganda de si mesma, algo extraordinariamente inusitado na Bahia, onde agência de propaganda não faz propaganda de si. O site da EngenhoInova, inovou. Fundo amarelo, marca nova e… SITE EM CONSTRUÇÃO. Como diria minha mãe, “o ano passou por cima deles, que dormiram no Réveillon”.

A AGÊNCIA ÚNICA foi outra grande decepção. Os consultores da Empresa “X”  encontraram o link da empresa em um site de buscas que a referenciava como “site inovador”, mas quando acessaram o site… Porém, apesar da famigerada “Página em Construção” encontrada no site da ÚNICA, eles tiveram o cuidado extra de comunicar os seus contatos de “e-mail e telefone” na sua Home Page Under Construction.

Aí, veio a pergunta. Porque será que as agências não deixam os sites antigos e só substituem pelos novos quando os novos estiverem prontos?

Depois dessas decepções nos sites, os consultores da empresa “X” lêem um artigo do Marco Gavazza com o título “O tempo passa, o tempo vôa“. Nesse artigo o publicitário nos mostra a triste realidade da propaganda baiana, que segundo ele, empacou nos clichês e nas fórmulas prontas de se fazer comercial definidas no século passado.  E se entristecem.

Decepcionados e quase desistindo da busca os consultores da “X” começam a encontrar empresas de propaganda que cuidam da sua imagem.

A IDÉIA3 dá um show em seu site. Rápido, bonito, limpo, bem distribuído e muito adequado ao conceito da campanha da empresa. Os olhos do consultor da “X” começam a brilhar de empolgação.

Procurando mais um pouco encontra a LEIAUTE. Um site com conceito interessante, brincando com as histórias infantis e mostrando aos personagens delas que a Leiaute oferece a solução para suas necessidades. Simples, genial e o site tem um “jeitão” de Blog…

Quase definido entre as duas últimas empresas, os consultores da “X” encontram o site da LINK Comunicação e Propaganda. Um site elegante, simples e direto, onde a agência procura mostrar seus últimos trabalhos na página inicial e salientar as grandes empresa à quem atendem.

Felizes e não mais decepcionados com a propaganda baiana, a empresa “X” convoca as donas dos três melhores sites para conversar e fechar negócio. Entre elas estará a vencedora da gigantesca conta de publicidade da multinacional “X”.

Obviamente as grandes multinacionis não definem assim as agências de publicidade que irão deter as contas. Mas o “cartão de visita virtual” de algumas empresas de publicidade de Salvador, precisa ser revisto. Ou então, ficaremos com o enorme sentimento de “casa de ferreiro, espeto de pau”, advindo de quem cuida da propaganda baiana. E se não sabem cuidar da imagem deles, como irão cuidar bem da imagem dos seus clientes?

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Sites pesquisados entre 30/12/09 e  02/01/10

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1
Jan

Finalmente, o fim…

   Posted by: Erick Cerqueira    in Humor

Acabaram-se as terríveis “festas de final de ano” que tanto odeio. Toda a falsa sensação de paz natalina, de compreensão entre os familiares, de amizade entre os colegas de trabalho, de viagens de final de ano, tudo chegou ao fim. É a melhor sensação de “final de festa” de cada ano, mas é uma pena que aparecem os efeitos colaterais. Os shoppings voltarão ao seu movimento normal, poucas dondocas nas lojas das alas nobres e muitos pobres nos corredores. Voltaram as moderações nas vendas, os descontos para queimar estoque, o desaquecimento da economia, milhares de jovens perdendo seus empregos temporários e milhões de brasileiros endividados por dez meses nos cartões de crédito ou nos carnês, etc.

É incompreensível como as pessoas não se atentam para o fato do Natal ser a festa máxima do Marketing, e não do cristianismo como querem os clérigos. O pobre do Jesus some cada vez mais da festa, dando espaço ao sujeito “tipicamente brasileiro” chamado de Papai-Noel (já falei que não acredito nele num texto anterior). Aquele velho gordo, com roupas de frio, num trenó puxado por renas, que coloca crianças no colo e promete presentes (que não entrega), e além de tudo isso, teve o seu designer idealizado para um comercial da Coca-Cola, é a imagem mais fiel do inferno que se transformou o Natal. Mulheres em estado de êxtase nos Shoppings, filas gigantescas pra comer, estacionar, comprar, entrar em lojas, ir ao banheiro, subir escadas rolantes. Maridos sentados (e emburrados) nas praças de alimentação esperando às suas “respectivas” terminarem as compras, superfaturamento do tender, do peru e chester, meninos gritando “EU QUERO, MÃÃINHÊÊÊÊÊÊÊ”, sinos, velas, bolas, árvores… Só as mamães-noéis dos shoppings salvam o mundo masculino nesse período que se arrasta até o dia 25/12 .

Mas quando tudo acaba, e nós temos a esperança da normalidade, volta tudo de novo, mudando apenas as cores de vermelho para o branco. O Réveillon.

A palavra Réveillon é derivada do verbo francês “réveiller”, que significa “despertar”. Porém, nesse final de ano assisti a uma cena chocante, mas comum nas vésperas de feriados, executada por pessoas que parecem não despertar do transe de estarem transformando uma passagem de dias comuns, em um evento extraordinário.

A fila da para pegar a lanchinha Salvador-Mar grande estava gigantesca às 15h. Não parecia haver a menor possibilidade de todos embarcarem, antes da meia-noite, mas a fila continuava crescendo. Tudo isso para passar o Réveillon nas praias da Ilha. Senti-me um velho por não concordar com tanto sacrifício para tão pouco benefício. Confesso que não entendo até agora tamanho sofrimento para ver as praias da Ilha de Itaparica, banhadas pelas mesmas águas da Baia de Todos os Santos que refrescam a Cidade Baixa de Salvador. Ou seja, passaram entre 4 e 5 horas numa fila, debaixo do sol da Bahia, viajaram mais uma hora (ou quase) de lanchinha e soltaram em Mar Grande, pegaram um ônibus (e outros até mais um barco) para depois de tudo isso, comemorar a passagem do ano em uma… Praia. Talvez se esse roteiro fosse feito por um paulistano ou um mineiro fosse mais compreensivo. Mas por um soteropolitano? Tenha paciência…

Porém, o importante é celebrar o final do ano velho e comemorar a chegada do ano novo. E com tantos desejos de muito dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender, tenho certeza que a crise econômica mundial e os problemas do SUS ficaram para trás. Ou no saco cheio do Papai Noel ou talvez na Ilha de Itaparica, presa na gigantesca fila de volta da lanchinha e do Ferry-boat. Agora é só esperar passar o carnaval para começarmos o ano de 2010 na Bahia. Êta terra festeira…

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