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21
jul

Será o fim do horário nobre?

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

Emissoras Lembro que na minha infância, quando as propagandas passavam durante as novelas das 6h e das 8h, eram sempre de grandes companhias e instituições. Hollywood, Free, Itaú, Ford, Vasp, Varig e, de vez em quando, uma propaganda do governo federal aqui e outra ali. Meus pais comentavam que o motivo era o “horário nobre”, um horário onde o grande público se concentrava em casa e parava para ver a TV, gerando picos de audiência. Isso, segundo os suplentes de marqueteiros que eu tinha em casa, justificava o alto preço do horário dos comerciais e, consequentemente, as grandes empresas que se apresentavam. Obviamente, fazia sentido. Coisa que só descobriria muito tempo depois. Mas, se pararmos para pensar, onde está o “horário nobre” hoje?Essa é a pergunta de um milhão de dólares para todo e qualquer analista de mercado. A TV perdeu, nos últimos 20 anos, seu status supremus de “última coca-cola do deserto” por diversos motivos.

1º) O surgimento de novas tecnologias da informação – O grande furo de reportagem aparece primeiro na internet para só depois alcançar a grande massa através das TVs. No episódio da morte de Michael Jackson, fiquei sabendo da informação por um SMS enviado pelo meu cunhado, solicitando confirmação do fato. Na mesma hora, no escritório, colocamos três notebooks conectados a portais de informação: Terra, Globo e LATimes. A confirmação chegou primeiro por um site de revista de fofoca americana. Apertávamos o F5 para atualizar as telas concomitantemente. Dentre a mensagem e a confirmação da morte não se passaram mais de 40 minutos.

Repetição e falta de criatividade2º) O público está mais exigente – As notícias, antes facilmente digeridas, hoje acabam passando por um crivo maior. A necessidade de confirmação das reportagens pelas novas tecnologias de informação é quase um direito de defesa do cidadão internauta. Michael morreu, mas só porque ficou confirmado em dezenas de sites, e não porque alguém me falou.

3º) Todos querem conforto e flexibilidade nos horários – Por que sair correndo para casa para ver o casal Bonner divulgando suas notícias mastigadas ao seu público (“carinhosamente” batizado de Homer Simpson por William), se podemos chegar bem mais tarde e assistir a tudo pela internet, com comentários dos internautas, fórum de discussões e análises críticas de diversos jornalistas sobre as notícias e outras formas de interação?

4º) O baixo nível das novelas – Não me refiro somente à toda poderosa Rede Globo, englobo todas. Todas as mulheres da minha família marcavam seus compromissos com quem quer que fosse somente depois da novela das oito. Perder um capítulo era ter a certeza de não saber o que dizer no dia seguinte na roda de amigas do salão de cabeleireiros. Hoje, essa mesma mulherada quase não acompanha às novelas. Talvez, por causa da repetição ou mesmo falta de criatividade dos autores e do público também. Lembro que durante a novela A Favorita o autor teve de mudar a novela e apresentar logo a vilã, pois o público estava deixando de ver a novela por causa da falta de um posicionamento mais direto dos personagens.

Senhores da programação5º) A segmentação dos mercados – Depois das análises do mercado, constatou-se que a propaganda em massa, apesar de eficiente em alguns casos, não consegue atingir públicos específicos de maneiras diferenciadas. Na era do Marketing 1a1, a propaganda televisiva vem cedendo espaço às mídias alternativas, às ações de marketing de guerrilha e principalmente ao merchandising (pontos de vendas).

6º) Mais ensino, menos novela – Com a proliferação das faculdades particulares, milhões de jovens e adultos passaram a trocar o conforto da poltrona por uma cadeira de estudante universitário noturno.

7º) O direcionamento do assunto – De que me importa se a chuva no Nepal acabou com a plantação de arroz ou ainda se um ursinho ficou preso no gelo no Alaska? Essas informações, apesar da minha comoção com os plantadores e com o pobre animal, não acrescentam nada à minha vida. Preferiria ver Nizan Guanaes e Washington Olivetto falando sobre as projeções de 2010 e 2011 para o mercado publicitário. A internet nos dá essa possibilidade de escolha de programação. Vamos atrás daquilo que realmente nos interessa e não ficamos passivos, hipodermicamente recebendo notícias. Somos muito mais que a mão no controle remoto; somos os senhores da programação, quase o editor-chefe da redação. Selecionamos o que nos interessa e não perdemos tempo com o pobre urso.

Quem faz o horário somos nós

Todos esses tópicos serviram apenas para mostrar que o horário nobre, apesar de sustentado por muitos especialistas, simplesmente morreu (ou anda agonizando). Hoje, para o terror dos analistas de mercado, quem faz o horário nobre é o próprio público. Conheço pessoas que não sabem nada sobre as TVs fechadas e têm pavor da TV aberta. Uma professora confessou-me que não tem televisor em casa, pois enxerga a programação televisiva como um aparelho de manipulação. Esse grande ditador de verdades com antenas, apesar dos esforços em se renovar, parece perder cada vez mais espaço. Não vai acabar, obviamente, mas perderá ainda mais a sua importância ao longo dos anos.

O horário nobre, caros amigos, quem faz somos nós. Onde você lê suas notícias? O que você procura para se distrair? E, o principal, qual o seu horário disponível para a televisão?

Atentemo-nos, senhoras e senhores, para essa informação. Horário nobre, agora, é algo quase particular. Cada um tem o seu. O meu, informo a grande mídia que queira me encontrar preso em frente à TV, está localizado entre 22:30h e 2 horas da manhã. E o seu?

Por Erick Cerqueira

 

Extraído do Observatório da Imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=547TVQ002

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7
jul

É grande demais pra mim…

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

Minha irmã minimalista

Minha irmã minimalista

As férias são ótimas oportunidades de não fazer nada, preferencialmente, acompanhado. Certo dia na casa dos meus pais, passei  a prestar atenção nas conversas de minha irmã adolescente com suas amigas. Confesso que ri muito. Altas histórias de festas, churrascos, namorados, “ficantes”, “peguetes”, orkuts, MSNs, enfim. Coisas de adolescentes femininas, um terreno extremamente escorrgadio e complicado de se tentar entender. Ao final de tantas aventuras arrisquei a fazer algumas perguntas. Quantos sites, além do Orkut, vocês costumam acessar diariamente? Para minha triste dedução, a resposta foi: quase nenhum outro. As vezes acessam o Terra, por causa do Chat. Usam o Google para fazer pesquisas de trabalhos da escola e só se lembravam de dois blogs, de amigos delas, que costumavam acessar, muito de vez enquanto. Nunca ouviram falar de Twitter e para minha maior tristeza, minha irmã nunca havia acessado meu Blog (nada que duas ou três sessões de terapia não me ajudem).

Pensei comigo, o mundo está perdido. É esse o futuro da Nação? Depois, rapidamente, lembrei que meu pai falou a mesma coisa quando me ouviu, na adolescência, cantando Bob Marley e desejando ser um mestre de capoeira. As gerações, mudam. Conflito de gerações à parte, continuei o questionamento. UOL, IG, Globo.com, Observatório da Imprensa, A Tarde OnLine, Folha (argh), Veja (argh de novo), nada. Nenhum desses portais mereceram o acesso das nossas internautas. Só dava Orkut e MSN, no máximo um Youtube, de vez em quando.

Lembrei de meu pai, quando viu o Oxente Jornal e leu um dos meus artigos: “os  textos são muito grandes”, disse ele. Mas só o fato de fazê-lo ler, já me encheu de orgulho. Meu pai se formou em letras sem nunca ter um livro. Coisas de Ruy Cerqueira. Aí encontrei o “X”. Meu pai, que faz parte da geração “Flower-Power”, com suas “bocas-de-sino” e costeletas à la Wolverine, decifrou com sua frase de 3 anos atrás, o problema da nova geração. É grande demais pra mim.

A geração minimalista
A nova geração, à qual tomei mais conhecimento nas minhas férias, é exatamente a geração minimalista. Onde Portais de informações foram trocados Blogs e hoje os Blogs estão sendo miniaturizados no Twitter. Minha irmã e seus pares, conseguiram reduzir os milhões de sites da net, em três ou quatro. De olho  nesse público extremamente minimalista surgiram os MP10. É apesar do nome correto não ser esse, é o apelido dados aos BlackBerries. O MP10 é uma variação do MP3 (que originalmente é um formato compactação de áudio) e o MP4 (formato compactação de áudio e vídeo). O MP10 faz de um tudo. Filma e fotografa ao mesmo tempo, tem bluetooth, player de áudio e vídeo, lava, passa, cozinha e se duvidar, aidna deita na cama. Lembro quando ser chique era ter 3 em 1. Hoje tem um milhão de funções em pequenos aparelhos.

Todos se encontram no mesmo lugar, Orkut. Lá elas exibem suas novas fotos de poses iguais em frente ao espelho, enquanto os homens colocam seus músculos de fora. Trocam comentários diários sobre as fotos dos amigos, leem os comentários das coelgas-rivais, criticam umas as outras e saem sorridentes do computador.

Meu espírito de “marqueteiro” conseguiu extrair disso algo terrível. Nós estamos errados. As comunidades do Orkut não mais representam uma fonte segura de segmentação. A maioria dos jovens prefere olhar os “Profiles” (perfís) dos amigos que entrar em comunidades. Esses dados, obviamente, são tirados de uma pesquisa minimalista (a palavra do dia) feita em casa com um grupo de pouquíssimas adolescente. Mas tirando o mercado por mim, outro erro terrível para um profissional da minha área, não costumo visitar mais minhas comunidades como antes e há muito tempo não entro em novas. O tempo é muito curto para as futilidades da net.

De olho nisso o Correio da Bahia, mudou a sua roupagem. Na verdade o Correio (que tirou do nome o “da Bahia”) virou um Twitter impresso. Notícias “en passant”, quase um “lead”. Ficou mais bonito, mas com um conteúdo muito “ralo”. Não que gostasse da outra versão, pelo contrário. Se é pra ninguém ler mesmo, que seja então com umas fotinhas coloridas…

Aos guerreiros que chegaram até aqui

Parabéns. Se você conseguiu ler todo esse texto, no mínimo deixou o trabalho de lado, está de férias, ou tem mais de 30 anos e por isso é acostumado a ler muito texto em um só artigo. Eu, legítimo representante da geração Coca-Cola, filho da geração Flower-Power, irmão das gerações “cara-pintada” e “internet”, tive o orgulho de vos apresentar a geração minimalista. Essa fantástica geração que escreve “xau”, “vc”, “tc”, “nawm”, “bj”, não vive um minuto sem celular, nem um dia sem axé, sem pagode, sem arrocha e conseguiu o incrível feito de compactar a internet em 3 sites. Ponto para a Google Inc. que detem todos os sites visitados por essa geração (Youtube, Orkut e o próprio Google).
bj, e xau pra todos vcs.

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