Posts Tagged ‘brasil’

13
fev

TV Senado em ritmo de Carnaval

   Posted by: Erick Cerqueira    in Política

Fotógrafo: José Cruz - Agência Senado

Senado Federal - cheio de desencarnados

Manhã de uma sexta-feira de carnaval e assim como todo bom baiano, assistia entediado a folia pelas manchetes da televisão. De repente, numa “zapeada” deparo-me com uma outra figura momesca. Era o senado Mão Santa(PSC-PI),presidindo uma sessão do Senado Federal, em pleno carnaval. Quase emocionado, parei para assistir aquela inusitada cena.

Com imagens muito fechadas, os hábeis editores da TV Senado tentavam esconder a realidade de uma sessão plenária com 05 nobres senadores, os quais faço questão de nomear: Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR), Pedro Simon (PMDB-RS), Adelmir Santana (DEM-DF), Marina Silva (PV-AC) e o próprio 2º Secretário Mão Santa. Como num acordo de cavalheiros, os ilustres senadores do PT e do PSDB sumiram para não comentar o “mensalão brasiliense” e a tentativa de suborno que levou a prisão o Governador do Distrito Federal. Afinal, mensalão trocado não dói. Coube ao senador Mão Santa o papel de chamar ao púlpito a única senadora presente ao local. Porém, antes de chamá-la ao microfone da casa, rasgou elogios à postura ética, profissional e ao passado da futura candidata à Presidência da República, auxiliado nessa missão pelo peemedebista Pedro Simon. Porém, antes de falar sobre esse maravilhoso discurso proferido pela Candidata Verde, uma historinha. Lembrei que no Centro Espírita, onde frequentei, quando havia pouquíssimas pessoas presentes os trabalhos aconteciam da mesma forma. Afinal, nas cadeiras vazias estavam vários “desencarnados” precisando de ajuda, também. Pensei: será que aqueles pouquíssimos senadores estavam ali no palanque pensando nos 04 senadores presentes e nos “desencarnados brasilienses” ou aquilo era o reflexo da força da TV Senado, que leva a mensagem de Brasília para todo país? De qualquer forma, fico feliz. Ou pela religiosidade dos senadores ou pela força da imprensa ali presente. Mas, voltemos à Marina.

A nobre senadora empolgou a todos com seu discurso. Anunciada pelo presidente da sessão com a frase de São Francisco de Assis, “onde há desespero que você traga a esperança”, falou do desinteresse dos senadores ausentes pelo gravíssimo fato acontecido na noite anterior. A prisão do primeiro Governador em atividade desde a ditadura militar. Afirmou estar feliz pela prisão, mas triste pelo colega Arruda, pois imaginava o sofrimento dele na cadeia (coitadinho). Disse que havia se emocionado quando há 10 anos, o mesmo Arruda, então senador, assumiu ter fraudado a segurança do Painel do Senado. O intuito era atender a um pedido de um folclórico ex-senador baiano (melhor não citar o nome), que desejava chantagear seus adversários políticos com as informações de “quem votou o que” na cassação do mandato do ex-senador Luiz Estevão. Mas aquele delito não deu certo e tanto Arruda quanto o senador baiano pediram licenças dos seus cargos para não serem cassados, lembram?

Marina falou ainda que desejava a justiça e não uma vingança. Brilhantemente disse que ninguém deve se vangloriar de ser ético, pois isso é uma obrigação do ser humano (principalmente político) e não uma qualidade a mais. Citou suas conquistas e suas vitórias como ministra, inclusive às vitórias conquistadas após a sua saída da pasta. Elogiou FHC e Lula, mas deixou escapar uma ponta de mágoa contra o atual presidente. Lembrou Mandela, citou Chico Mendes, falou sobre a educação, programas sociais, enfim. Foi um fantástico discurso da senadora que mereceu os aplausos das 5 testemunhas presentes ao local e cm certeza, das outras pouquíssimas pessoas que à assistiam em suas casas via TV.

Pedro Simon subiu ao púlpito depois de uma fala empolgada do Senador Mão Santa que historiava desde Ruy Barbosa até Marina Silva, à qual denominou de “luz ante as trevas”. O senador gaúcho, emocionado ante o discurso que ouvira, falou com pausas longas, como quem deseja impor um tom mais denso às suas palavras. Pediu que os seus assessores encaminhassem por email, a convocação para que todos os assinantes do seu newsletter assistissem pela noite, a reprise daquele profético (sic) depoimento da senadora acreana. Vociferou contra seu partido, o MDB (ele ainda vive sem “P”), que não teve coragem de lançar candidato próprio para presidente e viveu de favores nos últimos 16 anos, se aliando aos governos de FHC e Lula. Santificou as palavras de Marina, afirmou ter rezado por Arruda e estar triste por ele. Porém, disse ter consciência que aquela prisão foi necessária e era importante para a Democracia. Saiu da bancada afirmando que se a candidata do PV tiver uns 4 minutos no programa eleitoral gratuito e repetir discursos com aquela magnitude, teremos uma terceira força na disputa política presidencial esse ano.

Confesso que ganhei meu carnaval. Já podia me alienar tranquilamente ouvindo os “lelelês” do Chiclete com Banana, os “thê thê thês” da Timbalada e ir “na base do beijo” com Ivete Sangalo. Tínhamos senadores trabalhando em plena folia de Momo, Marina Silva representava a nova luz no fim do túnel da ética política brasileira, Mão Santa se mostrara um grande historiador, Simon admitia que o seu partido (MDB) estava entregue a uma “legião estrangeira” e Arruda estava preso com pedido de Habeas Corpus negado pelo ministro do STF, Marco Aurélio de Mello. No fim do dia o Presidente da República comemorou a não-extinção das pererecas e fez-se o carnaval na platéia. Enquanto isso, na Bahia o Rebolation já vai começar e resta-me apenas, encerrar franciscanamente pedindo: Oh Mestre, fazei com que eu procure mais, compreender que ser compreendido, porque em termos de política brasileira, perdoar para ser perdoado, está cada vez mais difícil.

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18
jan

Da ajuda humanitária ao marketing social

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

O ano de 2010 começou com grandes catástrofes provocadas pela natureza. Enchentes em São Paulo, deslizamento de terra em Angra dos Reis e um terremoto terrível no Haiti. Nos noticiários assistíamos à dor das pessoas que perderam casas, bens materiais e principalmente amigos e familiares. A dor foi o grande furo de reportagem desse início de ano. Nos jornais impressos, na TV, nos sites e blogs e até mesmo nas “correntes de e-mails” o assunto era sempre o mesmo. O sofrimento foi a grande manchete e a cobertura jornalística das TVs brasileiras deu um verdadeiro show de reportagem. Até que uma figura que andava quase esquecida deu o ar de sua graça e mexeu com a internet brasileira.
Nunca fui fã da Sandy e sempre a vi como uma menina mimada, filhinha de papai artista e que foi alçada ao show biz meramente por causa do sobrenome. Mas aquela mocinha eternamente com carinha de boa moça, jogou uma bomba na internet brasileira. Através do Twitter opinou que as pessoas estão se preocupando mais com as vítimas do Haiti do que com as vítimas da chuva no Brasil. Pela primeira vez ela entrava em uma polêmica que não se referia a sua virgindade. Opinava e o fazia de forma corajosa, questionando a ajuda de brasileiros famosos aos haitianos, sobre o porquê deles não ajudarem as vítimas dos alagamentos brasileiros. Obviamente quem leu aquilo a acusou de ser desumana ante a gigantesca tragédia haitiana, mas será que ela não estava certa?

As câmeras impávidas da imprensa
Assim como milhões de brasileiros, acompanhei, chocado, a cena, quase reality show, da repórter da Rede Globo, que estava na hora certa onde um soldado brasileiro acabara de achar uma vítima nos escombros depois de mais de 40 horas. Emocionei-me com aquela professora grávida que fora resgatada por um brasileiro da Força de Paz da ONU e iria atribuir ao seu filho, o nome do seu salvador. Pensei em quantas vidas aqueles brasileiros a serviço da ONU haviam salvado naquele país paupérrimo e destroçado por guerras civis. Pensei em Zilda Arns, uma mulher que morreu como viveu. Ajudando os que mais necessitavam de ajuda. Uma morte digna da vida que levou. Pensei em Zilda e em Sandy. Quanta diferença. Mas julgar a jovem cantora seria uma grande maldade.

Sandy não tem culpa de ver o mundo sem culpa. A tragédia da América Central deve, sim, mobilizar o mundo inteiro. Afinal, um país tão devastado e pobre jamais terá condição de se recuperar sem a ajuda internacional. Mas Sandy tem razão em um ponto. Ajudar o Haiti é um ato solene, mas ajudar as vítimas brasileiras também o seria. Por que será que a solidariedade de personalidades como Gisele Bündschen não se estende pelo resto do ano, ajudando vítimas de tragédias e, principalmente, milhões de miseráveis brasileiros? Seria “bom” para a bela imagem da musa, a imprensa ganharia uma grande reportagem por mês e vários brasileiros agradeceriam por ter as três refeições diárias, tão sonhadas pelo homme de l´année e “filho do Brasil”, Luiz Inácio da Silva.

Mas ajudar muitas vezes não rende capas de Caras ou reportagens do Jornal Nacional. A tragédia e a miséria são deleites para a imprensa e celebridades. Gugu, Faustão, Datena, Luciano Huck e tantos outros exploram a miséria diária. Jornais e celebridades usam as grandes tragédias como meio de alcançar picos de audiência e promoverem suas imagens. A desgraça externa comove mais que as internas. As vítimas haitianas aparecem gritando e pedindo por ajuda em frente às câmeras impávidas da imprensa internacional. Enquanto nós, espectadores, sabemos cada vez mais sobre números de mortos e de sobreviventes inesperados, para podermos conversar sobre o assunto com os amigos no dia seguinte e nos solidarizarmos com as dores das famílias.

Não há fronteiras
A morte na TV não tem conseqüências. São apenas fatos e números crescentes, sem muita importância… Talvez por isso a morte em grandes tragédias seja tão noticiada pela grande imprensa e tão consumida pelos espectadores. As catástrofes são momentos únicos para grandes furos de reportagem e locais onde personalidades aparecem para ajudar, num triste e necessário ato de marketing social de alguns.

Sandy está certa: por que não olhar para “nossos” grandes problemas antes de olhar para os grandes problemas dos “outros”? A resposta é simples: a bondade desinteressada e a ajuda humanitária deram lugar ao posicionamento de mercado. Mais vale uma ajuda internacional no currículo do que um auxílio diário aos milhões de miseráveis brasileiros que sofrem constantemente com fome, frio e sede.

E Sandy está errada: não há fronteiras no século 21 e o sofrimento de lá não é diferente do daqui. A ajuda deve vir de todos os lugares e o Brasil tem de fazer a sua parte também. Zilda Arns sabia disso e por isso milhares de bandeiras brasileiras foram hasteadas a meio-pau.

  ”em memória de Zilda Arns”

Por Erick da Silva Cerqueira
Publicado no Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=573FDS004

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28
dez

Pede pra sair 09!

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

Mensalão - A Revanche

Mensalão - A Revanche

Dois mil e nove se encerra e deixa no ar a gigantesca sensação de “dias melhores virão”. O ano foi marcado por perdas irrecuperáveis. Perdemos o resto de confiança nos políticos com os novos Blockbusters brasilienses: “Mensalão – A revanche”, “Dinheiro na cueca 2 -  A missão”, e “Político em família” (estrelando José Sarney) .

Perdemos a credibilidade na justiça, com casos absurdos de juízes envolvidos em tráfico de drogas, corrupção ativa, venda de habeas corpus, etc.

Perdemos o controle da situação vendo um helicóptero da PM carioca sendo abatido pelos traficantes, numa cena típica de filmes de Rambo ou das guerra no Afeganistão e no Iraque.

Perdemos tempo, vendo fotos e recados no Orkut.

Perdemos a TV como grande referencial de noticias, vendo o passarinho azul do Twitter salvar o ‘mundo das manchetes’ com informações direto do inacessível front norte-coreano.

Perdemos Michael Jackson, em Dallas; John Hughes, em Nova Iorque; Claude Lévi-Strauss, em Paris; Patrick Swayze, em Los Angeles; Leila Lopes, no Rio de Janeiro; Dona Dedé e Val, na Bahia…

 

Boas notícias

glo-recMas apesar de tantas perdas, ainda assim, temos muito a comemorar sobre esse ano velho. A imprensa se abriu para os não-diplomados. Os blogs (alguns) se consolidaram como fontes confiáveis de informações.

A imprensa, mais do que o povo brasileiro, ganhou a Copa e as Olimpíadas do Brasil, gerando assim a possibilidade de aquisição de novos anunciantes, novas contratações, novas parcerias, novos (e muitos) capitais estrangeiros, além do investimento em novas tecnologias para dar ‘um show de cobertura’, citando o empolgado Galvão Bueno.

A imprensa ganhou ainda novos aliados, como os sites de fofoca internacionais que disputaram, e compartilharam, as primeiras informações da morte em realtime, num thriller de notícias impressionante, minuto-a-minuto, para informar aos milhões de apaixonados pelo astro Michael Jackson, quem é o número um do paparazzi internacional.

A Globo revelou as “entranhas” da Record e vice-versa, ganhando assim, nós espectadores, a “humanização” desses meios de comunicação, sem a antiga aura divina das suas informações. A Rede Record lança o R7 copiando o G1 da Rede Globo, em sua globalização espiritual. A Globo faz uma série de reportagens para exaltar os evangélicos, buscando ampliar o seu Market Share nesse nicho. A Record vibra com suas novas contratações e Gugu é o grande nome entre elas. Enquanto isso Sílvio Santos chora a grande perda de Lombardi e “A Voz do SBT” ganhou rosto para o resto do Brasil.

 

Allez Lula

lula_positivo2-204x300Lula é eleito homem do ano pelo Le Monde, possui 72 de aprovação da população (segundo o Datafolha), Dilma sobe para 26% das intenções de voto parar 2010 (Datafolha) e a Oposição tenta usar o “apagão” como uma tragédia nacional para barrar a enxurrada de “boas novas petistas”. A crise passou, mas deixou como triste consequência o fim da sequência do crescimento sustentável do nosso país, além de milhares de desempregados afogados na “marolinha” brasileira.

É, pede pra sair 09, pois, definitivamente, você não foi um bom ano. Mas infelizmente ficara para sempre marcado na história do Brasil, com o ano que bem ou mal, tiveram que falar da gente…

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