Posts Tagged ‘globo’

28
dez

Pede pra sair 09!

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

Mensalão - A Revanche

Mensalão - A Revanche

Dois mil e nove se encerra e deixa no ar a gigantesca sensação de “dias melhores virão”. O ano foi marcado por perdas irrecuperáveis. Perdemos o resto de confiança nos políticos com os novos Blockbusters brasilienses: “Mensalão – A revanche”, “Dinheiro na cueca 2 -  A missão”, e “Político em família” (estrelando José Sarney) .

Perdemos a credibilidade na justiça, com casos absurdos de juízes envolvidos em tráfico de drogas, corrupção ativa, venda de habeas corpus, etc.

Perdemos o controle da situação vendo um helicóptero da PM carioca sendo abatido pelos traficantes, numa cena típica de filmes de Rambo ou das guerra no Afeganistão e no Iraque.

Perdemos tempo, vendo fotos e recados no Orkut.

Perdemos a TV como grande referencial de noticias, vendo o passarinho azul do Twitter salvar o ‘mundo das manchetes’ com informações direto do inacessível front norte-coreano.

Perdemos Michael Jackson, em Dallas; John Hughes, em Nova Iorque; Claude Lévi-Strauss, em Paris; Patrick Swayze, em Los Angeles; Leila Lopes, no Rio de Janeiro; Dona Dedé e Val, na Bahia…

 

Boas notícias

glo-recMas apesar de tantas perdas, ainda assim, temos muito a comemorar sobre esse ano velho. A imprensa se abriu para os não-diplomados. Os blogs (alguns) se consolidaram como fontes confiáveis de informações.

A imprensa, mais do que o povo brasileiro, ganhou a Copa e as Olimpíadas do Brasil, gerando assim a possibilidade de aquisição de novos anunciantes, novas contratações, novas parcerias, novos (e muitos) capitais estrangeiros, além do investimento em novas tecnologias para dar ‘um show de cobertura’, citando o empolgado Galvão Bueno.

A imprensa ganhou ainda novos aliados, como os sites de fofoca internacionais que disputaram, e compartilharam, as primeiras informações da morte em realtime, num thriller de notícias impressionante, minuto-a-minuto, para informar aos milhões de apaixonados pelo astro Michael Jackson, quem é o número um do paparazzi internacional.

A Globo revelou as “entranhas” da Record e vice-versa, ganhando assim, nós espectadores, a “humanização” desses meios de comunicação, sem a antiga aura divina das suas informações. A Rede Record lança o R7 copiando o G1 da Rede Globo, em sua globalização espiritual. A Globo faz uma série de reportagens para exaltar os evangélicos, buscando ampliar o seu Market Share nesse nicho. A Record vibra com suas novas contratações e Gugu é o grande nome entre elas. Enquanto isso Sílvio Santos chora a grande perda de Lombardi e “A Voz do SBT” ganhou rosto para o resto do Brasil.

 

Allez Lula

lula_positivo2-204x300Lula é eleito homem do ano pelo Le Monde, possui 72 de aprovação da população (segundo o Datafolha), Dilma sobe para 26% das intenções de voto parar 2010 (Datafolha) e a Oposição tenta usar o “apagão” como uma tragédia nacional para barrar a enxurrada de “boas novas petistas”. A crise passou, mas deixou como triste consequência o fim da sequência do crescimento sustentável do nosso país, além de milhares de desempregados afogados na “marolinha” brasileira.

É, pede pra sair 09, pois, definitivamente, você não foi um bom ano. Mas infelizmente ficara para sempre marcado na história do Brasil, com o ano que bem ou mal, tiveram que falar da gente…

Tags: , , , , , , , , , ,

16
ago

Entre o céu e o inferno: a audiência!

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

glo-rec

Em 1977, nascia em uma funerária um dos maiores impérios do mundo moderno. Era o embrião de um projeto de evangelização que com o tempo se transformaria em uma grandiosa instituição religiosa presente em mais de 170 países: a Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo.A instituição baseou seu crescimento pelo país através da propagação da Teologia da Prosperidade. Segundo essa doutrina, surgida nas primeiras décadas do século 20 nos Estados Unidos, “aqueles que são verdadeiramente fiéis a Deus devem desfrutar de uma excelente situação na área financeira, na saúde etc.”.

A IURD passou a utilizar-se dos meios de comunicação para difundir a Sua Palavra (ou a de Deus, como queiram), através de jornais e da compra de pequenas emissoras de rádios AM e comunitárias pelo Brasil. Com o sucesso do empreendimento, a Igreja do pastor Edir Macedo passou a investir também na área televisiva, adquirindo a quase falida TV Record e diversas retransmissoras. Inicialmente, o projeto era utilizar uma emissora nacional para divulgar os seus programas evangelizadores e os “produtos” da igreja: Manto sagrado do Senhor, Banho do descarrego, Trono da prosperidade e até Terra do Monte Sinai eram comercializados abertamente nos horários mais diversos da emissora. Até que uma retransmissora da Record de Salvador, a TV Itapoan, chamou a atenção do bispo-empresário. Homem de visão, Macedo levou para a Record nacional o diretor da TV baiana para assumir a presidência da Rede Record. Golpe de mestre.

Formação de quadrilha e lavagem de dinheiroAlexandre Raposo, homem de confiança do bispo, assume a Rede Record e em pouco tempo as mudanças começam a dar frutos. Enfrentou “medalhões” como Adriane Galisteu e Claudete Troiano, afastou-os da Record, contra a vontade de muitos, e deu certo. Mudou o jornalismo, passou a copiar a líder de audiência, a Globo, em quase tudo e tirou de quase toda a grade da programação os programas evangélico-varejistas que dominavam a emissora. Assim, a emissora do bispo passou a ser vista como uma opção comercial e com programas de nível semelhante aos de sua grande concorrente. Contratou muitos profissionais da Globo e do SBT, criou cópia de programas da líder e finalmente tornou-se uma opção aos refugiados do plim-plim.

A grande Rede Globo só sentiu o peso da crescente concorrente muito tarde. Passou a criar programas onde tentava desmoralizar os evangélicos, como a minissérie Decadência, de 1995. Exibiu no Jornal Nacional imagens de Edir Macedo e seus pares falando abertamente sobre extorsão do dinheiro dos fiéis e esbanjando os dízimos em passeios de lanchas. Quando da prisão do oponente, passou a fazer verdadeira campanha de degradação da imagem do pastor, imagem essa que sempre foi abalada, é verdade. Polemizou os chutes do pastor Sérgio Von Helder a uma estátua de gesso de Nossa Senhora de Aparecida em pleno Jornal Nacional e muito mais.

Recentemente, a pedido do Ministério Público de São Paulo, a Justiça abriu ação criminal contra Edir Macedo e outros nove integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus sob a acusação de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. O caso foi amplamente difundido em todos os jornais da emissora global. Aí começou o pecado da católica Rede Globo de Televisão.

“Inocência” da justiçaPela primeira vez desde 1964, ano de fundação da Globo (e, coincidentemente, ano do golpe militar no Brasil) a toda poderosa líder de audiência pode sair enfraquecida de uma batalha. O Repórter Record, apresentado pelo ex-global Celso Freitas, preparou uma excelente resposta aos ataques da concorrente. Expôs várias acusações à “toda poderosa”, escrutinou os caminhos mais obscuros traçados por ela e desafiou de forma explícita a rival. Apresentou denúncias concretas de “apropriamento indevido” de áreas públicas, ilicitudes no ato de compra da emissora por parte do sr. Roberto Marinho, documentos fraudados de formas grotescas, além de exibir trechos do polêmico (e proibido) documentário da BBC Behind Citizen Kane (Muito além do Cidadão Kane).

Nem a vida particular do promotor que abriu o inquérito contra a Record foi poupada. Afinal, coincidentemente, a juíza que receberia o caso, licenciou-se do trabalho para não recebê-lo por ter sido namorada do citado promotor.

Porém, podemos analisar os fatos por outro ângulo. Alguém, em sã consciência, tem dúvidas que a compra da Rede Record foi feita através do investimento dos dízimos dos fiéis da IURD? Se isso realmente ocorreu, não seria uma “inocência” da justiça brasileira, tratar instituições religiosas como “filantrópicas” e, assim sendo, isentá-las da cobrança de impostos? E, citando o próprio Edir Macedo, como um problema que envolve a Rede Record e a IURD, ambas em âmbito nacional, pode ser representado em um fórum estadual?

Na Terra-do-Nunca chamada BrasilAs respostas são simples. Vivemos num país de “faz-de-conta”. Fazemos de conta que a Globo não tem interesses em derrubar o avanço da Rede Record no Ibope. Fazemos de conta que a Record é uma nova TV e não uma cópia cada vez mais parecida com a Globo. Fazemos de conta que as igrejas, de todas as vertentes, não utilizam os dízimos para outros fins senão a “propagação da obra de Deus na Terra”. Acreditamos em uma possível prisão de Edir Macedo, que foi preso e solto anteriormente e usou isso para vender milhões de livros e ganhar ainda mais dinheiro para a “Opus Dei” dele. Temos plena confiança na intenção de informar de forma imparcial do jornalismo das duas grandes emissoras do nosso país. E cremos na honestidade do presidente do Senado e do Papai Noel, os dois bons velhinhos que farão sucesso nesse final de ano.

Nessa Terra-do-Nunca chamada Brasil, parece que preferimos não crescer mesmo. Somos pastoreados por pastores evangélicos, padres, pais e mães de santo, jornalistas (com ou sem diploma), ministros do Superior Tribunal e promotores vendidos à grande mídia. A verdade sofre o peso da falta de pauta para si e a “roupa suja” vem sendo lavada em público para alcançar picos de audiência, como no Balanço Geral da Record. Enquanto isso, o Esporte Espetacular (Globo) briga com o Esporte Fantástico (Record) e o Fantástico (Globo), com o Domingo Espetacular (Record). Mas não se preocupem: qualquer semelhança é mera coincidência.

Observatório da imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?msg=ok&cod=551JDB004&#c

Tags: , , , , , , , , , ,

27
jul

O quarto poder e a politicagem

   Posted by: Erick Cerqueira    in Política

politicagemNão há como falar em política na Bahia sem citar o nome de Antônio Carlos Magalhães. Depois de ser prefeito de Salvador e governador da Bahia apoiado pela ditadura militar, tornou-se ministro das Comunicações do governo José Sarney, a partir de 1985.

Dois anos depois, com o apoio de Roberto Marinho devido às concessões feitas pelo ministro, consegue o direito de retransmissão da Rede Globo para a Bahia, através do seu recém-criado canal, a TV Bahia, à época, retransmissora da Rede Manchete. A Rede Globo era transmitida para o estado pela TV Aratu desde 1969 e em apenas dois anos no ministério o político baiano conseguiu a concessão.

Não há como falar em política no Maranhão sem citar o nome de José Sarney. Depois de ser governador do estado do Maranhão apoiado pela ditadura militar, tornou-se presidente da República ao assumir o cargo depois da morte de Tancredo Neves, a partir de 1985.

Dois anos depois, com o apoio de Roberto Marinho devido às concessões feitas pelo então presidente, consegue o direito de retransmissão da Rede Globo para o Maranhão, através do seu recém-criado canal, a TV Mirante, à época retransmissora do SBT.

Duas biografias coincidentemente parecidas que têm em comum um fato gravíssimo. O uso da imprensa e o abuso do poder para conseguir a transmissão da emissora líder de mercado em todo o país, com o intuito de conseguir força política e apresentar ao povo, ainda desprovido de outros meios de comunicação mais eficientes para alcançar as notícias, as verdades criadas e a opinião pública pré-fabricada ao público.

Imprensa e política

Mas por que motivo tive que voltar ao passado e falar sobre o finado político baiano? Simplesmente para lembrar a todos a força da imprensa e o seu papel fundamental na construção de cidadãos ou, simplesmente, de eleitores de cabresto eletrônico.

Vejo na grande mídia, agora, as acusações de nepotismo, abuso de poder, uso de laranjas, manipulação e negociatas utilizadas pelo senhor presidente do Senado. Sinto o clamor público em relação à sua saída da cadeira de presidente. Assisto na TV Senado aos nobres deputados, antes beneficiados por Ele (o Deus do Maranhão), agora o apedrejando e crucificando-o. Mas porque será que isso só veio acontecer agora? Será que a grande mídia nunca soube de nada disso? Será que nunca compararam as trajetórias do ex-ministro das comunicações com a biografia “ilibada” do atual presidente do Senado? Ou simplesmente, “não era o momento” de se fazer essa análise mais detalhada sobre a vida do senador Sarney?

A resposta é simples. A imprensa está intrínseca na política e vice-versa. Não há um sem o outro. A TV Senado é o grande festival, uma espécie de pororoca onde o rio encontra o mar. A política se choca com a mídia e saem as duas a devastar tudo que aparece pela frente. Todos fazem questão de comparecer às CPIs e às plenárias que serão transmitidas para todo o Brasil por uma TV que é assistida, apenas, por quem se interessa por política ou alguém que leu algo interessante sobre esse canal da sua revista preferida.

Veja ou CartaCapital?

Contudo, o que determina o que é uma boa leitura ou uma má leitura?

O que define hoje se a Veja é a melhor revista do país ou se a CartaCapital é quem merece esse título não é a sua linha editorial, e sim, a orientação política de quem as lê.

Quem apóia o atual governo, lê CartaCapital, quem é contra, vê a Veja. A semiótica política nas entrelinhas das duas grandes revistas chega a ser vergonhosa em alguns casos, como no apoio deslavado da Veja à campanha de Alckmin nos outdoors da revista. A peça publicitária continha a foto do candidato tucano à Presidência da República e o título, “O desafiante”. Obviamente o TSE interferiu e proibiu as peças, pois a propaganda eleitoral era muito evidente.

Já a CartaCapital, uma explícita revista de esquerda (se é que isso ainda existe no país) serve de contrapeso aos “abusos direitistas” da revista anterior. O pior de tudo é o cinismo das duas em querer ser imparciais. Talvez até enganem a grande massa, mas que a logo da Carta é uma estrela vermelha e a da Veja é um tucano azul e a amarelo, ninguém tem dúvidas.

O caso Sarney

A campanha contra José Sarney, chegando agora com mais de 20 anos de atraso, é somente mais uma jogada política em época de eleição. Afinal, 2010 vem aí. Mas quem não sabe disso? A oposição, completamente perdida em suas estratégias, não sabia o que fazer. Vejamos:

** Como atacar publicamente o presidente da República se o mesmo goza no momento de uma altíssima taxa de aprovação? Falar mal de Lula pegaria mal.

** Atacar o Bolsa Família? Também não. Eles perderam a eleição passada com essa estratégia e agora querem assumir a “paternidade” do projeto.

** Chamar a candidata dele de guerrilheira e ex-presidiária? A Folha fez, mas não deu resultado.

** CPI da Petrobras? O governo ficou com as peças chaves da Comissão e ainda jogou o peso político de uma intenção de privatização da estatal, nas costas dos tucanos e democratas.

** Então que fazer? Simples, usemos a mídia para atacar o principal aliado do atual governo. O PMDB e um dos seus representantes mais emblemáticos, José Sarney. Simples, não? Mas não podemos parar por aí. Vamos usar a Veja para espalhar o boato de um terceiro mandato de Lula para tentar “endemonizar” a figura do presidente, comparando-o a Chávez, Evo Morales, Fidel Castro e até Hitler. Isso aconteceu em abril deste ano.

Já na Veja desta semana (última de julho), aparece uma cobra engolindo o Palácio do Planalto com o inteligente título “PMDB, da demagogia ao fisiologismo”. O maior partido político do país é tratado na matéria “A digestão do poder”, como acéfalo, “maleável”, “adaptável politicamente” (Maria-vai-com-as-outras), atrasado e resiliente (resistente a choques). Além, obviamente, de demagogo.

Pergunta: como falar de demagogia quando uma revista faz política abertamente contra um determinado partido, ou dois, e ainda se julga isenta e sem tendências políticas? Para ajudar ao semanário da Editora Abril, segue uma pérola do Aurélio:

  • Demagogia: s.f. Política que favorece as paixões populares. / Dominação das facções populares. / O que inculca os valores populares.

Veja só, é a cara da revista…
 

Por Erick Cerqueira

No Observatório da Imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=548FDS015

Tags: , , , , , , , , , , ,