Posts Tagged ‘imprensa’

17
jun

Dunga zangado com imprensa infeliz

   Posted by: Erick Cerqueira    in Notícias

É impressionante como algumas pessoas fazem questão de serem desagradáveis. Talvez por frustração, necessidade advinda de um egocentrismo tardio ou simplesmente pelo prazer de criar a discórdia e aparecer através de uma polêmica. E pior: parece que essa prática desagradável é ensinada como matéria nas faculdades de Jornalismo do Brasil.

A grande imprensa nacional está dando um show de cobertura da Copa do Mundo da África. Flashes ao vivo, equipes de plantão 24 horas, cobertura total e o melhor de tudo: todos os jogos sendo transmitidos ao vivo. Mas a primeira Copa em território africano resgata um antigo problema da nossa Seleção. Como pode uma Seleção Brasileira de futebol ir para a Copa e não se meter em nenhuma polêmica? É um absurdo. Lembro de 86, Zico sendo convocado e levado machucado para a Copa. Em 90, uma seleção totalmente desacreditada com o Lazaroni ao comando. E como esquecer a vitoriosa campanha de 94, onde somente a chegada de Romário no jogo contra o Uruguai acalmou a grande mídia nacional? Quatro anos depois, Romário chora e pinta Zico e Zagalo na porta do seu bar. A seleção perde de 3 para Zidane e companhia e surge a teoria da conspiração (e da convulsão). Felipão assume e fomos para a Ásia empolgados, mas com os pés no chão. Nada de favoritismo e, magistralmente, vencemos com o cabelo de Cascão do Ronaldo. Aliás, a maior estratégia de marketing em uma Copa de todos os tempos. Não se comentava de problemas na seleção, apenas do corte esquisito e horroroso do camisa 9. Em 2006, favoritíssimos. Quarteto mágico, badalação, futebol espetáculo, festa nos treinos, torcida no campo e gol de Henry… Weiser nunca mais sairá das nossas mentes.

Mas, e agora? Não tem polêmica? Tem, sim. Faltou o Ganso e o Neymar. Se perder, Dunga será culpado de não ter levado os “meninos da Vila”. A crítica da imprensa já está pronta para a derrota. Contudo, faltam ainda 45 dias para saber a colocação final da Seleção. Então vamos criticar os detalhes. Kaká discutiu com Felipe Melo. Crise? Não, Kaká abraçou o companheiro no dia seguinte. Droga.

A bola é sobrenatural. Pronto, polêmica. Não, o Kaká disse que eles já se acostumaram com a Jubilani. Próxima. Daniel discutiu com Júlio Batista. Agora temos uma crise. Felipe Melo vem estragar tudo. Dizendo que essa história de crise é uma grande palhaçada. Aí, o Dunga vira o Zangado e fecha o treino para a imprensa. Um absurdo. A seleção é do povo brasileiro, não do seu treinador. E tome críticas ao Dunga.

Que as vuvuzelas abafem o pessimismo
É impressionante como a crônica esportiva está ávida por um escândalo. Os jornalistas se apegam aos pequenos detalhes para criar uma grande polêmica com o scratch brasileiro. Com que propósito? Ganhar audiência? Aparecer com os furos de reportagem? Ou ainda, serem mais importantes que os jogadores convocados? Que pena…

Ouvi um comentário durante o jogo de abertura da Copa que, com certeza, reflete bem o que é a imprensa nacional. Dizia o repórter da TV Globo: Maradona levou seis atacantes e Dunga levou seis “cabeças de área”. Talvez a grande Argentina deva mesmo ser uma referência e servir de exemplo para o Brasil. Uma seleção que não vence nenhuma competição desde 1995, quando ganhou a Copa América. É o famoso “complexo de vira-latas brasileiro”, citado por um famoso corintiano de Garanhuns.

Deixem o Dunga fazer o trabalho dele. Sem polêmicas, sem crises, sem “disse-me-disses”, sem intrigas. Deixe o povo torcer por Kaká, sem falar que ele não está 100%. Elogiar o Luís Fabiano, esquecendo a má fase de seis jogos sem gols. E torcer para não ter de citar a falta do Neymar, como ausência fundamental para a desclassificação antecipada da nossa seleção.

O Brasil não precisa de polêmica, mas de torcida. Nada de pessimismo, sim de vibração positiva. E vamos procurar confiar no elenco atual. Afinal, foi a seleção desacreditada de 94 que conseguiu o tetra, e não a badalada de 82. Vamos, Brasil! Hexa neles. E que as vuvuzelas africanas abafem o pessimismo e as pseudo-polêmicas da imprensa nacional. E aproveitando, mando uma mensagem para o Dunga. Nietzsche já dizia: “quanto mais alto voamos, menores pareceremos, aos olhos daqueles que não sabem voar”.

Por Erick da Silva Cerqueira

No Observatório da Imprensa: 
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=594FDS003

No PenseAi.com
http://www.penseai.com/2010/06/dunga-zangado-com-imprensa-infeliz/

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19
abr

O deslize estatístico do Datafolha

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades, Política

 O Santos e os santos da imprensa política

 E viva o Santos, o melhor time do Brasil da atualidade. A imprensa nacional está vibrando com a nova edição dos “meninos da vila”. Um time de jovens talentos, comandados pelo “veterano” Robinho e que vem goleando implacavelmente todos os adversários, com um jogo moleque e bonito de se assisti. Mas, pela segunda vez, venho a essa conceituada tribuna pra lembrar aos nossos compatriotas. O Brasil não é a capital de São Paulo. E alguém precisa avisar isso ao Datafolha.

Em recente pesquisa realizada pelo Datafolha, antes do anúncio da campanha de Serra a presidente, o Brasil acordou surpreso com a reação da candidatura tucana. Porém, agora quase um mês depois, descobrimos que houve uma pequena mudança na forma de contabilizar os votos. A conceituada empresa de pesquisa, simplesmente ignorou as recomendações de IBGE para definição do plano amostral da pesquisa e utilizou uma base ponderada favorável, explicitamente, ao estado de São Paulo. Explico: para se fazer uma pesquisa nacional confiável, é necessário utilizar uma base amostral, uma referência que irá dar o “peso” ideal de cada região aos números absolutos. Nesse caso, deve-se utilizar como parâmetro sugerido pelo IBGE, aproximadamente 42% dos votos do Sudeste, 28% dos nordestinos, 14% dos sulistas e os outros 16% divididos entre Norte e Centro-Oeste do país. Curiosamente, não foi essa a base amostral utilizada pelo DataFolha. Para o Brasil, da pesquisadora, o Sudeste corresponde a 61% dos votos, os nordestinos apenas a 18% os sulistas caíram pra 12% e o Centro-Oeste quase sumiu, com míseros 9%.

Mas o que explica esse êxodo datafolhístico? Muito simples, talvez por comodidade (vamos dar um voto de confiança para o instituto) eles pesquisaram muito mais em SP do que em outras regiões, dessa vez , pois cansa muito viajar o Brasil. Então, aumentaram de 25 para 55 cidades paulistas entrevistadas, o que quase sem querer, acabou beneficiando o licenciado governador de São Paulo, e coincidentemente candidato a presidente, José Serra.

Prefiro acreditar que houve apenas um bairrismo despretensioso e não uma absoluta manipulação dos dados para beneficiar um candidato a Presidente da República. Afinal, a nossa imprensa nacional, sempre ávida pelos deslizes políticos, haveria de noticiar essa estratégia de tortura dos números em benefício explícito de um presidenciável. Senão, seremos obrigados a entender que a grande mídia nacional foi omissa por motivações políticas, o que iria ferir a credibilidade da imparcialidade tão presente na vida jornalística dos nossos grandes meios de comunicação.

Acredito piamente que os santos da nossa imprensa, desconheciam esse pequeno “equívoco” do Datafolha. Mas agora, que o erro foi revelado, veremos diariamente nos noticiários do Jornal Nacional, da Band, da Record, entre outros, os caminhos distorcidos que foram utilizados para estrangular os números de uma pesquisa eleitoral de tamanha importância para a nossa nação. E se Papai Noel existe, tudo isso será revelado. Ah, mas vamos esquecer isso que falar de política é muito chato. E o Neymar, hein? Vai ou não vai pra seleção?

Por Erick da Silva Cerqueira

No Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=586FDS005

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15
abr

“Caso Geddel” e o jornalismo incipiente

   Posted by: Erick Cerqueira    in Notícias, Política

Por Verbena Córdula em 13/4/2010 – extraído do Observatório da Imprensa

No Bom dia Brasil de quarta-feira (8/4), o jornalista e âncora Renato Machado, perguntou: “Onde foi parar o dinheiro destinado às obras de prevenção de catástrofes?”, referindo-se à denúncia do Tribunal de Contas da União (TCU) segundo a qual o ex-ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, candidato a governador da Bahia pelo PMDB – partido aliado do governo Lula – teria utilizado quase toda a verba para obras naquele estado em detrimento dos demais. Pareceu-me que faltou, ao jornalista, um senso crítico mais aguçado.

Não restam dúvidas de que Geddel agiu de maneira pragmática e sobretudo irresponsável, de olho nas próximas eleições. No entanto, o jornalista Renato Machado falhou, de modo inadmissível, quando não fez uma reflexão (mesmo que pequena) acerca das questões relativas à infraestrutura urbana no Brasil, que historicamente contam com o descaso dos governantes de plantão, em todas as esferas do Estado. Independentemente da “esperteza” de Geddel, o dinheiro a que se refere a polêmica em questão, mesmo aplicado equitativamente nos 26 estados da Federação brasileira, não seria suficiente para resolver os problemas referentes à infraestrutura no país.

Renato Machado esqueceu de frisar foi que Salvador, a capital baiana, mesmo com todo o montante gasto pelo Ministério da Integração Nacional, está – em consequência das chuvas que começaram a cair – tão caótica quanto o Rio de Janeiro e outros estados, revelando o descaso histórico dos governos que preferem realizar algumas obras que fiquem às vistas (vide Jogos Panamericanos, Copa de 2014, Olimpíada 2016) e coisas do gênero. Aliás, seria uma excelente oportunidade para se questionar a pertinência de se realizar eventos como esses nas cidades brasileiras. Sem embargo – e logicamente como a Rede Globo irá faturar (e muito) por conta disso –, não podemos esperar posturas jornalísticas nesse sentido.

Falta de respeito com o jornalismo

Cada dia é mais indignante a maneira incipiente como jornalistas das grandes redes consagradas vêm atuando. O Bom Dia Brasil e a maioria da programação jornalística da Rede Globo parecem ter como objetivo principal subestimar a capacidade reflexiva do telespectador. Aliás, a Globo está se especializando, cada vez mais, em superficialidades e falta de profissionalismo.

No dia anterior, na Globo News, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, contou com uma expressiva ajuda em sua campanha para o próximo pleito, já que desfrutou de longos minutos para se auto-elogiar e elogiar o presidente da República pelas obras do Programa de Aceleraçãol do Crescimento (PAC) naquele estado, que pelo visto não fizeram muita diferença para as vidas das dezenas de pessoas que morreram em consequência da falta de atuação governamental em obras de infraestrutura urbana. Aliás, Cabral – além de se autopromover e de promover o governo federal –, limitou-se a apelar a Deus para que mais pessoas não morram em consequência dos desmandos administrativos.

Até quando teremos que suportar essa falta de respeito com o jornalismo?

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