Posts Tagged ‘Marketing’

2
set

E agora, José?

   Posted by: Erick Cerqueira    in Marketing, Política

A campanha falida de José Serra à presidência desperta em mim algumas certezas e muitas dúvidas. Não acredito que o insucesso dele tenha sido obra de uma estratégia errada de campanha. Culpar o Luiz González pela derrocada do candidato é no mínimo mesquinho. Afinal, “Marketing é um processo social por meio do qual, pessoas e grupos de pessoas obtêm aquilo de que necessitam e o que desejam com a criação, oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor com outros” (KOTLER e KELLER, 2006). Baseando-se no “pai” do marketing (já sei, falar em pai é “infantilizar” o leitor)  podemos avaliar que a campanha teve o rumo CORRETO. O problema é que o brasileiro simplesmente não deseja (e nem necessita, em minha opinião) do produto que o González tem pra oferecer. Na verdade, o González fez o que qualquer outro profissional da área faria. Por exemplo, vamos fazer uma rápida análise de S.W.O.T. (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats), analisando os pontos fortes, fracos, as oportunidades e ameaças da campanha José Serra.

Pontos Fortes
A campanha vem mostrando o que ele fez por São Paulo, como prefeito e governador, apresentou as suas qualidades como homem público, contou sua história vencedora de menino pobre que ficou rico, exibiu suas qualificações acadêmicas, o seu passado de luta política e estudo no exílio. Um ponto pra o González.

Pontos Fracos
Aqui tentou-se de tudo. O Serra sempre teve uma carrancuda expressão frente a opinião pública. O González tentou humanizar o Serra (lembram da foto de mãozinha no queixo na capa da Veja, à la Obama?).
O Serra sempre foi candidato da Elite Paulista, mas precisa do povo pra elegê-lo nacionalmente. A campanha tentou levar ele pra um churrasco em favela (ele inventou de tirar foto da churrasqueira, queimou a estratégia). Colocou um sambão na favela, mas era uma favela falsa. Serra aparece sendo carregando pelo povo, mas o candidato saiu com cara de assustado na foto. Mudaram de Serra pra Zé, mas não colou.
Serra era fraco no resto do país. Viajaram o país inteiro, mas ele disse por duas vezes, em entrevistas, não entender o sotaque dos jornalistas dos outros estados.
Serra era candidato de oposição a um atual presidente com alta popularidade. Inventaram o Pós-Lula, ao invés do anti-Lula (lembram da capa da Veja com a mãozinha no rosto). Mas só colou até o horário político eleitoral gratuito começar e Lula afirmar sua candidata. Nem mesmo a tentativa de colocar a foto do Serra com Lula no programa político, no maior  processo de estelionato eleitoral da história, deu certo. Ou seja, tentaram de tudo. Ponto pra González de novo.

A Ficha Falsa de Dilma. Covardia da FOLHA

Oportunidades
Em termos de oportunidades, tentaram explorar o passado de Dilma. Desqualificaram-na como terrorista, bandida, assassina… Disseram que ela armava um fuzil de olhos vendados (o Jô perguntou a ela isso em entrevista). Endemonizaram sua campanha tentando falar que seria a volta dos “Radicais do PT” (àqueles que comem criancinhas) ao poder na capa da Veja. Publicaram ficha falsa da Dilma no DOPS em um jornalão cada vez mais sem prestígio (vide os números da Dilma).
Transformaram as entrevistas com os candidatos na Globo em palanques para desqualificar Dilma, ajudar o Serra a aparecer bem e usar a Marina para criticar o PT. Nas três entrevistas do Jornal Nacional falou-se sobre o mensalão do PT e nenhma frase sobre o escândalo do ex-vice de Serra, o José Arruda, ou sobre o mensalão do DEM. E no Jornal da Globo o Zé, em casa, minimizou o mensalão do DEM em comparação com o do PT, justificando um erro com outro. 

A imprensa tenta desqualificar o Governo atual a todo instante. Só como exemplo, elegeram o Ministério das Relações Exteriores do Brasil como sendo o maior fiasco do Governo. Só é confuso tentar entender o porquê do Lula tenha sido eleito o homem do ano de 2009 em quase todos os jornais e revistas respeitáveis do mundo inteiro. Ou ainda o Barack  Obama ter tido “this is the man“, referindo-se ao chefe do Ministro Celso Amorim. Vai entender o Times, Le Monde, entre outros…
Tentaram até desqualificar o Lula, dizendo que ele não iria ter a capacidade de transformar seu carisma em votos à sua candidata. Deu no que deu.
Inventaram o caso da criação do Dossiê do presidente do PSDB. Deu em nada. Agora quebraram o sigilo bancário da filha do Serra. E o papai Serra, atribuiu à “Turma da Dilma”, mesmo sem provas. Mas com que finalidade à Turma da Dilma faria isso? Só se for pra perder as intenções de votos que eles tem da candidata.
Ou seja, a grande imprensa é toda Serrista, ou alguém ainda duvida disso? O William Waack já o definiu como o “nosso candidato” (sic) no Jornal da Globo. 
O problema do Partido da Imprensa Golpista é que hoje existe a internet e os “blogs sujos” (de acordo com Serra são os blogs que não concordam com ele) para rebater as notícias da grande mídia.

Ameaças
Aí é que mora o problema. O mercado era completamente desfavorável. Lula tem a aprovação de 80% da população. Conseguiu transferir 51% da sua popularidade para sua candidata. O Brasil cresce, tornou-se a quinta economia mundial, pagou as dívidas passadas e até emprestou dinheiro ao FMI. Fazemos parte do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) liga dos países emergentes no mundo, a miséria vem diminuindo no país, a classe C e D passaram a consumir mais, o povo vem comendo três vezes por dia (como desejava o Lula no início do Governo), o Bolsa Família é um sucesso e pra piorar, a estratégia do “Pai Lula” e da “Mãe Dilma” foi perfeita, cá entre nós…

Show da “virada”?
Ou seja, o problema é mais grave do que parece. Não basta culpar o González somente. A conjuntura não o ajuda. Então o que fazer pra “virada” acontecer?
Bem, minha consultoria está até barata ultimamente… Falando sério, no caso do “Zé” Serra acho que nem o bruxo americano dá jeito. Mas com certeza não será essa nova propaganda, apócrifa, desqualificando os “amigos da Dilma”, que irá ajudar. O caminho ainda não é esse… O problema do Serra mais amplo e foi cantado na música do Paulo Diniz. “Você é duro José”…

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10
jun

Ação de Marketing de Guerrilha na F2J

   Posted by: Erick Cerqueira    in Marketing

A equipe 5Pês, formada por estudantes de Propaganda e Marketing da Faculdade 2 de Julho, realizou nesta terça (08/06) uma ação de Marketing de Guerrilha dentro da instituição.
A apresentação de MotoShow faz parte do Trabalho de Conclusão de Curso desta equipe, que tem como cliente a empresa ASA MOTO CENTER.
Os pilotos-acrobátas conhecidos como Serrinha e Cola impressionaram os estudantes da Faculdade. Até mesmo o Diretor Josué Mello e a Coordenadora Pedagógica Tecla Mello, se impressioram com as performances dos pilotos.
O Marketing de Guerrilha se caracteriza por ações não convencionais de propaganda. A ação não foi divulgada de forma proposital. A equipe surgiu com cones e fitas zebradas, ao som de Born to be Wild, do Sttepenwolf. As motos surgiram em seguida, chamando a atenção de todos os presentes no local.
A equipe realizadora do evento é composta por CLAUDIO JOSÉ, ERICK CERQUEIRA, GUILHERME MENDONÇA, MOISÉS MELO, NAIANA REIS, NILMA DUARTE, SUELLEN RIBEIRO, SUELI PAIXÃO, TALITA SAMPAIO.

Faça o download das fotos com maior resolução

Veja as fotos:

até o diretor tirou foto

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18
jan

Da ajuda humanitária ao marketing social

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

O ano de 2010 começou com grandes catástrofes provocadas pela natureza. Enchentes em São Paulo, deslizamento de terra em Angra dos Reis e um terremoto terrível no Haiti. Nos noticiários assistíamos à dor das pessoas que perderam casas, bens materiais e principalmente amigos e familiares. A dor foi o grande furo de reportagem desse início de ano. Nos jornais impressos, na TV, nos sites e blogs e até mesmo nas “correntes de e-mails” o assunto era sempre o mesmo. O sofrimento foi a grande manchete e a cobertura jornalística das TVs brasileiras deu um verdadeiro show de reportagem. Até que uma figura que andava quase esquecida deu o ar de sua graça e mexeu com a internet brasileira.
Nunca fui fã da Sandy e sempre a vi como uma menina mimada, filhinha de papai artista e que foi alçada ao show biz meramente por causa do sobrenome. Mas aquela mocinha eternamente com carinha de boa moça, jogou uma bomba na internet brasileira. Através do Twitter opinou que as pessoas estão se preocupando mais com as vítimas do Haiti do que com as vítimas da chuva no Brasil. Pela primeira vez ela entrava em uma polêmica que não se referia a sua virgindade. Opinava e o fazia de forma corajosa, questionando a ajuda de brasileiros famosos aos haitianos, sobre o porquê deles não ajudarem as vítimas dos alagamentos brasileiros. Obviamente quem leu aquilo a acusou de ser desumana ante a gigantesca tragédia haitiana, mas será que ela não estava certa?

As câmeras impávidas da imprensa
Assim como milhões de brasileiros, acompanhei, chocado, a cena, quase reality show, da repórter da Rede Globo, que estava na hora certa onde um soldado brasileiro acabara de achar uma vítima nos escombros depois de mais de 40 horas. Emocionei-me com aquela professora grávida que fora resgatada por um brasileiro da Força de Paz da ONU e iria atribuir ao seu filho, o nome do seu salvador. Pensei em quantas vidas aqueles brasileiros a serviço da ONU haviam salvado naquele país paupérrimo e destroçado por guerras civis. Pensei em Zilda Arns, uma mulher que morreu como viveu. Ajudando os que mais necessitavam de ajuda. Uma morte digna da vida que levou. Pensei em Zilda e em Sandy. Quanta diferença. Mas julgar a jovem cantora seria uma grande maldade.

Sandy não tem culpa de ver o mundo sem culpa. A tragédia da América Central deve, sim, mobilizar o mundo inteiro. Afinal, um país tão devastado e pobre jamais terá condição de se recuperar sem a ajuda internacional. Mas Sandy tem razão em um ponto. Ajudar o Haiti é um ato solene, mas ajudar as vítimas brasileiras também o seria. Por que será que a solidariedade de personalidades como Gisele Bündschen não se estende pelo resto do ano, ajudando vítimas de tragédias e, principalmente, milhões de miseráveis brasileiros? Seria “bom” para a bela imagem da musa, a imprensa ganharia uma grande reportagem por mês e vários brasileiros agradeceriam por ter as três refeições diárias, tão sonhadas pelo homme de l´année e “filho do Brasil”, Luiz Inácio da Silva.

Mas ajudar muitas vezes não rende capas de Caras ou reportagens do Jornal Nacional. A tragédia e a miséria são deleites para a imprensa e celebridades. Gugu, Faustão, Datena, Luciano Huck e tantos outros exploram a miséria diária. Jornais e celebridades usam as grandes tragédias como meio de alcançar picos de audiência e promoverem suas imagens. A desgraça externa comove mais que as internas. As vítimas haitianas aparecem gritando e pedindo por ajuda em frente às câmeras impávidas da imprensa internacional. Enquanto nós, espectadores, sabemos cada vez mais sobre números de mortos e de sobreviventes inesperados, para podermos conversar sobre o assunto com os amigos no dia seguinte e nos solidarizarmos com as dores das famílias.

Não há fronteiras
A morte na TV não tem conseqüências. São apenas fatos e números crescentes, sem muita importância… Talvez por isso a morte em grandes tragédias seja tão noticiada pela grande imprensa e tão consumida pelos espectadores. As catástrofes são momentos únicos para grandes furos de reportagem e locais onde personalidades aparecem para ajudar, num triste e necessário ato de marketing social de alguns.

Sandy está certa: por que não olhar para “nossos” grandes problemas antes de olhar para os grandes problemas dos “outros”? A resposta é simples: a bondade desinteressada e a ajuda humanitária deram lugar ao posicionamento de mercado. Mais vale uma ajuda internacional no currículo do que um auxílio diário aos milhões de miseráveis brasileiros que sofrem constantemente com fome, frio e sede.

E Sandy está errada: não há fronteiras no século 21 e o sofrimento de lá não é diferente do daqui. A ajuda deve vir de todos os lugares e o Brasil tem de fazer a sua parte também. Zilda Arns sabia disso e por isso milhares de bandeiras brasileiras foram hasteadas a meio-pau.

  ”em memória de Zilda Arns”

Por Erick da Silva Cerqueira
Publicado no Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=573FDS004

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