Posts Tagged ‘Marketing’

18
Jan

Da ajuda humanitária ao marketing social

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

O ano de 2010 começou com grandes catástrofes provocadas pela natureza. Enchentes em São Paulo, deslizamento de terra em Angra dos Reis e um terremoto terrível no Haiti. Nos noticiários assistíamos à dor das pessoas que perderam casas, bens materiais e principalmente amigos e familiares. A dor foi o grande furo de reportagem desse início de ano. Nos jornais impressos, na TV, nos sites e blogs e até mesmo nas “correntes de e-mails” o assunto era sempre o mesmo. O sofrimento foi a grande manchete e a cobertura jornalística das TVs brasileiras deu um verdadeiro show de reportagem. Até que uma figura que andava quase esquecida deu o ar de sua graça e mexeu com a internet brasileira.
Nunca fui fã da Sandy e sempre a vi como uma menina mimada, filhinha de papai artista e que foi alçada ao show biz meramente por causa do sobrenome. Mas aquela mocinha eternamente com carinha de boa moça, jogou uma bomba na internet brasileira. Através do Twitter opinou que as pessoas estão se preocupando mais com as vítimas do Haiti do que com as vítimas da chuva no Brasil. Pela primeira vez ela entrava em uma polêmica que não se referia a sua virgindade. Opinava e o fazia de forma corajosa, questionando a ajuda de brasileiros famosos aos haitianos, sobre o porquê deles não ajudarem as vítimas dos alagamentos brasileiros. Obviamente quem leu aquilo a acusou de ser desumana ante a gigantesca tragédia haitiana, mas será que ela não estava certa?

As câmeras impávidas da imprensa
Assim como milhões de brasileiros, acompanhei, chocado, a cena, quase reality show, da repórter da Rede Globo, que estava na hora certa onde um soldado brasileiro acabara de achar uma vítima nos escombros depois de mais de 40 horas. Emocionei-me com aquela professora grávida que fora resgatada por um brasileiro da Força de Paz da ONU e iria atribuir ao seu filho, o nome do seu salvador. Pensei em quantas vidas aqueles brasileiros a serviço da ONU haviam salvado naquele país paupérrimo e destroçado por guerras civis. Pensei em Zilda Arns, uma mulher que morreu como viveu. Ajudando os que mais necessitavam de ajuda. Uma morte digna da vida que levou. Pensei em Zilda e em Sandy. Quanta diferença. Mas julgar a jovem cantora seria uma grande maldade.

Sandy não tem culpa de ver o mundo sem culpa. A tragédia da América Central deve, sim, mobilizar o mundo inteiro. Afinal, um país tão devastado e pobre jamais terá condição de se recuperar sem a ajuda internacional. Mas Sandy tem razão em um ponto. Ajudar o Haiti é um ato solene, mas ajudar as vítimas brasileiras também o seria. Por que será que a solidariedade de personalidades como Gisele Bündschen não se estende pelo resto do ano, ajudando vítimas de tragédias e, principalmente, milhões de miseráveis brasileiros? Seria “bom” para a bela imagem da musa, a imprensa ganharia uma grande reportagem por mês e vários brasileiros agradeceriam por ter as três refeições diárias, tão sonhadas pelo homme de l´année e “filho do Brasil”, Luiz Inácio da Silva.

Mas ajudar muitas vezes não rende capas de Caras ou reportagens do Jornal Nacional. A tragédia e a miséria são deleites para a imprensa e celebridades. Gugu, Faustão, Datena, Luciano Huck e tantos outros exploram a miséria diária. Jornais e celebridades usam as grandes tragédias como meio de alcançar picos de audiência e promoverem suas imagens. A desgraça externa comove mais que as internas. As vítimas haitianas aparecem gritando e pedindo por ajuda em frente às câmeras impávidas da imprensa internacional. Enquanto nós, espectadores, sabemos cada vez mais sobre números de mortos e de sobreviventes inesperados, para podermos conversar sobre o assunto com os amigos no dia seguinte e nos solidarizarmos com as dores das famílias.

Não há fronteiras
A morte na TV não tem conseqüências. São apenas fatos e números crescentes, sem muita importância… Talvez por isso a morte em grandes tragédias seja tão noticiada pela grande imprensa e tão consumida pelos espectadores. As catástrofes são momentos únicos para grandes furos de reportagem e locais onde personalidades aparecem para ajudar, num triste e necessário ato de marketing social de alguns.

Sandy está certa: por que não olhar para “nossos” grandes problemas antes de olhar para os grandes problemas dos “outros”? A resposta é simples: a bondade desinteressada e a ajuda humanitária deram lugar ao posicionamento de mercado. Mais vale uma ajuda internacional no currículo do que um auxílio diário aos milhões de miseráveis brasileiros que sofrem constantemente com fome, frio e sede.

E Sandy está errada: não há fronteiras no século 21 e o sofrimento de lá não é diferente do daqui. A ajuda deve vir de todos os lugares e o Brasil tem de fazer a sua parte também. Zilda Arns sabia disso e por isso milhares de bandeiras brasileiras foram hasteadas a meio-pau.

  ”em memória de Zilda Arns”

Por Erick da Silva Cerqueira
Publicado no Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=573FDS004

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21
Jul

Será o fim do horário nobre?

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

Emissoras Lembro que na minha infância, quando as propagandas passavam durante as novelas das 6h e das 8h, eram sempre de grandes companhias e instituições. Hollywood, Free, Itaú, Ford, Vasp, Varig e, de vez em quando, uma propaganda do governo federal aqui e outra ali. Meus pais comentavam que o motivo era o “horário nobre”, um horário onde o grande público se concentrava em casa e parava para ver a TV, gerando picos de audiência. Isso, segundo os suplentes de marqueteiros que eu tinha em casa, justificava o alto preço do horário dos comerciais e, consequentemente, as grandes empresas que se apresentavam. Obviamente, fazia sentido. Coisa que só descobriria muito tempo depois. Mas, se pararmos para pensar, onde está o “horário nobre” hoje?Essa é a pergunta de um milhão de dólares para todo e qualquer analista de mercado. A TV perdeu, nos últimos 20 anos, seu status supremus de “última coca-cola do deserto” por diversos motivos.

1º) O surgimento de novas tecnologias da informação – O grande furo de reportagem aparece primeiro na internet para só depois alcançar a grande massa através das TVs. No episódio da morte de Michael Jackson, fiquei sabendo da informação por um SMS enviado pelo meu cunhado, solicitando confirmação do fato. Na mesma hora, no escritório, colocamos três notebooks conectados a portais de informação: Terra, Globo e LATimes. A confirmação chegou primeiro por um site de revista de fofoca americana. Apertávamos o F5 para atualizar as telas concomitantemente. Dentre a mensagem e a confirmação da morte não se passaram mais de 40 minutos.

Repetição e falta de criatividade2º) O público está mais exigente – As notícias, antes facilmente digeridas, hoje acabam passando por um crivo maior. A necessidade de confirmação das reportagens pelas novas tecnologias de informação é quase um direito de defesa do cidadão internauta. Michael morreu, mas só porque ficou confirmado em dezenas de sites, e não porque alguém me falou.

3º) Todos querem conforto e flexibilidade nos horários – Por que sair correndo para casa para ver o casal Bonner divulgando suas notícias mastigadas ao seu público (“carinhosamente” batizado de Homer Simpson por William), se podemos chegar bem mais tarde e assistir a tudo pela internet, com comentários dos internautas, fórum de discussões e análises críticas de diversos jornalistas sobre as notícias e outras formas de interação?

4º) O baixo nível das novelas – Não me refiro somente à toda poderosa Rede Globo, englobo todas. Todas as mulheres da minha família marcavam seus compromissos com quem quer que fosse somente depois da novela das oito. Perder um capítulo era ter a certeza de não saber o que dizer no dia seguinte na roda de amigas do salão de cabeleireiros. Hoje, essa mesma mulherada quase não acompanha às novelas. Talvez, por causa da repetição ou mesmo falta de criatividade dos autores e do público também. Lembro que durante a novela A Favorita o autor teve de mudar a novela e apresentar logo a vilã, pois o público estava deixando de ver a novela por causa da falta de um posicionamento mais direto dos personagens.

Senhores da programação5º) A segmentação dos mercados – Depois das análises do mercado, constatou-se que a propaganda em massa, apesar de eficiente em alguns casos, não consegue atingir públicos específicos de maneiras diferenciadas. Na era do Marketing 1a1, a propaganda televisiva vem cedendo espaço às mídias alternativas, às ações de marketing de guerrilha e principalmente ao merchandising (pontos de vendas).

6º) Mais ensino, menos novela – Com a proliferação das faculdades particulares, milhões de jovens e adultos passaram a trocar o conforto da poltrona por uma cadeira de estudante universitário noturno.

7º) O direcionamento do assunto – De que me importa se a chuva no Nepal acabou com a plantação de arroz ou ainda se um ursinho ficou preso no gelo no Alaska? Essas informações, apesar da minha comoção com os plantadores e com o pobre animal, não acrescentam nada à minha vida. Preferiria ver Nizan Guanaes e Washington Olivetto falando sobre as projeções de 2010 e 2011 para o mercado publicitário. A internet nos dá essa possibilidade de escolha de programação. Vamos atrás daquilo que realmente nos interessa e não ficamos passivos, hipodermicamente recebendo notícias. Somos muito mais que a mão no controle remoto; somos os senhores da programação, quase o editor-chefe da redação. Selecionamos o que nos interessa e não perdemos tempo com o pobre urso.

Quem faz o horário somos nós

Todos esses tópicos serviram apenas para mostrar que o horário nobre, apesar de sustentado por muitos especialistas, simplesmente morreu (ou anda agonizando). Hoje, para o terror dos analistas de mercado, quem faz o horário nobre é o próprio público. Conheço pessoas que não sabem nada sobre as TVs fechadas e têm pavor da TV aberta. Uma professora confessou-me que não tem televisor em casa, pois enxerga a programação televisiva como um aparelho de manipulação. Esse grande ditador de verdades com antenas, apesar dos esforços em se renovar, parece perder cada vez mais espaço. Não vai acabar, obviamente, mas perderá ainda mais a sua importância ao longo dos anos.

O horário nobre, caros amigos, quem faz somos nós. Onde você lê suas notícias? O que você procura para se distrair? E, o principal, qual o seu horário disponível para a televisão?

Atentemo-nos, senhoras e senhores, para essa informação. Horário nobre, agora, é algo quase particular. Cada um tem o seu. O meu, informo a grande mídia que queira me encontrar preso em frente à TV, está localizado entre 22:30h e 2 horas da manhã. E o seu?

Por Erick Cerqueira

 

Extraído do Observatório da Imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=547TVQ002

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9
Jul

Onde a morte vende mais que cerveja

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades, Marketing, Política

lkimA imprensa está a duas semanas falando sobre o mesmo tema. Michael Jackson. Não que queira ser mais um dos chatos a dizer que estamos dando muita atenção a este excêntrico ex-milionário falido e falecido, mas algumas outras coisas mereceriam ser comentadas também.

Honestamente, acredito que uma das informações mais importantes dos últimos anos, não teve grande repercussão na mídia. Um feito que pode indicar a mudança político-econômica mais importante do mundo, desde a saída de Fidel Castro do comando de Cuba. Um comercial de cerveja.

Antes de começarem a desconfiar da minha inclinação etílica, devo afirmar que esse evento aparentemente irrelevante, pode mudar o mundo muito mais que velório/ show do maior astro pop da história. Explico. A referida cerveja do comercial, não continha nenhuma super modelo semi-nua. Gisele Bündchen não era a garota propaganda e Juliana Paes, infelizmente, não fazia parte da peça publicitária. A peça era de péssima qualidade visual, possuía uma musiqueta irritante de fundo e um texto extremamente “duro” para os nossos moldes. Não possuía bichinhos, jingles espetaculares, nada. O produto não será nenhum Best Seller, o preço não é tão acessível, a praça é restrita. Em suma, em termos de Marketing, não atende aos 5 Ps. Mas o que tem de tão especial essa peça publicitária, então? E por que a imprensa deveria se importar com isso?

Esse, senhores e senhoras, foi o primeiro comercial de TV de uma cerveja norte-coreana. Um primeiro sinal capitalista em um dos países comunistas mais fechados do mundo. Um avanço na economia do país armamentista que mais assusta o mundo e, quem sabe, o início da sua abertura para o mercado mundial.

“O orgulho de Pyongyang”

O comercial foi captado por uma TV da Coréia do Sul. Veiculado em uma das TVs estatais norte-coreanas, possuía quase 3 minutos de duração. Muito para os nossos moldes, mas para um país onde tudo é controlado pelo governo, nada que influenciasse muito na programação. Aliás, anúncios como esses, sempre foram proibidos pelo Governo do “homem de cabelos engraçados”.

A República Popular Democrática da Coreia faz fronteira a norte com a China e com a Rússia. Esses dois vizinhos, ex-comunistas, fazem parte do atual BRIC, sigla que designa o grupo dos 4 países emergentes do mundo, juntamente com o Brasil e a Índia. Talvez, essa influência dos vizinhos maiores tenha ajudado nesse início do processo de abertura ao mercado capitalista. Será que finalmente o presidente da Comissão Nacional de Defesa e secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coréia do Norte, Kim Jong-il, está mudando suas convicções ideológicas? Ou será somente mais uma jogada de marketing para exibir o seu país como manchete mundial, de forma gratuita, dessa vez sem mísseis?

De qualquer forma não conseguiu seu intento. Escolheu a data errada para tentar ganhar publicidade grátis. Esse fato, que deveria significar algo para a comunidade mundial, foi ofuscado (assim como o casamento de Alexandre Pato [sic]) pelas infindáveis homenagens à Michael Jackson, que possivelmente nem tocava muito nas rádios norte-coreanas. Faltou espaço nos meios de comunicação para qualquer outro assunto, senão o circo armado pelos familiares do cantor e os sempre a postos espertalhões de plantão.

“Taedong River Beer é o orgulho de Pyongyang”, mas Michael era o orgulho de milhões de fãs por todo o mundo. O comercial de cerveja da Coréia do Norte, que acredito ser uma das mais importantes demonstrações de mudanças no cenário político-econômico mundial dos últimos anos, não teve como competir com a força capitalista dos EUA, que USA e abusa do marketing há anos, com muita competência. Lá, até velório de artista vende mais que cerveja. Nessa guerra, a Coréia do Norte perdeu. E feio.

Os mísseis, caro Kim Jong-il, ainda são o produto mais conhecido da sua República “Democrática”.

Erick Cerqueira.

Link para comercial http://videos.publico.pt/Default.aspx?Id=49030540-c67b-4dcf-bc45-e4a61fb1b8dd

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