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9
jul

Onde a morte vende mais que cerveja

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades, Marketing, Política

lkimA imprensa está a duas semanas falando sobre o mesmo tema. Michael Jackson. Não que queira ser mais um dos chatos a dizer que estamos dando muita atenção a este excêntrico ex-milionário falido e falecido, mas algumas outras coisas mereceriam ser comentadas também.

Honestamente, acredito que uma das informações mais importantes dos últimos anos, não teve grande repercussão na mídia. Um feito que pode indicar a mudança político-econômica mais importante do mundo, desde a saída de Fidel Castro do comando de Cuba. Um comercial de cerveja.

Antes de começarem a desconfiar da minha inclinação etílica, devo afirmar que esse evento aparentemente irrelevante, pode mudar o mundo muito mais que velório/ show do maior astro pop da história. Explico. A referida cerveja do comercial, não continha nenhuma super modelo semi-nua. Gisele Bündchen não era a garota propaganda e Juliana Paes, infelizmente, não fazia parte da peça publicitária. A peça era de péssima qualidade visual, possuía uma musiqueta irritante de fundo e um texto extremamente “duro” para os nossos moldes. Não possuía bichinhos, jingles espetaculares, nada. O produto não será nenhum Best Seller, o preço não é tão acessível, a praça é restrita. Em suma, em termos de Marketing, não atende aos 5 Ps. Mas o que tem de tão especial essa peça publicitária, então? E por que a imprensa deveria se importar com isso?

Esse, senhores e senhoras, foi o primeiro comercial de TV de uma cerveja norte-coreana. Um primeiro sinal capitalista em um dos países comunistas mais fechados do mundo. Um avanço na economia do país armamentista que mais assusta o mundo e, quem sabe, o início da sua abertura para o mercado mundial.

“O orgulho de Pyongyang”

O comercial foi captado por uma TV da Coréia do Sul. Veiculado em uma das TVs estatais norte-coreanas, possuía quase 3 minutos de duração. Muito para os nossos moldes, mas para um país onde tudo é controlado pelo governo, nada que influenciasse muito na programação. Aliás, anúncios como esses, sempre foram proibidos pelo Governo do “homem de cabelos engraçados”.

A República Popular Democrática da Coreia faz fronteira a norte com a China e com a Rússia. Esses dois vizinhos, ex-comunistas, fazem parte do atual BRIC, sigla que designa o grupo dos 4 países emergentes do mundo, juntamente com o Brasil e a Índia. Talvez, essa influência dos vizinhos maiores tenha ajudado nesse início do processo de abertura ao mercado capitalista. Será que finalmente o presidente da Comissão Nacional de Defesa e secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coréia do Norte, Kim Jong-il, está mudando suas convicções ideológicas? Ou será somente mais uma jogada de marketing para exibir o seu país como manchete mundial, de forma gratuita, dessa vez sem mísseis?

De qualquer forma não conseguiu seu intento. Escolheu a data errada para tentar ganhar publicidade grátis. Esse fato, que deveria significar algo para a comunidade mundial, foi ofuscado (assim como o casamento de Alexandre Pato [sic]) pelas infindáveis homenagens à Michael Jackson, que possivelmente nem tocava muito nas rádios norte-coreanas. Faltou espaço nos meios de comunicação para qualquer outro assunto, senão o circo armado pelos familiares do cantor e os sempre a postos espertalhões de plantão.

“Taedong River Beer é o orgulho de Pyongyang”, mas Michael era o orgulho de milhões de fãs por todo o mundo. O comercial de cerveja da Coréia do Norte, que acredito ser uma das mais importantes demonstrações de mudanças no cenário político-econômico mundial dos últimos anos, não teve como competir com a força capitalista dos EUA, que USA e abusa do marketing há anos, com muita competência. Lá, até velório de artista vende mais que cerveja. Nessa guerra, a Coréia do Norte perdeu. E feio.

Os mísseis, caro Kim Jong-il, ainda são o produto mais conhecido da sua República “Democrática”.

Erick Cerqueira.

Link para comercial http://videos.publico.pt/Default.aspx?Id=49030540-c67b-4dcf-bc45-e4a61fb1b8dd

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16
jun

Quando Maísa chorou…

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

maisa

Tive a felicidade de ter grandes professores na faculdade. Um deles, Eduardo Rocha, teve o grande mérito de me apresentar a uma das personalidades que mais mudaria a minha formação: Friedrich Wilhelm Nietzsche. Em um dos seus livros, Muito além do bem e do mal, esse louco e genial alemão questionava: quem define o que é bom ou mal para alguém? A partir disso, passei a entender as 6 bilhões de “verdades” que existem no mundo. Um dos grandes problemas de quem expõe e defende aquilo que pensa, no mundo como de hoje, é parecer arrogante e intransigente. Mas, em contrapartida, essas mesmas pessoas acabam por ganhar o respeito das outras. Parece paradoxal, mas o que seria do mundo sem os questionadores?
No dia 09 de junho, um artigo publicado no Observatório da Imprensa surpreendeu-me pela franqueza, correção, inteligência e boa argumentação. O artigo em questão é “Comunicação ou mero moralismo?”, do dr. Paulo Bento Bandarra. Bandarra critica duramente uma das terríveis tendências dos novos (e velhos) jornalistas nacionais. A síndrome anticapitalista dos estudantes de jornalismo. Talvez, essa ação subversiva seja somente um reflexo dos tempos onde a repressão à imprensa foi muito dura, na época da ditadura (ou ditabranda, segundo a Folha). Mas a imprensa já não é mais marginal. Não se colocam bombas em bancas de revista. Não se fecham jornais e revistas em represálias as suas reportagens e, principalmente, nossos impressos vão muito além dos panfletos anarquistas ítalo-brasileiros do início do século XX.

 

A exposição da “pobre menina rica”
O dr. Paulo Bento critica duramente o moralismo que impera, não somente no âmbito jornalístico-midiático, mas em todas as instâncias da nossa sociedade moralista católica cristã. Se bem que os novos cristãos e sua teologia da prosperidade começam a evidenciar a necessidade das bênçãos ainda em vida, algo que parece ter sido esquecido pelos católicos, na terrível vitória da Judéia contra Roma, como diria Nietzsche.
Em pleno século XXI ainda possuímos costumes medievais. O próprio fato de usar o 21 em algarismo romano, na frase anterior, é prova disso. O latim utilizado pelos advogados em seus textos complicadíssimos é outro sinal dos tempos remotos, onde o latim era utilizado pelos aristocratas e eclesiásticos como forma de se manterem distantes das ralés. Na imprensa e na mídia, em geral, o que perdura é a guerra entre ideologia e o capitalismo. Os ideólogos, arrasadora maioria dos profissionais, criticam os vendidos que fizeram e fazem sucesso nos meios de comunicação. Luciano Huck foi duramente criticado ao sair da Band e ir para a Globo. Vendido, mercenário, dentre outras denominações, o então jovem apresentador do “H” deu uma declaração bombástica. “Não vestirei a camisa da Globo, irei tatuar a marca no meu peito.” Essa polêmica declaração gerou muitas críticas entre os “não-vendáveis” profissionais anti-Globo, mas não passaram de críticas esquecidas, que não moveram e nem moverão moinho algum.

Agora a questão principal é sempre dar ou não importância ao dinheiro, esse vilão moderno que move o mundo, mas não traz felicidade (talvez mande entregar via delivery). Quando Maísa chorou um monte de críticos ferrenhos e opositores a exploração do trabalho infantil surgiu em todos os blogs e portais jornalísticos da nação. Nem as lágrimas de Nietzsche tiveram tanta repercussão (Quando Nietzsche Chorou, do autor Irvin D. Yalom). As lágrimas da pequena Maísa parecem ter manchado a maquiagem que escondia a verdadeira face dos observadores da imprensa daqui. A imprensa urubu, que tanto critiquei no caso do seqüestro de Santo André, parece ter pousado no Observatório. Por que só agora a superexposição da menina prodígio do tio Sílvio Santos está incomodando o Ministério Público? Será que o Ministério Público não está apenas pegando uma carona na exposição da “pobre menina rica”? E nós, do Observatório, também não estamos nessa carona?

Opção mais “confortável”
Penso muito próximo do dr. Bandarra. Acredito que seja só mais um caso da imensa hipocrisia nacional se manifestando e se concentrando em um episódio, até certo ponto, pequeno, ante tantas mazelas sofridas no dia-a-dia da nossa sociedade por milhões de crianças em estado de miséria e desamparo, Brasil a fora. Precisamos acabar com essa ideologia de ter o capitalismo como vilão da nossa sociedade. Ele está aí, e bem e ou mal, com crise ou sem crise, é a Lei. Dura Lex, Sede Lex (só para usar um pouco de latim, como os advogados e os padres exorcistas do cinema).
Vamos acabar com essa hipocrisia, senhores. Maísa e sua família precisam da caixa registradora, como critica Washington Araújo em seu artigo, “A menina-prodígio e a caixa registradora”. Ou será que a mini-petiz, apelido de Marcelo Taz à apresentadora da emissora concorrente, preferiria estar cortando cana no nordeste, vendendo chicletes em semáforos, pedindo esmola nas ruas ou sendo mais uma malabarista do sinal vermelho? Como será que o Ministério Público prefere: Maísa sendo usada pelo SBT ou sexualmente explorada pelas ruas, caro Ministério? Acredito ser a primeira opção mais “confortável” para todos, enquanto as crianças nas outras situações, sim, deveriam ser apoiadas e ajudadas pelo MP. Mas aí, que Ibope teria?

 

 

Extraído do Observatório da Imprensa.
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=543MOS002

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