Posts Tagged ‘mídia’

21
ago

A imprensa de oposição ao Brasil

   Posted by: Erick Cerqueira    in Política

É impressionante o desespero da imprensa paulista/carioca ante a queda nas pesquisas do seu presidenciável. A crise da mídia é tamanha, que a presidente da Associação Nacional dos Jornais e executiva da Folha de São Paulo, Maria Judith Brito assumiu: “obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada”.

O interessante é ler alguns trechos do esquecido juramento dos jornalistas nas cerimônias de formatura: “Juro, no exercício das funções de meu grau, assumir meu compromisso com a verdade e com a informação”.

Mas a coisa está feia para o “Partido da Imprensa Nacional”. O Serra despenca nas pesquisas, em dois dias de programa eleitoral gratuito, cometeu duas gafes que viraram piada na internet (“Serra come todo mundo” e “A favela fake do Serra”), a economia vai bem, o país cresce, a inflação cai, o desemprego cai e pra piorar, a candidata Dilma começa a ser conhecida como a “candidata do Lula”.

A jornalista Miriam Leitão, em O Globo, partiu para um ataque desesperado em seu artigo “o donatário” . Chamou o presidente de donatário, acusando-o de estar passando a Capitania Hereditária Brazil, para as mãos da sua sucessora. Algo não salutar para a democracia. Engraçado é lembrar que o foi o PSDB do Serra, candidato da oposição, logo da ANJ, que estabeleceu a emenda da reeleição no nosso país, num controverso processo desencadeado por suspeitas gravíssimas de compra de votos. A Sra. Leitão ainda nos impõe a supremacia do povo americano sobre o brasileiro. “Lá, eles não acham que eleitores passam de mão em mão como uma massa sem vontade própria”. Ou seja, o governo trata o povo como ignóbeis seres acéfalos e, como mostra o sucesso da candidata Dilma, ele estaria com a razão. Será?

Josias de Souza, no site da Folha de SP (aquela mesma da opositora Maria Judith), é ainda mais explícito na sua matéria “Disparada de Dilma atesta o êxito dos planos de Lula”. Aponta os erros e acertos das campanhas tucanas e petistas, respectivamente. Depois finaliza com uma frase digna do mais ferrenho apaixonado psdbista. Chama a  candidata líder nas pesquisas para presidente da nossa república de “uma ex-poste que ameaça converter José Serra no mais preparado ex-futuro presidente que o Brasil já teve”. Pensemos: a ex-poste é a ex-Ministra da Casa Civil. E o mais preparado é o “despencante” presidenciável da imprensa paulista.

A Folha é Trombeta e não o The New York Times

Neto. O filósofo assistente de "A Trombeta"

A imprensa faz um papel muito próximo do jornal da fictícia cidade de Sucupira, do filme o Bem Amado. Pensando bem, a Folha de São Paulo está mais para o Jornal “A Trombeta” do que para o The New York Times.  No filme, o jornalista e ex-candidato ao cargo de prefeito da cidade, Vladmir, discute com seu subordinado, Neto, sobre o erro do povo em eleger Odorico de Paraguaçu em detrimento da sua candidatura. O assistente fala uma das melhores frases do filme: “a culpa é dos gregos, que criaram a democracia”.  Vladmir retruca: “mas nós somos os verdadeiros representantes da maioria”. E Neto, finaliza de forma genial: “mas é preciso que a maioria também pense isso”. Pois é, mas infelizmente (para a Folha e seus apaziguados) a maioria parece não pensar assim. Quanto ao trabalho dessa parte da imprensa, claramente partidária e golpista, resta apenas mais uma cartada. Transbordar suas páginas com notícias falsas sobre os terríveis perigos que aguardam o Brasil, caso vença a candidata do Presidente. Mas como explica o Vladmir: “quanto pior a situação do povo, maior a sua disposição para lutar por mudanças”. No mais, citando o nosso prefeito Odorico, “temos é que tratar dos providenciamentos inauguratícios do cemitério”. Afinal, a campanha PSDB/DEM/FOLHA/GLOBO/ABRIL está próxima do derradeiro suspiro, e nem precisou chamar o Zeca Diabo…

Erick da Silva Cerqueira

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6
jul

Meio de manipulação em baixa

   Posted by: Erick Cerqueira    in Comunicação

A Rede Globo já não é mais aquela. O jornalista Marcos Uchoa fez uma análise sobre a atuação do Brasil na Copa totalmente motivada pelo rancor da emissora. O rancor de uma empresa de comunicação que foi barrada por um homem que, mesmo sem conseguir a Copa, ganhou apoio do Brasil. O Dunga foi aplaudido ao desembarcar em Porto Alegre. E o pior: o repórter ganhou um singelo #Cala boca Marcos Uchoa, no famigerado Twitter.

O Twitter virou uma espécie de “Fala que eu te escuto” dinâmico e em real time. Nada escapa aos olhos dos seus seguidores. O azarado do Mick Jagger, a morte de um homônimo do Schwarzenegger, Larissa Riquelme, enfim, tudo é comentado ali. A Globo, obviamente, está sempre nos mais comentados por ser o maior canal de comunicação do país. Porém, as críticas à emissora são ácidas, contundentes e revelam que o povo aprendeu uma palavra nova: manipulação.

Como tenho certeza que nem todos tiveram acesso aos livros da Marilena Chauí, devo crer na conscientização dos twitteiros como sendo advinda da própria internet. As discussões das redes sociais, as leituras de blogs de famosos e anônimos, a abertura de portais de opinião e entretenimento estão mudando o perfil das discussões. A saga Crepúsculo sumiu dos TTs (Trending Topics) graças a Deus e vem dando lugar a frases de apoio ao ex-técnico da seleção brasileira, ao linchamento do Felipe Melo, à escolha do candidato a vice de Serra, à manipulação das pesquisas do Datafolha e, principalmente, às críticas à Rede Globo de Televisão.

 
“Diego, no se va”
O Observatório da Imprensa está ganhando proporções maiores do que o seu site. A discussão sobre os meios de manipulação, digo, meios de comunicação no nosso país, está se tornando mais ampla. Somente entre os repórteres esportivos da emissora, temos quatro homenageados. Os Cala bocas Galvão, Tadeu Schmidt, Alex Escobar e agora o Uchoa. Ou seja, existe um canal de comunicação que a Rede Globo ainda não domina: o Twitter. E nessa nova rede, podemos encontrar frases como: @realistasp Apesar da derrota, Dunga teve a coragem de enfrentar o monopólio da Globo e o jornalismo medíocre da nossa “imprensa esportiva”. #valeudunga

Mas o império contra-ataca. A maior revelação da Copa do Mundo foi o jovem VJ da Globo, o Tiago Leifert. Esse rapaz conseguiu movimentar o Twitter, ganhou a simpatia do povo e, mesmo sendo da Globo e defendendo o posicionamento da empresa, conseguiu sair ileso, sem nenhuma retaliação. Tiago parece ter saído da MTV para criar o Rock´n Gol na emissora do “plim plim”. A Central da Copa, que vai ao ar muito tarde, como todos os bons programas da Globo, deu um show de informação e bom humor. Aliás, bom humor há muito tempo sumido da emissora.

Recepção em Buenos Aires depois dos 4a0 para Alemanha

Quanto ao seu colega Uchoa, infelizmente não conseguiu convencer os “twitteiros” de plantão. Dunga perdeu a Copa e ficamos tristes, mas não adianta mais incitar raiva contra o capitão do tetra. Confinamento, não. Concentração. O time jogou com o técnico e teve a “cara” dele em campo. Se Robinho gritou contra a Holanda, ele também sorriu muito contra o Chile. E para a tristeza das emissoras, os “meninos da Vila”, que até agora só jogaram bola no Campeonato Paulista, esperarão para 2014 para vestir a “amarelinha”. Talvez até lá a “Rede dos Marinhos” tenha aprendido a lidar com o Twitter e sofra menos por não conseguir manipulá-lo, como nessa Copa.

E se o Dunga precisa aprender a consolar seus jogadores na derrota, como fez o Maradona, o Brasil e sua imprensa precisam aprender a tratar o trabalho do técnico com mais respeito. A Argentina está na fila da Copa do Mundo há 24 anos, Maradona não ganhou nenhum título e foi recebido em Buenos Aires (mesmo depois de perder de 4 pra Alemanha), aos gritos de “Diego, no se va”. Já o Dunga, com a Copa das Confederações, Copa América e o 1º lugar nas eliminatórias para a Copa, tem que ouvir o Marcos Uchoa. Tem horas que dá vontade de ser argentino… Mas isso passa muito rápido, graças a Deus.

Erick da Silva Cerqueira

No Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=597FDS005

No Twitter:
www.twitter.com/ericksc

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18
jan

Da ajuda humanitária ao marketing social

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

O ano de 2010 começou com grandes catástrofes provocadas pela natureza. Enchentes em São Paulo, deslizamento de terra em Angra dos Reis e um terremoto terrível no Haiti. Nos noticiários assistíamos à dor das pessoas que perderam casas, bens materiais e principalmente amigos e familiares. A dor foi o grande furo de reportagem desse início de ano. Nos jornais impressos, na TV, nos sites e blogs e até mesmo nas “correntes de e-mails” o assunto era sempre o mesmo. O sofrimento foi a grande manchete e a cobertura jornalística das TVs brasileiras deu um verdadeiro show de reportagem. Até que uma figura que andava quase esquecida deu o ar de sua graça e mexeu com a internet brasileira.
Nunca fui fã da Sandy e sempre a vi como uma menina mimada, filhinha de papai artista e que foi alçada ao show biz meramente por causa do sobrenome. Mas aquela mocinha eternamente com carinha de boa moça, jogou uma bomba na internet brasileira. Através do Twitter opinou que as pessoas estão se preocupando mais com as vítimas do Haiti do que com as vítimas da chuva no Brasil. Pela primeira vez ela entrava em uma polêmica que não se referia a sua virgindade. Opinava e o fazia de forma corajosa, questionando a ajuda de brasileiros famosos aos haitianos, sobre o porquê deles não ajudarem as vítimas dos alagamentos brasileiros. Obviamente quem leu aquilo a acusou de ser desumana ante a gigantesca tragédia haitiana, mas será que ela não estava certa?

As câmeras impávidas da imprensa
Assim como milhões de brasileiros, acompanhei, chocado, a cena, quase reality show, da repórter da Rede Globo, que estava na hora certa onde um soldado brasileiro acabara de achar uma vítima nos escombros depois de mais de 40 horas. Emocionei-me com aquela professora grávida que fora resgatada por um brasileiro da Força de Paz da ONU e iria atribuir ao seu filho, o nome do seu salvador. Pensei em quantas vidas aqueles brasileiros a serviço da ONU haviam salvado naquele país paupérrimo e destroçado por guerras civis. Pensei em Zilda Arns, uma mulher que morreu como viveu. Ajudando os que mais necessitavam de ajuda. Uma morte digna da vida que levou. Pensei em Zilda e em Sandy. Quanta diferença. Mas julgar a jovem cantora seria uma grande maldade.

Sandy não tem culpa de ver o mundo sem culpa. A tragédia da América Central deve, sim, mobilizar o mundo inteiro. Afinal, um país tão devastado e pobre jamais terá condição de se recuperar sem a ajuda internacional. Mas Sandy tem razão em um ponto. Ajudar o Haiti é um ato solene, mas ajudar as vítimas brasileiras também o seria. Por que será que a solidariedade de personalidades como Gisele Bündschen não se estende pelo resto do ano, ajudando vítimas de tragédias e, principalmente, milhões de miseráveis brasileiros? Seria “bom” para a bela imagem da musa, a imprensa ganharia uma grande reportagem por mês e vários brasileiros agradeceriam por ter as três refeições diárias, tão sonhadas pelo homme de l´année e “filho do Brasil”, Luiz Inácio da Silva.

Mas ajudar muitas vezes não rende capas de Caras ou reportagens do Jornal Nacional. A tragédia e a miséria são deleites para a imprensa e celebridades. Gugu, Faustão, Datena, Luciano Huck e tantos outros exploram a miséria diária. Jornais e celebridades usam as grandes tragédias como meio de alcançar picos de audiência e promoverem suas imagens. A desgraça externa comove mais que as internas. As vítimas haitianas aparecem gritando e pedindo por ajuda em frente às câmeras impávidas da imprensa internacional. Enquanto nós, espectadores, sabemos cada vez mais sobre números de mortos e de sobreviventes inesperados, para podermos conversar sobre o assunto com os amigos no dia seguinte e nos solidarizarmos com as dores das famílias.

Não há fronteiras
A morte na TV não tem conseqüências. São apenas fatos e números crescentes, sem muita importância… Talvez por isso a morte em grandes tragédias seja tão noticiada pela grande imprensa e tão consumida pelos espectadores. As catástrofes são momentos únicos para grandes furos de reportagem e locais onde personalidades aparecem para ajudar, num triste e necessário ato de marketing social de alguns.

Sandy está certa: por que não olhar para “nossos” grandes problemas antes de olhar para os grandes problemas dos “outros”? A resposta é simples: a bondade desinteressada e a ajuda humanitária deram lugar ao posicionamento de mercado. Mais vale uma ajuda internacional no currículo do que um auxílio diário aos milhões de miseráveis brasileiros que sofrem constantemente com fome, frio e sede.

E Sandy está errada: não há fronteiras no século 21 e o sofrimento de lá não é diferente do daqui. A ajuda deve vir de todos os lugares e o Brasil tem de fazer a sua parte também. Zilda Arns sabia disso e por isso milhares de bandeiras brasileiras foram hasteadas a meio-pau.

  ”em memória de Zilda Arns”

Por Erick da Silva Cerqueira
Publicado no Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=573FDS004

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