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7
set

Odeio o 7 de Setembro e a novela das 8

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

Desfile de 7 de Setembro

Desfile de 7 de Setembro

Sempre odiei o 7 de Setembro. Era o único feriado do ano onde não íamos pra praia ou para um clube na minha infância. Minha mãe me arrastava pelo braço para a Praça da Piedade, em Salvador, onde assistíamos o glorioso Desfile da Independência. Era o único dia do ano, salvo os jogos da Seleção Brasileira de Futebol (o maios orgulho Nacional), onde ouvíamos o Hino Brasileiro à exaustão. Assistia ao famoso desfile das lavadeiras, com os tanques e trouxa  nas ruas, como brincávamos às escondidas, entediado, emburrado e com minha bandeirinha de papel na mão.
Nas TVs, o desfile em todas as capitais e em Brasília os voos rasantes da Esquadrilha da Fumaça na cabeça do presidente. Além, obviamente, dos concursos e brincadeiras para ver quem era patriota o suficiente para cantar corretamente o Hino Nacional e o Hino à Bandeira.

Mas os tempos mudaram. Hoje o presidente não veste farda, eu já passei dos trinta, a Gloriosa Revolução de 64 (como aprendi nas aulas de Educação Moral e Cívica) é reconhecida como o vergonhoso Golpe Militar, e aprendi que D.Pedro não estava sentado no cavalo às margens plácidas do Ypiranga, pois tinha hemorróidas. O tempo passa, os honrosos pracinhas que via, já devem estas aposentados e a TV, que agora é digital, faz as mesmas coisas de antes. Concurso para ver quem sabe o hino completo e correto, exibição dos honrosos desfiles em todas as capitais, a Esquadrilha da Fumaça e seus rasantes na cabeça do presidente, etc.

A diferença principal é que cresci. Aprendi que votar é um direito e ao mesmo tempo é um “serviço obrigatório”. Servir a pátria é ser humilhado, acordar de madruga, tomar grito de soldados, tomar chuva ou sol durante horas, esperar calado, ficar nu diante de vários outros jovens e ser obrigado a fazer um juramento à bandeira, e depois entender que isso tudo é um direito e uma honra patriótica, chamada Alistamento Militar. Ser cidadão é ter o direito de ver na TV, um ex-presidente ser acusado de inúmeras irregularidades administrativas além do mal uso de verbas públicas e achar normal sua permanência na presidência do Senado Federal. Ser cidadão brasileiro é vibrar com a vitória de 3 a 1 ante a Argentina e não pensar que carros fabricados no nosso “Impávido Colosso” são exportados para os hermanos, e lá são vendidos muito mais baratos do que por aqui. Ser patriota é calar-se diante da desigualdade social, corrupção, inércia do nosso povo sempre “deitado em berço esplêndido” e viver feliz na última semana da novela, pois a vilã vai tomar uma surra da pobre mocinha boazinha enganada.

Mas que importa. Viva a Independência do Brasil, proclamada no 7 de setembro de 1822, e efetivada no 2 de Julho do ano seguinte, com a verdadeira expulsão das tropas portuguesas na cidade do Salvador. Viva o Brasil, no ano da França, com Sarkosy em Brasília. Viva o povo brasileiro, que anda meio à Caminho das Índias, em busca da evolução espiritual, nas margens plácidas e imundas do Rio Ganges.

Arebaguandi, passa logo o 12 de Setembro para me ver livre do 7 e só assim proclamaremos a verdadeira Independência do Brasil da invasão Firanghi que vem de lá das Terras Hindus.
Are baba, como eu odeio o 7 de Setembro e a novela das 8.

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21
jul

Será o fim do horário nobre?

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

Emissoras Lembro que na minha infância, quando as propagandas passavam durante as novelas das 6h e das 8h, eram sempre de grandes companhias e instituições. Hollywood, Free, Itaú, Ford, Vasp, Varig e, de vez em quando, uma propaganda do governo federal aqui e outra ali. Meus pais comentavam que o motivo era o “horário nobre”, um horário onde o grande público se concentrava em casa e parava para ver a TV, gerando picos de audiência. Isso, segundo os suplentes de marqueteiros que eu tinha em casa, justificava o alto preço do horário dos comerciais e, consequentemente, as grandes empresas que se apresentavam. Obviamente, fazia sentido. Coisa que só descobriria muito tempo depois. Mas, se pararmos para pensar, onde está o “horário nobre” hoje?Essa é a pergunta de um milhão de dólares para todo e qualquer analista de mercado. A TV perdeu, nos últimos 20 anos, seu status supremus de “última coca-cola do deserto” por diversos motivos.

1º) O surgimento de novas tecnologias da informação – O grande furo de reportagem aparece primeiro na internet para só depois alcançar a grande massa através das TVs. No episódio da morte de Michael Jackson, fiquei sabendo da informação por um SMS enviado pelo meu cunhado, solicitando confirmação do fato. Na mesma hora, no escritório, colocamos três notebooks conectados a portais de informação: Terra, Globo e LATimes. A confirmação chegou primeiro por um site de revista de fofoca americana. Apertávamos o F5 para atualizar as telas concomitantemente. Dentre a mensagem e a confirmação da morte não se passaram mais de 40 minutos.

Repetição e falta de criatividade2º) O público está mais exigente – As notícias, antes facilmente digeridas, hoje acabam passando por um crivo maior. A necessidade de confirmação das reportagens pelas novas tecnologias de informação é quase um direito de defesa do cidadão internauta. Michael morreu, mas só porque ficou confirmado em dezenas de sites, e não porque alguém me falou.

3º) Todos querem conforto e flexibilidade nos horários – Por que sair correndo para casa para ver o casal Bonner divulgando suas notícias mastigadas ao seu público (“carinhosamente” batizado de Homer Simpson por William), se podemos chegar bem mais tarde e assistir a tudo pela internet, com comentários dos internautas, fórum de discussões e análises críticas de diversos jornalistas sobre as notícias e outras formas de interação?

4º) O baixo nível das novelas – Não me refiro somente à toda poderosa Rede Globo, englobo todas. Todas as mulheres da minha família marcavam seus compromissos com quem quer que fosse somente depois da novela das oito. Perder um capítulo era ter a certeza de não saber o que dizer no dia seguinte na roda de amigas do salão de cabeleireiros. Hoje, essa mesma mulherada quase não acompanha às novelas. Talvez, por causa da repetição ou mesmo falta de criatividade dos autores e do público também. Lembro que durante a novela A Favorita o autor teve de mudar a novela e apresentar logo a vilã, pois o público estava deixando de ver a novela por causa da falta de um posicionamento mais direto dos personagens.

Senhores da programação5º) A segmentação dos mercados – Depois das análises do mercado, constatou-se que a propaganda em massa, apesar de eficiente em alguns casos, não consegue atingir públicos específicos de maneiras diferenciadas. Na era do Marketing 1a1, a propaganda televisiva vem cedendo espaço às mídias alternativas, às ações de marketing de guerrilha e principalmente ao merchandising (pontos de vendas).

6º) Mais ensino, menos novela – Com a proliferação das faculdades particulares, milhões de jovens e adultos passaram a trocar o conforto da poltrona por uma cadeira de estudante universitário noturno.

7º) O direcionamento do assunto – De que me importa se a chuva no Nepal acabou com a plantação de arroz ou ainda se um ursinho ficou preso no gelo no Alaska? Essas informações, apesar da minha comoção com os plantadores e com o pobre animal, não acrescentam nada à minha vida. Preferiria ver Nizan Guanaes e Washington Olivetto falando sobre as projeções de 2010 e 2011 para o mercado publicitário. A internet nos dá essa possibilidade de escolha de programação. Vamos atrás daquilo que realmente nos interessa e não ficamos passivos, hipodermicamente recebendo notícias. Somos muito mais que a mão no controle remoto; somos os senhores da programação, quase o editor-chefe da redação. Selecionamos o que nos interessa e não perdemos tempo com o pobre urso.

Quem faz o horário somos nós

Todos esses tópicos serviram apenas para mostrar que o horário nobre, apesar de sustentado por muitos especialistas, simplesmente morreu (ou anda agonizando). Hoje, para o terror dos analistas de mercado, quem faz o horário nobre é o próprio público. Conheço pessoas que não sabem nada sobre as TVs fechadas e têm pavor da TV aberta. Uma professora confessou-me que não tem televisor em casa, pois enxerga a programação televisiva como um aparelho de manipulação. Esse grande ditador de verdades com antenas, apesar dos esforços em se renovar, parece perder cada vez mais espaço. Não vai acabar, obviamente, mas perderá ainda mais a sua importância ao longo dos anos.

O horário nobre, caros amigos, quem faz somos nós. Onde você lê suas notícias? O que você procura para se distrair? E, o principal, qual o seu horário disponível para a televisão?

Atentemo-nos, senhoras e senhores, para essa informação. Horário nobre, agora, é algo quase particular. Cada um tem o seu. O meu, informo a grande mídia que queira me encontrar preso em frente à TV, está localizado entre 22:30h e 2 horas da manhã. E o seu?

Por Erick Cerqueira

 

Extraído do Observatório da Imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=547TVQ002

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