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16
mai

Sobre políticos e eleições

   Posted by: Erick Cerqueira    in Política

Estamos em plena corrida eleitoral. As propagandas políticas, liberadas apenas para julho, já povoam todas as manchetes dos jornais. Mas será que já conhecemos os nossos presidenciáveis?

A pequena grande desafiante
De um lado, uma candidata de origem humilde, ex-seringueira, ex-ministra do meio ambiente, oriunda dos movimentos populares e do PT, Marina Silva. Poucas chances de ser eleita, pela falta de espaço na mídia e principalmente por possuir pouquíssimo tempo na TV no Horário Eleitoral Gratuito. Engraçado esse termo, “gratuito”. Os pequenos partidos, sem chance alguma de eleição, acabam se juntando aos grandes partidos na esperança de conseguir uns cargos na gestão vencedora. Não seria isso uma negociação envolvendo dinheiro? Pois bem, continuemos agora, falando dos Grandes.

Eu não sou FHC, acreditem!
No outro canto, uma aliança antiga e recheada de mágoas, desavenças e traições mútuas traz uma outra proposta. PSDB e DEM (ex-pfl, ex-arena) apostam suas fichas em uma figura obscura e com histórico de derrota na corrida presidencial. Sobre ele a responsabilidade de reconquistar o poder dos tempos de FHC. Porém, os assessores de marketing, do partido, possuem problemas terríveis para resolver com a comunicação. Como falar de governo presidencialista do PSDB/DEM, fazendo com que a população não associe esse “novo” projeto com o governo FHC? Como dizer “governaremos para o futuro” e apresentar uma política recheados de figurinhas carimbadas dos tempos do Fernando Henrique? Mas o maior problema é esse: precisamos evitar comparações dos governos FHC/Serra com a gestão Lula/ Dilma. Porém, como fazer isso? Precisamos bater em Dilma, sem citar o sacro nome do presidente da república no auge dos seus 80% de aprovação. Seremos o pós-Lula, nunca o anti-Lula. Ao nosso lado a imprensa marrom/ azul/ amarela. O povo é só um detalhe, diria Justo Veríssimo. A gente manipula com notícias semióticas, informações apócrifas e uma boa fala no horário político eleitoral. O resto é comício…

Eu sou Lula, acreditem!
Em contrapartida, surge uma candidata técnica demais para um público popular demais. A falta da experiência política de Dilma é um calo para Partido dos Trabalhadores. A estrela dela nunca brilhará como a do atual presidente. Dilma é a cara do PDT, do PMDB, não do PT. Possui o apoio de Lula, mas não o seu carisma. Fez plástica para ficar mais “apresentável” ao grande público, mas seu jeitão de tecnocrata é indisfarçável. Distribuiu sorrisos no carnaval de Salvador, mas não toma cachaça, nem torce pra o Corinthians paulista. Seu sorriso tornou-se mais constante, contudo ainda não chegou no “ponto”. Está sendo trabalhada, moldada, dilapidada e esculpida para disputar a sua primeira eleição. E isso é o seu maior ponto fraco. Como ela se sairá nos debates, nos palanques, no contato com o povo, nas alianças políticas? Confesso que não vejo a Sra. Rousseff beijando criancinhas negras no interior do sertão. A seu favor, seu partido e a máquina governamental atual. Duvido que ela tenha viajado tanto, e em tão pouco tempo, na sua vida inteira. Possui ainda as credenciais de ter implantado projetos importantes do atual governo, como o PAC e o “Luz para todos”. Seus inimigos usarão seu passado para descredenciá-la. Um empresário de São Paulo à chamou de “guerrilheira”, em conversa informal. Porém, usado de forma correta, seu passado de combatividade, à ditadura militar, pode ser mais bem usado que o exílio do Serra.

Lula no HardTalk

Política mais sem graça
Pois é, senhores. Está chegando a hora de votar. Sinceramente, a única coisa que me entristece nessa “festa da democracia”, onde todos nós somos obrigados a exercer esse nosso “direito”, é que ganhe quem ganhar teremos um governo mais chato. Serra ou Dilma, nunca mais teremos as grandes frases, quase diárias, do Lula. Suas tiradas engraçadas, seus erros de português. A política ficará mais sem graça, com certeza.

Assisti recentemente na internet, as entrevistas de Lula e FHC no programa da BBC, Hard Talk. O ex-presidente foi humilhado. Parecia um expert em política brasileira detonando o senhor Fernando Henrique em todos os pontos fracos do seu governo. Um prato cheio pra campanha petista desse ano. Já Lula, sorridente e descontraído, chegou a dizer ao apresentador: “estou sendo obrigado a convidá-lo pra ir conhecer o Brasil“. Apresentou dados do seu governo e colocou em saia-justa o apresentador Stephen Sackur quando este o questionou sobre as pretensões da expansão das áreas de plantio de cana para biodiesel, no Brasil, já que o país terá um dos mais importantes papéis na preservação do meio ambiente, por causa da Amazônia. O jornalista não esperava ouvir isso de um ex-metalúrgico:
- Primeiro: se você pegar o que existia de floresta no mundo há dois mil anos atrás. O Brasil ainda tem 68% das suas florestas. A Europa só tem 0,3%. Segundo: não tentem jogar a culpa em cima dos países pobres e em desenvolvimento pela responsabilidade da poluição do planeta. A poluição do planeta, ela tem 65% de responsabilidade dos países desenvolvidos

Stephen Sackur insistiu perguntando: por que um presidente que se diz o “pai dos pobres”, ainda governa um dos países mais desiguais do mundo. E ai, ouviu uma das grandes tiradas do presidente, disse ele: porque se eu tivesse um milagre, de resolver em quatro anos, os descasos de 500 anos, eu não seria presidente. Seria Deus.
Sinceramente, independente de quem ganhe essa eleição presidencial, sentiremos saudades do Lula Lá.

Por Erick da Silva Cerqueira

Assista a entrevista de Lula no Hardtalk:

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13
fev

TV Senado em ritmo de Carnaval

   Posted by: Erick Cerqueira    in Política

Fotógrafo: José Cruz - Agência Senado

Senado Federal - cheio de desencarnados

Manhã de uma sexta-feira de carnaval e assim como todo bom baiano, assistia entediado a folia pelas manchetes da televisão. De repente, numa “zapeada” deparo-me com uma outra figura momesca. Era o senado Mão Santa(PSC-PI),presidindo uma sessão do Senado Federal, em pleno carnaval. Quase emocionado, parei para assistir aquela inusitada cena.

Com imagens muito fechadas, os hábeis editores da TV Senado tentavam esconder a realidade de uma sessão plenária com 05 nobres senadores, os quais faço questão de nomear: Mozarildo Cavalcanti (PTB – RR), Pedro Simon (PMDB-RS), Adelmir Santana (DEM-DF), Marina Silva (PV-AC) e o próprio 2º Secretário Mão Santa. Como num acordo de cavalheiros, os ilustres senadores do PT e do PSDB sumiram para não comentar o “mensalão brasiliense” e a tentativa de suborno que levou a prisão o Governador do Distrito Federal. Afinal, mensalão trocado não dói. Coube ao senador Mão Santa o papel de chamar ao púlpito a única senadora presente ao local. Porém, antes de chamá-la ao microfone da casa, rasgou elogios à postura ética, profissional e ao passado da futura candidata à Presidência da República, auxiliado nessa missão pelo peemedebista Pedro Simon. Porém, antes de falar sobre esse maravilhoso discurso proferido pela Candidata Verde, uma historinha. Lembrei que no Centro Espírita, onde frequentei, quando havia pouquíssimas pessoas presentes os trabalhos aconteciam da mesma forma. Afinal, nas cadeiras vazias estavam vários “desencarnados” precisando de ajuda, também. Pensei: será que aqueles pouquíssimos senadores estavam ali no palanque pensando nos 04 senadores presentes e nos “desencarnados brasilienses” ou aquilo era o reflexo da força da TV Senado, que leva a mensagem de Brasília para todo país? De qualquer forma, fico feliz. Ou pela religiosidade dos senadores ou pela força da imprensa ali presente. Mas, voltemos à Marina.

A nobre senadora empolgou a todos com seu discurso. Anunciada pelo presidente da sessão com a frase de São Francisco de Assis, “onde há desespero que você traga a esperança”, falou do desinteresse dos senadores ausentes pelo gravíssimo fato acontecido na noite anterior. A prisão do primeiro Governador em atividade desde a ditadura militar. Afirmou estar feliz pela prisão, mas triste pelo colega Arruda, pois imaginava o sofrimento dele na cadeia (coitadinho). Disse que havia se emocionado quando há 10 anos, o mesmo Arruda, então senador, assumiu ter fraudado a segurança do Painel do Senado. O intuito era atender a um pedido de um folclórico ex-senador baiano (melhor não citar o nome), que desejava chantagear seus adversários políticos com as informações de “quem votou o que” na cassação do mandato do ex-senador Luiz Estevão. Mas aquele delito não deu certo e tanto Arruda quanto o senador baiano pediram licenças dos seus cargos para não serem cassados, lembram?

Marina falou ainda que desejava a justiça e não uma vingança. Brilhantemente disse que ninguém deve se vangloriar de ser ético, pois isso é uma obrigação do ser humano (principalmente político) e não uma qualidade a mais. Citou suas conquistas e suas vitórias como ministra, inclusive às vitórias conquistadas após a sua saída da pasta. Elogiou FHC e Lula, mas deixou escapar uma ponta de mágoa contra o atual presidente. Lembrou Mandela, citou Chico Mendes, falou sobre a educação, programas sociais, enfim. Foi um fantástico discurso da senadora que mereceu os aplausos das 5 testemunhas presentes ao local e cm certeza, das outras pouquíssimas pessoas que à assistiam em suas casas via TV.

Pedro Simon subiu ao púlpito depois de uma fala empolgada do Senador Mão Santa que historiava desde Ruy Barbosa até Marina Silva, à qual denominou de “luz ante as trevas”. O senador gaúcho, emocionado ante o discurso que ouvira, falou com pausas longas, como quem deseja impor um tom mais denso às suas palavras. Pediu que os seus assessores encaminhassem por email, a convocação para que todos os assinantes do seu newsletter assistissem pela noite, a reprise daquele profético (sic) depoimento da senadora acreana. Vociferou contra seu partido, o MDB (ele ainda vive sem “P”), que não teve coragem de lançar candidato próprio para presidente e viveu de favores nos últimos 16 anos, se aliando aos governos de FHC e Lula. Santificou as palavras de Marina, afirmou ter rezado por Arruda e estar triste por ele. Porém, disse ter consciência que aquela prisão foi necessária e era importante para a Democracia. Saiu da bancada afirmando que se a candidata do PV tiver uns 4 minutos no programa eleitoral gratuito e repetir discursos com aquela magnitude, teremos uma terceira força na disputa política presidencial esse ano.

Confesso que ganhei meu carnaval. Já podia me alienar tranquilamente ouvindo os “lelelês” do Chiclete com Banana, os “thê thê thês” da Timbalada e ir “na base do beijo” com Ivete Sangalo. Tínhamos senadores trabalhando em plena folia de Momo, Marina Silva representava a nova luz no fim do túnel da ética política brasileira, Mão Santa se mostrara um grande historiador, Simon admitia que o seu partido (MDB) estava entregue a uma “legião estrangeira” e Arruda estava preso com pedido de Habeas Corpus negado pelo ministro do STF, Marco Aurélio de Mello. No fim do dia o Presidente da República comemorou a não-extinção das pererecas e fez-se o carnaval na platéia. Enquanto isso, na Bahia o Rebolation já vai começar e resta-me apenas, encerrar franciscanamente pedindo: Oh Mestre, fazei com que eu procure mais, compreender que ser compreendido, porque em termos de política brasileira, perdoar para ser perdoado, está cada vez mais difícil.

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