Posts Tagged ‘Salvador’

13
mai

A Odisseia do pobre e a falta de educação

   Posted by: Erick Cerqueira    in Humor

Toca o despertador. Olho e meio incrédulo enxergo um número quatro antes dos dois pontos… Hora de levantar. Procuro minha sandália, não acho. Vou descalço pra o banheiro e o chão frio me desperta de uma vez. Ligo a luz e descubro, faltou energia. Maldita Coelba… Escovo os dentes rapidamente e me jogo debaixo dá água gelada. Meio congelado desperto minha esposa.

- Acorda amor. Senão não pegamos a “ficha” do Posto de Saúde para levarmos nosso filho. Olho meu filho ainda dormindo e com a inocência dos poucos meses de vida, não imagina a odisséia a ser vivida pelos seus pais.

Guernica moderna

Guernica Moderna

Tomamos café correndo e saímos. Pisando em lama, caminhamos até o ponto de ônibus. A prefeitura não asfaltou a rua até hoje… Chuvisca e ficamos expostos a chuva debaixo da falta de proteção do ponto. Dezenas de minutos depois vemos o maldito chegar atrasado no horizonte. Mas, para meu consolo, a frente do mesmo encontra-se vazia. Ao menos será uma viagem tranquila. Ledo engano. Subo os degraus me segurando e protegendo minha esposa e filho dos empurrões apressados dos nossos colegas de viagem. Dentro do ônibus, um imprevisto. Percebo que mesmo com a frente vazia, o fundo está lotado. Lembrando dos heróis de borracha vou me esgueirando entre o corredor humano a minha frente.

Finalmente, vencido a barreira da primeira metade do ônibus, vejo espaço. Ao menos, pelo alto. No chão, sete caixotes de mangas, de uma senhora simpática, estão sendo levados para serem vendidos na Feira de São Joaquim. Penso rápido: agora, já era. Olhe em volta e vejo um estudante fingindo dormir para não dar o lugar a minha esposa com meu filho no braço. Armado com duas sacolas enormes de crianças (nunca entendi tanta coisa pra um menino tão pequeno) e minha pasta do trabalho na outra mão, sinto mais dois caixotes entrando pela frente do “coletivo” e apertando meu pé. Junto com a caixa um grito :”Ó o pé ai veí”. É o fim. Revolto-me e solto um singelo “ó o pé ai uma p…, minha senhora. A senhora tá pensando que isso aqui é o que? Caçamba? Isso é um “coletivo” e não tem mais lugar pra tanta caixa aqui não. Vá colocar sua caixa na cabeça” (mudei a parte do corpo por uma questão didática). Agora sim, sou o senhor dos meus 30x20cm de chão no maldito buzu.

De repente ouço os murmurinhos… “Que grosseiro, como pode fazer isso com uma senhora de idade, uma guerreira que está tentando ganhar a vida honestamente…” Olho pra trás num impulso e as bocas estão todas cerradas. Finalmente salva-se uma alma do inferno e um dos pseudo-entorpecido, talvez assustado com minha explosão, cede o lugar a esposa com a criança no colo.

Cinco pontos e alguns insultos disfarçados depois, chegamos ao ponto do Posto de Saúde. Desço as escadas do “ônibus” sob os olhares de reprovação ao meu ato, mas feliz de tê-lo feito. No Posto, uma senhora desencorajada me pede uma papelada do tamanho do meu filho para poder vaciná-lo. Depois de analisar o livro, nota que a receita médica está sem a data. Me diz então em tom quase sarcástico:  
“- infelizmente, sem data, não podemos fazer nada…”
Imploro pra que a mesma repense o seu ato, considerando o meu transtorno e minha odisséia hercúlea, vivida antes do sol raiar, ao que ouço:
“- Se eu fizer isso posso ser até processada”.
Num ímpeto, perco a paciência e apresento a carteira da OAB dizendo: se ocorrer isso, eu defendo a senhora, sem problemas e de graça. Com fisionomia alterada, a mesma finalmente cede e aplica a vacina em meu filho. Agora, penso: e se não fosse advogado? Esqueço o “se” e saiu satisfeito e regozijado pelos 6 anos no banco da faculdade…

NÃÃÃÃÃÃÃÃO.

Acordo assustado, olho o relógio e vejo 08:55h. Ao meu lado, minha cachorrinha se espreguiça empurrando minhas pernas. Minha esposa nem se abala com o meu grito… Fito-a dormindo como um anjo e me acalmo. Meu filho, ainda não existe. Não precisei acordar antes do sol, não peguei ônibus via São Joaquim, nenhuma caixa de manga amassou meu sapato, não gritei contra a falta de educação da senhora, não tive ódio do menino que fingia dormir e o mais importante: não carreguei o Vade Mecum por seis anos na minha mochila. Era só um pesadelo…

O problema é que essa história é real. Foi contada por um grande amigo que ficou sem carro por um período e sofreu pra sair de Camaçari e chegar em Salvador para vacinar o filho. E sabe o que é pior? Ela se repete a cada dia com milhares de pessoas. E nós, com pena da “senhora das mangas”, alimentamos a falta de educação e o desrespeito com o espaço alheio, ficando piedosos e sentidos pelo esforço da idosa. O mundo está perdido… Certo mesmo é o jovem mal-caráter que finge que dorme pra não dar o lugar. Afinal, o que os olhos não vêem, o coração não sente…

Por Erick Cerqueira

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2
jan

Propaganda baiana – Page under construction

   Posted by: Erick Cerqueira    in Marketing

Ando meio decepcionado com o mundo da propaganda local. E o pior, justo agora que depois de 15 anos na área de criação, tomei coragem para enfrentar uma Faculdade e estou prestes a me forma em marketing. Não sou nenhum Marco Gavazza, com experiência e tempo de sobra pra se desiludir com a área (falarei disso mais a frente), mas é triste ver erros primários sendo cometidos por empresas gigantescas.

Uma das ferramentas mais importantes da propaganda atual é o site da empresa. Imaginemos que a empresa “X” resolve conhecer as empresas de propaganda de Salvador através da internet. Conhece a fama da PROPEG, vai lá e digita www.propeg.com.br (lógico). Resultado: página fora do ar desde o dia 30/12/09 até a manhã do dia 02/01/10. Ou seja, a Propeg virou o ano, fora do ar. Mas tudo bem. É só demitir o pobre do estagiário que não viu isso e pronto.

E segue a procura. Ouve falar da ENGENHO NOVO, que recentemente tomou uma coragem desmedida e fez propaganda de si mesma, algo extraordinariamente inusitado na Bahia, onde agência de propaganda não faz propaganda de si. O site da EngenhoInova, inovou. Fundo amarelo, marca nova e… SITE EM CONSTRUÇÃO. Como diria minha mãe, “o ano passou por cima deles, que dormiram no Réveillon”.

A AGÊNCIA ÚNICA foi outra grande decepção. Os consultores da Empresa “X”  encontraram o link da empresa em um site de buscas que a referenciava como “site inovador”, mas quando acessaram o site… Porém, apesar da famigerada “Página em Construção” encontrada no site da ÚNICA, eles tiveram o cuidado extra de comunicar os seus contatos de “e-mail e telefone” na sua Home Page Under Construction.

Aí, veio a pergunta. Porque será que as agências não deixam os sites antigos e só substituem pelos novos quando os novos estiverem prontos?

Depois dessas decepções nos sites, os consultores da empresa “X” lêem um artigo do Marco Gavazza com o título “O tempo passa, o tempo vôa“. Nesse artigo o publicitário nos mostra a triste realidade da propaganda baiana, que segundo ele, empacou nos clichês e nas fórmulas prontas de se fazer comercial definidas no século passado.  E se entristecem.

Decepcionados e quase desistindo da busca os consultores da “X” começam a encontrar empresas de propaganda que cuidam da sua imagem.

A IDÉIA3 dá um show em seu site. Rápido, bonito, limpo, bem distribuído e muito adequado ao conceito da campanha da empresa. Os olhos do consultor da “X” começam a brilhar de empolgação.

Procurando mais um pouco encontra a LEIAUTE. Um site com conceito interessante, brincando com as histórias infantis e mostrando aos personagens delas que a Leiaute oferece a solução para suas necessidades. Simples, genial e o site tem um “jeitão” de Blog…

Quase definido entre as duas últimas empresas, os consultores da “X” encontram o site da LINK Comunicação e Propaganda. Um site elegante, simples e direto, onde a agência procura mostrar seus últimos trabalhos na página inicial e salientar as grandes empresa à quem atendem.

Felizes e não mais decepcionados com a propaganda baiana, a empresa “X” convoca as donas dos três melhores sites para conversar e fechar negócio. Entre elas estará a vencedora da gigantesca conta de publicidade da multinacional “X”.

Obviamente as grandes multinacionis não definem assim as agências de publicidade que irão deter as contas. Mas o “cartão de visita virtual” de algumas empresas de publicidade de Salvador, precisa ser revisto. Ou então, ficaremos com o enorme sentimento de “casa de ferreiro, espeto de pau”, advindo de quem cuida da propaganda baiana. E se não sabem cuidar da imagem deles, como irão cuidar bem da imagem dos seus clientes?

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Sites pesquisados entre 30/12/09 e  02/01/10

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