Posts Tagged ‘serra’

9
set

Povo ignorante, vassalo e vendido

   Posted by: Erick Cerqueira    in Comunicação, Política

Assisti o Bom Dia Brasil do dia 09 de setembro de 2010. Confesso não lembrar a última vez que fiz isso, mas talvez o motivo seja o mesmo. É muita tentativa de manipular o povo. Porém procurei ficar longe de tentar enxergar “intrigas da oposição” no programa global, pois meu pai falou que “vejo coisa onde não existe” quando se trata de política e, principalmente, críticas ao governo Lula. Então ouvi com isenção e vou apenas reproduzir um bloco que assisti.

Hardy - A Miriam Leitão dos desenhos animados

Como sempre acordo tarde, liguei a TV a tive o desprazer de ver a urubóloga Miriam Leitão. Ela me lembra muito a hiena Hardy da Hanna Barbera, que dizia: “Oh dia, Oh céu, Oh Azar… isso não vai dar certo!”. No momento que a imagem apareceu no televisor, a dona Miriam estava criticando os números da pesquisa do IBGE, sobre o saneamento básico nosso país. Ela dizia: “saneamento é um dado que não melhora nunca”. Aí fui pesquisar sobre a pesquisa Pnad 2010. No gráfico, o acesso ao saneamento passou de 46,4% em 1992, pra 59,1% em 2010. Ou seja, em números frios, seriam 12,7% de aumento. Mas a população brasileira cresceu. Em 92 éramos 145 milhões e hoje somos 200. Calculando as porcentagens teríamos 67 milhões de atendidos em 92 e hoje seríamos aproximadamente 118 milhões. Mas pra que fazer conta? O povo não iria entender mesmo… Para fechar uma frase da Miriam: “as empresas privadas conseguem levar esses bens ao consumidor, mas o poder público, não. E a telefonia é o dado mais exuberante”. De repente notei a economista sorrindo, seu rosto se transfigurando e ela começou a falar bem de algo. Era uma matéria sobre a privatização das telecomunicações do Brasil. Contava entusiasmada como o número de telefones cresceu assustadoramente no país. Mais de 300% ou coisa assim. E como barateou a telefonia no Brasil. Ou seja, privatizar foi bom. Como as privatizações ocorreram no governo FHC, foi melhor ainda. Ah, ela se esquece de dizer que antes das privatizações “teles”, o mercado de celular estava apenas começando no país. Ou seja, o crescimento seria iminente de qualquer forma. Depois a Sra. Leitão comparou o baixo crescimento do saneamento com o alto desempenho das telecomunicações. Ou seja, comparou canos com celulares. Quase a mesma coisa, implicância minha…

De Fidel à Ficha Limpa

Por qué non te callas, Miriam?

A manchete se virou para o pronunciamento do “companheiro” Fidel Castro assumindo que o modelo econômico de Cuba já não atende mais as necessidades do povo cubano. Aí o sorriso da Miriam beirou o de Angelina Jolie (não, nem tanto). Feliz como pinto no lixo arrasou a vida do Fidel com ironia. “É com um pouco de atraso que ele admite isso”, sorria como se tivesse conseguido o impeachment do Lula. Tá bom, tá bom, vou me ater aos fatos, sem opiniões.

De volta ao Brasil, o Bom Dia ressaltou a recusa do TSE em aceitar a candidatura do Joaquim Roriz. Ponto para o projeto “Ficha Limpa”. Quem foi o relator desse projeto mesmo? Ah, o Índio da Costa, candidato a vice do Serra. Só pra lembrar.

Seguindo o jornal passamos para a matéria da vez: a quebra dos sigilos do pessoal do PSDB. Agora foi o genro do Serra. Depois do “escândalo” do governo fraudando dados sigilosos para obter informações sobre o genro do Serra (um ilustre desconhecido) vem o desfecho. Serra acusando a vergonhosa manipulação do PT para ganhar as eleições. Mas como esse povo do PT é burro, cá entre nós. Vivem fazendo dossiês contra os adversários e são sempre os adversários que querem ganhar algo com isso, não é? Ah, hoje o Vox Populi/ Band/ IG deu uma derrocada da Dilma de 56% para 54%. Serra disparou de 21% para 21%. Depois do Serra, Dilma se explicando e Marina pedindo mais rigor nas investigações. Normal.

Alexandre Garcia e o povo ignorante, vassalo e vendido

O povo brasileiro, segundo Alexandre Garcia

Aí vem o Alexandre Gracinha, aquele que fazia piada com os políticos na década de 90, falar sobre o analfabetismo no País.  E os números preocupam. Em 1992 tínhamos 17,2% de analfabetos no país. Hoje eles representam 9,6%. Em números frios, diminuição de 7,6%. Em números absolutos, éramos 120 milhões de alfabetizados e passamos pra 180 milhões. Um nada. Afinal como diria Mark Twain, estatística é a arte de espremer os números até que eles confessem!

Não contente com o desastre da educação brasileira ele foi além na sua revolta. Retirei apenas algumas frases do Sr. Garcia para ilustrar o seu raciocínio: “imagina quem apenas se alfabetizou, passou apenas pelo ensino fundamental, ensino médio, mas é alienado, desinformado, não lê e não sabe pensar”. Quem será que sabe? Ele? Talvez. Depois vociferou se engasgando em suas próprias palavras: “no momento em que a maioria for beneficiada por uma revolução na educação, que não se contente em alfabetizar, mais em aguçar a curiosidade, o raciocínio, a leitura, a cidadania… Aí a vontade dessa maioria nas urnas vai ter resultado bem diferente. Essa que é a base do sonhado Brasil do futuro. É por isso que educação liberta. Por que transforma clientes, vassalos em cidadãos com luzes e vontades próprias?”. Poético e profundo, veio-me lágrimas aos olhos . Mas traduzindo: ainda não aprendemos a votar. O povo é ignorante, vassalo, vendido ou comprado, alienado, não lê e vai votar em Dilma. Tudo que não presta.

Ô povinho burro são esses brasileiros. Como podem ser tão alienados assim? Como podem deixar esse cidadão honorável e imparcial, perder a compostura desse jeito em âmbito nacional. Vocês vão matar o eminente Alexandre Garcia desse jeito… Vão ler e aproveitem para desligar os televisores. Seria muito melhor pra o Brasil e pra mente de vocês que ainda teimam em dar crédito à Rede Globo de Televisão. Desculpa pai, mas não consegui. É demais para minha inquietação alienada e ignorante, mas que não se deixa levar pelos meios de desinformação de massa. E pra provar que aceitei o seu conselho e não estou vendo política em tudo, coloco abaixo um insuspeito banner de publicidade da Globo.com. Afinal não se refere a eleição e é bonitinha a mensagem. Beijo, pai.

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2
set

E agora, José?

   Posted by: Erick Cerqueira    in Marketing, Política

A campanha falida de José Serra à presidência desperta em mim algumas certezas e muitas dúvidas. Não acredito que o insucesso dele tenha sido obra de uma estratégia errada de campanha. Culpar o Luiz González pela derrocada do candidato é no mínimo mesquinho. Afinal, “Marketing é um processo social por meio do qual, pessoas e grupos de pessoas obtêm aquilo de que necessitam e o que desejam com a criação, oferta e livre negociação de produtos e serviços de valor com outros” (KOTLER e KELLER, 2006). Baseando-se no “pai” do marketing (já sei, falar em pai é “infantilizar” o leitor)  podemos avaliar que a campanha teve o rumo CORRETO. O problema é que o brasileiro simplesmente não deseja (e nem necessita, em minha opinião) do produto que o González tem pra oferecer. Na verdade, o González fez o que qualquer outro profissional da área faria. Por exemplo, vamos fazer uma rápida análise de S.W.O.T. (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats), analisando os pontos fortes, fracos, as oportunidades e ameaças da campanha José Serra.

Pontos Fortes
A campanha vem mostrando o que ele fez por São Paulo, como prefeito e governador, apresentou as suas qualidades como homem público, contou sua história vencedora de menino pobre que ficou rico, exibiu suas qualificações acadêmicas, o seu passado de luta política e estudo no exílio. Um ponto pra o González.

Pontos Fracos
Aqui tentou-se de tudo. O Serra sempre teve uma carrancuda expressão frente a opinião pública. O González tentou humanizar o Serra (lembram da foto de mãozinha no queixo na capa da Veja, à la Obama?).
O Serra sempre foi candidato da Elite Paulista, mas precisa do povo pra elegê-lo nacionalmente. A campanha tentou levar ele pra um churrasco em favela (ele inventou de tirar foto da churrasqueira, queimou a estratégia). Colocou um sambão na favela, mas era uma favela falsa. Serra aparece sendo carregando pelo povo, mas o candidato saiu com cara de assustado na foto. Mudaram de Serra pra Zé, mas não colou.
Serra era fraco no resto do país. Viajaram o país inteiro, mas ele disse por duas vezes, em entrevistas, não entender o sotaque dos jornalistas dos outros estados.
Serra era candidato de oposição a um atual presidente com alta popularidade. Inventaram o Pós-Lula, ao invés do anti-Lula (lembram da capa da Veja com a mãozinha no rosto). Mas só colou até o horário político eleitoral gratuito começar e Lula afirmar sua candidata. Nem mesmo a tentativa de colocar a foto do Serra com Lula no programa político, no maior  processo de estelionato eleitoral da história, deu certo. Ou seja, tentaram de tudo. Ponto pra González de novo.

A Ficha Falsa de Dilma. Covardia da FOLHA

Oportunidades
Em termos de oportunidades, tentaram explorar o passado de Dilma. Desqualificaram-na como terrorista, bandida, assassina… Disseram que ela armava um fuzil de olhos vendados (o Jô perguntou a ela isso em entrevista). Endemonizaram sua campanha tentando falar que seria a volta dos “Radicais do PT” (àqueles que comem criancinhas) ao poder na capa da Veja. Publicaram ficha falsa da Dilma no DOPS em um jornalão cada vez mais sem prestígio (vide os números da Dilma).
Transformaram as entrevistas com os candidatos na Globo em palanques para desqualificar Dilma, ajudar o Serra a aparecer bem e usar a Marina para criticar o PT. Nas três entrevistas do Jornal Nacional falou-se sobre o mensalão do PT e nenhma frase sobre o escândalo do ex-vice de Serra, o José Arruda, ou sobre o mensalão do DEM. E no Jornal da Globo o Zé, em casa, minimizou o mensalão do DEM em comparação com o do PT, justificando um erro com outro. 

A imprensa tenta desqualificar o Governo atual a todo instante. Só como exemplo, elegeram o Ministério das Relações Exteriores do Brasil como sendo o maior fiasco do Governo. Só é confuso tentar entender o porquê do Lula tenha sido eleito o homem do ano de 2009 em quase todos os jornais e revistas respeitáveis do mundo inteiro. Ou ainda o Barack  Obama ter tido “this is the man“, referindo-se ao chefe do Ministro Celso Amorim. Vai entender o Times, Le Monde, entre outros…
Tentaram até desqualificar o Lula, dizendo que ele não iria ter a capacidade de transformar seu carisma em votos à sua candidata. Deu no que deu.
Inventaram o caso da criação do Dossiê do presidente do PSDB. Deu em nada. Agora quebraram o sigilo bancário da filha do Serra. E o papai Serra, atribuiu à “Turma da Dilma”, mesmo sem provas. Mas com que finalidade à Turma da Dilma faria isso? Só se for pra perder as intenções de votos que eles tem da candidata.
Ou seja, a grande imprensa é toda Serrista, ou alguém ainda duvida disso? O William Waack já o definiu como o “nosso candidato” (sic) no Jornal da Globo. 
O problema do Partido da Imprensa Golpista é que hoje existe a internet e os “blogs sujos” (de acordo com Serra são os blogs que não concordam com ele) para rebater as notícias da grande mídia.

Ameaças
Aí é que mora o problema. O mercado era completamente desfavorável. Lula tem a aprovação de 80% da população. Conseguiu transferir 51% da sua popularidade para sua candidata. O Brasil cresce, tornou-se a quinta economia mundial, pagou as dívidas passadas e até emprestou dinheiro ao FMI. Fazemos parte do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) liga dos países emergentes no mundo, a miséria vem diminuindo no país, a classe C e D passaram a consumir mais, o povo vem comendo três vezes por dia (como desejava o Lula no início do Governo), o Bolsa Família é um sucesso e pra piorar, a estratégia do “Pai Lula” e da “Mãe Dilma” foi perfeita, cá entre nós…

Show da “virada”?
Ou seja, o problema é mais grave do que parece. Não basta culpar o González somente. A conjuntura não o ajuda. Então o que fazer pra “virada” acontecer?
Bem, minha consultoria está até barata ultimamente… Falando sério, no caso do “Zé” Serra acho que nem o bruxo americano dá jeito. Mas com certeza não será essa nova propaganda, apócrifa, desqualificando os “amigos da Dilma”, que irá ajudar. O caminho ainda não é esse… O problema do Serra mais amplo e foi cantado na música do Paulo Diniz. “Você é duro José”…

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21
ago

A imprensa de oposição ao Brasil

   Posted by: Erick Cerqueira    in Política

É impressionante o desespero da imprensa paulista/carioca ante a queda nas pesquisas do seu presidenciável. A crise da mídia é tamanha, que a presidente da Associação Nacional dos Jornais e executiva da Folha de São Paulo, Maria Judith Brito assumiu: “obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada”.

O interessante é ler alguns trechos do esquecido juramento dos jornalistas nas cerimônias de formatura: “Juro, no exercício das funções de meu grau, assumir meu compromisso com a verdade e com a informação”.

Mas a coisa está feia para o “Partido da Imprensa Nacional”. O Serra despenca nas pesquisas, em dois dias de programa eleitoral gratuito, cometeu duas gafes que viraram piada na internet (“Serra come todo mundo” e “A favela fake do Serra”), a economia vai bem, o país cresce, a inflação cai, o desemprego cai e pra piorar, a candidata Dilma começa a ser conhecida como a “candidata do Lula”.

A jornalista Miriam Leitão, em O Globo, partiu para um ataque desesperado em seu artigo “o donatário” . Chamou o presidente de donatário, acusando-o de estar passando a Capitania Hereditária Brazil, para as mãos da sua sucessora. Algo não salutar para a democracia. Engraçado é lembrar que o foi o PSDB do Serra, candidato da oposição, logo da ANJ, que estabeleceu a emenda da reeleição no nosso país, num controverso processo desencadeado por suspeitas gravíssimas de compra de votos. A Sra. Leitão ainda nos impõe a supremacia do povo americano sobre o brasileiro. “Lá, eles não acham que eleitores passam de mão em mão como uma massa sem vontade própria”. Ou seja, o governo trata o povo como ignóbeis seres acéfalos e, como mostra o sucesso da candidata Dilma, ele estaria com a razão. Será?

Josias de Souza, no site da Folha de SP (aquela mesma da opositora Maria Judith), é ainda mais explícito na sua matéria “Disparada de Dilma atesta o êxito dos planos de Lula”. Aponta os erros e acertos das campanhas tucanas e petistas, respectivamente. Depois finaliza com uma frase digna do mais ferrenho apaixonado psdbista. Chama a  candidata líder nas pesquisas para presidente da nossa república de “uma ex-poste que ameaça converter José Serra no mais preparado ex-futuro presidente que o Brasil já teve”. Pensemos: a ex-poste é a ex-Ministra da Casa Civil. E o mais preparado é o “despencante” presidenciável da imprensa paulista.

A Folha é Trombeta e não o The New York Times

Neto. O filósofo assistente de "A Trombeta"

A imprensa faz um papel muito próximo do jornal da fictícia cidade de Sucupira, do filme o Bem Amado. Pensando bem, a Folha de São Paulo está mais para o Jornal “A Trombeta” do que para o The New York Times.  No filme, o jornalista e ex-candidato ao cargo de prefeito da cidade, Vladmir, discute com seu subordinado, Neto, sobre o erro do povo em eleger Odorico de Paraguaçu em detrimento da sua candidatura. O assistente fala uma das melhores frases do filme: “a culpa é dos gregos, que criaram a democracia”.  Vladmir retruca: “mas nós somos os verdadeiros representantes da maioria”. E Neto, finaliza de forma genial: “mas é preciso que a maioria também pense isso”. Pois é, mas infelizmente (para a Folha e seus apaziguados) a maioria parece não pensar assim. Quanto ao trabalho dessa parte da imprensa, claramente partidária e golpista, resta apenas mais uma cartada. Transbordar suas páginas com notícias falsas sobre os terríveis perigos que aguardam o Brasil, caso vença a candidata do Presidente. Mas como explica o Vladmir: “quanto pior a situação do povo, maior a sua disposição para lutar por mudanças”. No mais, citando o nosso prefeito Odorico, “temos é que tratar dos providenciamentos inauguratícios do cemitério”. Afinal, a campanha PSDB/DEM/FOLHA/GLOBO/ABRIL está próxima do derradeiro suspiro, e nem precisou chamar o Zeca Diabo…

Erick da Silva Cerqueira

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