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6
jul

Meio de manipulação em baixa

   Posted by: Erick Cerqueira    in Comunicação

A Rede Globo já não é mais aquela. O jornalista Marcos Uchoa fez uma análise sobre a atuação do Brasil na Copa totalmente motivada pelo rancor da emissora. O rancor de uma empresa de comunicação que foi barrada por um homem que, mesmo sem conseguir a Copa, ganhou apoio do Brasil. O Dunga foi aplaudido ao desembarcar em Porto Alegre. E o pior: o repórter ganhou um singelo #Cala boca Marcos Uchoa, no famigerado Twitter.

O Twitter virou uma espécie de “Fala que eu te escuto” dinâmico e em real time. Nada escapa aos olhos dos seus seguidores. O azarado do Mick Jagger, a morte de um homônimo do Schwarzenegger, Larissa Riquelme, enfim, tudo é comentado ali. A Globo, obviamente, está sempre nos mais comentados por ser o maior canal de comunicação do país. Porém, as críticas à emissora são ácidas, contundentes e revelam que o povo aprendeu uma palavra nova: manipulação.

Como tenho certeza que nem todos tiveram acesso aos livros da Marilena Chauí, devo crer na conscientização dos twitteiros como sendo advinda da própria internet. As discussões das redes sociais, as leituras de blogs de famosos e anônimos, a abertura de portais de opinião e entretenimento estão mudando o perfil das discussões. A saga Crepúsculo sumiu dos TTs (Trending Topics) graças a Deus e vem dando lugar a frases de apoio ao ex-técnico da seleção brasileira, ao linchamento do Felipe Melo, à escolha do candidato a vice de Serra, à manipulação das pesquisas do Datafolha e, principalmente, às críticas à Rede Globo de Televisão.

 
“Diego, no se va”
O Observatório da Imprensa está ganhando proporções maiores do que o seu site. A discussão sobre os meios de manipulação, digo, meios de comunicação no nosso país, está se tornando mais ampla. Somente entre os repórteres esportivos da emissora, temos quatro homenageados. Os Cala bocas Galvão, Tadeu Schmidt, Alex Escobar e agora o Uchoa. Ou seja, existe um canal de comunicação que a Rede Globo ainda não domina: o Twitter. E nessa nova rede, podemos encontrar frases como: @realistasp Apesar da derrota, Dunga teve a coragem de enfrentar o monopólio da Globo e o jornalismo medíocre da nossa “imprensa esportiva”. #valeudunga

Mas o império contra-ataca. A maior revelação da Copa do Mundo foi o jovem VJ da Globo, o Tiago Leifert. Esse rapaz conseguiu movimentar o Twitter, ganhou a simpatia do povo e, mesmo sendo da Globo e defendendo o posicionamento da empresa, conseguiu sair ileso, sem nenhuma retaliação. Tiago parece ter saído da MTV para criar o Rock´n Gol na emissora do “plim plim”. A Central da Copa, que vai ao ar muito tarde, como todos os bons programas da Globo, deu um show de informação e bom humor. Aliás, bom humor há muito tempo sumido da emissora.

Recepção em Buenos Aires depois dos 4a0 para Alemanha

Quanto ao seu colega Uchoa, infelizmente não conseguiu convencer os “twitteiros” de plantão. Dunga perdeu a Copa e ficamos tristes, mas não adianta mais incitar raiva contra o capitão do tetra. Confinamento, não. Concentração. O time jogou com o técnico e teve a “cara” dele em campo. Se Robinho gritou contra a Holanda, ele também sorriu muito contra o Chile. E para a tristeza das emissoras, os “meninos da Vila”, que até agora só jogaram bola no Campeonato Paulista, esperarão para 2014 para vestir a “amarelinha”. Talvez até lá a “Rede dos Marinhos” tenha aprendido a lidar com o Twitter e sofra menos por não conseguir manipulá-lo, como nessa Copa.

E se o Dunga precisa aprender a consolar seus jogadores na derrota, como fez o Maradona, o Brasil e sua imprensa precisam aprender a tratar o trabalho do técnico com mais respeito. A Argentina está na fila da Copa do Mundo há 24 anos, Maradona não ganhou nenhum título e foi recebido em Buenos Aires (mesmo depois de perder de 4 pra Alemanha), aos gritos de “Diego, no se va”. Já o Dunga, com a Copa das Confederações, Copa América e o 1º lugar nas eliminatórias para a Copa, tem que ouvir o Marcos Uchoa. Tem horas que dá vontade de ser argentino… Mas isso passa muito rápido, graças a Deus.

Erick da Silva Cerqueira

No Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=597FDS005

No Twitter:
www.twitter.com/ericksc

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29
jun

A força dos 140 caracteres

   Posted by: Erick Cerqueira    in Comunicação

O Twitter é a nova “onda” dos navegantes da internet. Todo mundo está twittando. O Paulo Henrique Amorim passou o jogo do Brasil mandando mensagens sobre o jogo e o Galvão Bueno. Kaká foi flagrado twittando em pleno estádio, durante o mesmo jogo. Uma febre.

Dessa epidemia que se tornou o microblog, como é pejorativamente chamado o Twitter, surgiu um eficiente e revolucionário meio de comunicação. As mensagens, postadas nos blogs e sites, passaram a ser divulgadas através do Twitter. E o mais incrível, aconteceu. A Rede Globo de televisão foi afrontada pelos usuários do Pássaro Azul.

A campanha “Cala boca Galvão” não é apenas uma crítica ao mais importante locutor esportivo da emissora. Ela é mais ampla. Quando o técnico Dunga xingou o Alex Escobar na coletiva à imprensa, após o jogo contra a Costa do Marfim, os twitters foram à loucura. Dunga nunca foi tão apoiado pelo povo brasileiro quanto naquele momento. Milhões de mensagens de apoio ao treinador da Seleção surgiram no microblog e dessa vez o Cala a Boca teve outro alvo: Tadeu Schimdt. Mas agora com uma repercussão apenas nacional. O Tadeu ficou em 1º lugar no ranking do Twitter brasileiro, o TT BR (Trendings Topics – Brazil), sem direito a pedir música.

Concorrente bate recorde

Depois de mandar o Galvão e o Tadeu calarem a boca, os twitters foram além. Lançaram a campanha Dia Sem Globo onde os usuários deveriam assistir ao jogo entre Brasil e Portugal, dia 25 de junho de 2010, no canal concorrente: a Band. Mas ai, o sucesso e o fracasso andaram lado a lado.

O DiaSemGlobo fracassou. Fernanda Paes Leme entrou no TTs BR e chegou ao topo da lista. A bela atriz roubou a cena e o seu parentesco com o Galvão Bueno foi muito comentado. Além, é claro, da sua total ignorância futebolística nos comentários. Porém com um sorriso daqueles, quem precisa entender de futebol? A Globo conseguiu três pontos a mais de audiência em relação ao jogo anterior. Ou seja, os números e os comentários sobre a bela atriz, demonstraram o fracasso da campanha. Será mesmo?

A Band, única concorrente da TV aberta a transmitir os jogos da Copa, também teve um crescimento e bateu o recorde de audiência nessa Copa. A emissora do Luciano do Vale teve 13 pontos de audiência e em termos de share (porcentagem de televisores sintonizados dividido pelo número total de TVs ligadas) obteve o único número favorável. No primeiro jogo do Brasil, a Globo obteve 75% da audiência contra 17% da Band. No DiaSemGlobo a Vênus Platinada caiu para 67% contra 20% de TVs que ouviram a narração do Luciano do Vale.

Surgirá o VidaSemGlobo?

Longe de mostrarem uma queda vertiginosa da empresa que justifique o sucesso da campanha, os números ajudam apenas a chegar a uma conclusão. Surge uma nova forma de se expressar.

Nunca antes na história desse país, diria o presidente Lula, houve uma manifestação tão grande contra uma emissora. A Globo ainda lidera com folga. Mas agora a programação da emissora e suas atitudes passaram a ser questionadas de forma mais contundente e ampla. Bastou o Carlos Alberto de Nóbrega não tirar o chapéu para as novelas globais, no programa Raul Gil do SBT, e o seu nome surgiu no topo dos TTs BR com mensagens de apoio ao comediante da Praça.

Porém, existe o outro lado da moeda. A Rede Globo está sendo amplamente questionada e criticada. Com isso seu conteúdo não sai dos TTs BR e o Galvão apareceu até no New York Times, graças ao Twitter. É o efeito colateral de uma repercussão. O famoso: “Falem mal, mas falem.”

Por isso, o DiaSemGlobo teve uma importância muito mais conceitual que numérica. Os internautas estão se mobilizando, demonstrando seus pontos de vista e aprendendo a fazer campanhas contra a mais importante emissora do país. A opinião pública não está sendo construída, como antes, nas reuniões de pauta da Central Globo de Jornalismo. O William Bonner não pode mais chamar seu público de Homer Simpson sem uma resposta imediata. E a resposta não vem a cavalo, mas sim, nas asas de um passarinho azul com 140 caracteres e na alta velocidade da banda larga.

Não é o Ibope que irá dar o veredictum sobre o DiaSemGlobo. Só o tempo dirá. Quem sabe surgirá em breve o #VidaSemGlobo? Afinal, como diria o mestre Bob Marley, “Se vocês são a grande árvore, nós somos o pequeno machado. Amolados para derrubá-la. Preparados para derrubá-la.”

Erick da Silva Cerqueira
No Observatóro da Imprensa: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=596FDS002

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21
jul

Será o fim do horário nobre?

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

Emissoras Lembro que na minha infância, quando as propagandas passavam durante as novelas das 6h e das 8h, eram sempre de grandes companhias e instituições. Hollywood, Free, Itaú, Ford, Vasp, Varig e, de vez em quando, uma propaganda do governo federal aqui e outra ali. Meus pais comentavam que o motivo era o “horário nobre”, um horário onde o grande público se concentrava em casa e parava para ver a TV, gerando picos de audiência. Isso, segundo os suplentes de marqueteiros que eu tinha em casa, justificava o alto preço do horário dos comerciais e, consequentemente, as grandes empresas que se apresentavam. Obviamente, fazia sentido. Coisa que só descobriria muito tempo depois. Mas, se pararmos para pensar, onde está o “horário nobre” hoje?Essa é a pergunta de um milhão de dólares para todo e qualquer analista de mercado. A TV perdeu, nos últimos 20 anos, seu status supremus de “última coca-cola do deserto” por diversos motivos.

1º) O surgimento de novas tecnologias da informação – O grande furo de reportagem aparece primeiro na internet para só depois alcançar a grande massa através das TVs. No episódio da morte de Michael Jackson, fiquei sabendo da informação por um SMS enviado pelo meu cunhado, solicitando confirmação do fato. Na mesma hora, no escritório, colocamos três notebooks conectados a portais de informação: Terra, Globo e LATimes. A confirmação chegou primeiro por um site de revista de fofoca americana. Apertávamos o F5 para atualizar as telas concomitantemente. Dentre a mensagem e a confirmação da morte não se passaram mais de 40 minutos.

Repetição e falta de criatividade2º) O público está mais exigente – As notícias, antes facilmente digeridas, hoje acabam passando por um crivo maior. A necessidade de confirmação das reportagens pelas novas tecnologias de informação é quase um direito de defesa do cidadão internauta. Michael morreu, mas só porque ficou confirmado em dezenas de sites, e não porque alguém me falou.

3º) Todos querem conforto e flexibilidade nos horários – Por que sair correndo para casa para ver o casal Bonner divulgando suas notícias mastigadas ao seu público (“carinhosamente” batizado de Homer Simpson por William), se podemos chegar bem mais tarde e assistir a tudo pela internet, com comentários dos internautas, fórum de discussões e análises críticas de diversos jornalistas sobre as notícias e outras formas de interação?

4º) O baixo nível das novelas – Não me refiro somente à toda poderosa Rede Globo, englobo todas. Todas as mulheres da minha família marcavam seus compromissos com quem quer que fosse somente depois da novela das oito. Perder um capítulo era ter a certeza de não saber o que dizer no dia seguinte na roda de amigas do salão de cabeleireiros. Hoje, essa mesma mulherada quase não acompanha às novelas. Talvez, por causa da repetição ou mesmo falta de criatividade dos autores e do público também. Lembro que durante a novela A Favorita o autor teve de mudar a novela e apresentar logo a vilã, pois o público estava deixando de ver a novela por causa da falta de um posicionamento mais direto dos personagens.

Senhores da programação5º) A segmentação dos mercados – Depois das análises do mercado, constatou-se que a propaganda em massa, apesar de eficiente em alguns casos, não consegue atingir públicos específicos de maneiras diferenciadas. Na era do Marketing 1a1, a propaganda televisiva vem cedendo espaço às mídias alternativas, às ações de marketing de guerrilha e principalmente ao merchandising (pontos de vendas).

6º) Mais ensino, menos novela – Com a proliferação das faculdades particulares, milhões de jovens e adultos passaram a trocar o conforto da poltrona por uma cadeira de estudante universitário noturno.

7º) O direcionamento do assunto – De que me importa se a chuva no Nepal acabou com a plantação de arroz ou ainda se um ursinho ficou preso no gelo no Alaska? Essas informações, apesar da minha comoção com os plantadores e com o pobre animal, não acrescentam nada à minha vida. Preferiria ver Nizan Guanaes e Washington Olivetto falando sobre as projeções de 2010 e 2011 para o mercado publicitário. A internet nos dá essa possibilidade de escolha de programação. Vamos atrás daquilo que realmente nos interessa e não ficamos passivos, hipodermicamente recebendo notícias. Somos muito mais que a mão no controle remoto; somos os senhores da programação, quase o editor-chefe da redação. Selecionamos o que nos interessa e não perdemos tempo com o pobre urso.

Quem faz o horário somos nós

Todos esses tópicos serviram apenas para mostrar que o horário nobre, apesar de sustentado por muitos especialistas, simplesmente morreu (ou anda agonizando). Hoje, para o terror dos analistas de mercado, quem faz o horário nobre é o próprio público. Conheço pessoas que não sabem nada sobre as TVs fechadas e têm pavor da TV aberta. Uma professora confessou-me que não tem televisor em casa, pois enxerga a programação televisiva como um aparelho de manipulação. Esse grande ditador de verdades com antenas, apesar dos esforços em se renovar, parece perder cada vez mais espaço. Não vai acabar, obviamente, mas perderá ainda mais a sua importância ao longo dos anos.

O horário nobre, caros amigos, quem faz somos nós. Onde você lê suas notícias? O que você procura para se distrair? E, o principal, qual o seu horário disponível para a televisão?

Atentemo-nos, senhoras e senhores, para essa informação. Horário nobre, agora, é algo quase particular. Cada um tem o seu. O meu, informo a grande mídia que queira me encontrar preso em frente à TV, está localizado entre 22:30h e 2 horas da manhã. E o seu?

Por Erick Cerqueira

 

Extraído do Observatório da Imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=547TVQ002

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