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23
mar

Lula não é um Filho Dilma PT

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades, Notícias, Política

Se uma coisa é clara na imprensa brasileira, é que as tendências políticas norteiam as linhas editoriais. Esse fato provavelmente é recorrente em todas as partes do mundo, pensemos em âmbito brasileiro. Ao ler a Revista Época, da Editora Globo, obviamente sabia que iria encontrar críticas ao governo e a candidatura petista ao Palácio do Planalto. Contudo, diferente da tucana VEJA, a capa de Época não trazia uma referência negativa ao atual governo, e sim a imagem de um personagem vitorioso, Eike Batista, chamando a minha atenção para a reportagem central. Porém, ao ver a revista por inteiro, notei que o foco central do semanário estava nas declarações infelizes do Presidente da República e em acabar com o mesmo. E nisso, seus jornalistas foram extremamente competentes.

Na matéria “Esqueçam o que eu fiz” (parafraseando FHC) de Leandro Loyola, três páginas exploram o tema e mostram como o presidente da República, Homem do Ano pela imprensa internacional, trouxe para cima de si a fúria das Organizações de Direitos Humanos do mundo todo. Lula foi mesmo muito infeliz, esqueceu o seu histórico, sua prisão por motivos políticos e, principalmente, em tratar a morte de uma ativista cubano por greve de fome, como pretexto para liberar pessoas. Justo ele, que resolveu a questão de greve de fome de um padre no nordeste, que lutava contra a transposição do Rio São Francisco, de forma sensata, com a ajuda do hoje Governador da Bahia, Jacques Wagner. No final da matéria, Loyola ainda nos mostra um quadro com as contradições de Lula junto a personagens como Ahmadinejad, Chávez e Zelaya.

Guilherme Fiuza, na página seguinte nos presenteia com “O chicote ‘democrático’ de Lula”. Lula passa a ser o inimigo da imprensa, o homem que irá amordaçar a mídia brasileira com o PNDH-3, ou o Plano Nacional dos Direitos Humanos 3. Pausa para reflexão: o Presidente que é alvo atualmente dos direitos humanos, aprova um plano de Direitos Humansos e continua a ser rechaçado, é isso? Para concluir, Fiuza que começou a falar da frase infeliz, do apoio aos Castros em Cuba e do PNDH-3, afirma que Dilma não é Lula, Dilma é José Dirceu e que ela por ser ainda, o Celso Pitta de Lula?

E ainda tem mais…

Páginas à frente, Agnelo Queirós, ex-ministro do atual governo, aparece como um invasor de terras públicas e ainda assim se apresentando como alternativa ética para Brasília, em página dupla. Virando Agnelo, surge Alberto Bombing expondo “Os esqueletos do PT”, onde Dilma aparece tendo de defender petistas envolvidos em escândalos, alguns bem antigos. Algumas propagandas depois, uma página elogia José Alencar, que aparece como o único ponto positivo do governo atual na revista, e é elogiado pelo Dr. Paulo Rabello de Castro.

Os hábeis profissionais de Época só não conseguiram ligar Lula à Jihad Islâmica contra os infiéis europeus. Mas juro que fiquei esperando a foto do presidente com um turbante de Alá e sorrindo ao lado de um homem bomba. Porém, apesar do descanso de algumas páginas, o presidente volta ao bombardeio no artigo final, assinado por Ruth de Aquino, onde a declaração infeliz de Lula é comparada com a do goleiro Bruno, do Flamengo. Mas ainda assim, Bruno foi absolvido, pela autora, por causa um pedido de desculpas, e Lula ainda estaria devendo um pedido formal.

Política editorial na linha eleitoral

É notório que as eleições de outubro irão povoar as páginas das grandes revistas locais. É óbvio também, que as linhas editorias tenderão a pesar para o PT ou o PSDB. Mas a guerrilha está começando muito cedo e de forma torpe. Cabe a imprensa lutar pelo direito à informação e noticiar fatos relevantes como os erros graves dos nossos dirigentes. Mas buscar de forma tão acintosa acabar com a imagem de um presidente que goza do apoio de mais de 80% da população, é um jogo sujo. E o pior, atribuir a negativa personalidade de pessoas como Celso Pitta à Dilma Hussef e Ahmadinejad ao presidente Lula chega a ser um exagero.

Confesso que ao final da leitura da Revista me senti em outro país. Governado por um ser insensível e quase fundamentalista, como o presidente do Irã. Parafraseando, e contrariando, Rose Vermelho, Lula não é um filhe Dilma PT. Ele errou no depoimento, sim. Agora, reduzir oito anos de mandato e um prestígio internacional a uma declaração infeliz é algo ignominioso. É época de reflexão e não da imposições de idéias de uma época ressentida, de uma época de “denuncismos” e principalmente, de uma época que não queremos de volta, onde a liberdade de escolha deu lugar a opressão de notícias forjadas e debates editados por um certo grupo de comunicação brasileira.

por Erick da Silva Cerqueira

Publicado no Observatório da imprensa sob o título “O reducionismo como prática” (mas ainda prefiro o meu), aqui sem cortes :)
 http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=582FDS009

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13
out

Olimpíadas da mídia e do poder

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades, Notícias, Política

rioRio de Janeiro é confirmado como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. A capital carioca receberá as delegações de todos os países dois anos depois do país receber a Copa do Mundo de Futebol. Uma informação que foi tão divulgada como comemorada por todos os brasileiros… Quer dizer, quase todos. “A vitória do povo brasileiro”, como definiu o presidente Lula, foi comentada com ar de denúncias prévias de corrupção e a Folha de S.Paulo, como sempre, publicou uma matéria cujo título defende bem o seu posicionamento: “Para críticos de Olimpíada, Rio deveria ter outras prioridades”.Aí vem uma pergunta: será que Madri, Tóquio e Chicago, como gigantescas metrópoles que são, também não deveriam ter outras prioridades? Será Obama um irresponsável, Zapatero um inconseqüente e Hatoyama um ignorante político? Por que esses líderes iriam querer levar para seus países algo que traz tantos prejuízos para suas nações? Isso não teria explicação, nem lógica. O problema é que parte da imprensa brasileira ainda é adepta do negativismo e do cinismo político, tão presente em seus editoriais e nas mensagens semióticas disfarçadas de matérias imparciais.

mainardiTive o desprazer de ver na GNT, o mais boçal de todos os programas da TV brasileira, apesar de ser uma produção bi-nacional. O Manhattan Connection, em sua formação atual, é um simples balcão de notícias e comentários, utilizado para falar sobre economia, política internacional e desprezar ou humilhar todas as ações do atual presidente. O pedantismo do sr. Diogo Mainardi chega às raias do absurdo, quando, em crítica à conversa de Lula com Ahmadinejad, sugere que não se deva ter conversas com um lunático e que o ideal não seria o diálogo com o presidente iraniano e, sim, falou o comentarista político de Veja e do programa da GNT, o uso de bombas no Irã. Uma frase assim, “tão democrática e sensata”, partindo de “formador de opinião”, graças a Deus foi proferida em um programa de canal fechado, onde supostamente os assinantes possuem um nível cultural maior que o da maioria da sociedade e podem discernir mais facilmente as loucuras proferidas pelo rancor.

Melhorias ajudarão cidades

Mas o que isso tem a ver com as Olimpíadas do Rio? Simples, o ato de criticar toda e qualquer ação (mesmo as conquistas) do atual governo, a qualquer custo. Isso acaba gerando tolices e frases insensatas como estas do “poderoso Sir Mainardi” que, aliás, também condenou a embaixada brasileira por dar abrigo ao presidente democraticamente eleito de Honduras, Manuel Zelaya, deposto por um golpe militar em Tegucigalpa. Na certa, o apresentador do Manhattan Connection entregaria o então presidente nas mãos dos opositores.

A crítica à segunda maior conquista governamental, no âmbito do esporte, dos últimos 60 anos (a primeira foi a Copa do Mundo de 2014) é muito mais política que jornalística. Não há, pelo menos em sã consciência, quem visualize nas Olimpíadas um gigantesco gasto para os cofres públicos. Todos conhecem os benefícios de se sediar o maior evento esportivo do mundo. As melhorias exigidas para a realização dos Jogos Olímpicos, nas áreas de transporte, segurança, infra-estrutura, além da criação de milhares de empregos diretos e indiretos, ajudarão, e muito, a reorganizar o Rio e as cidades que também sediarão eventos das Olimpíadas, como a minha belíssima Salvador.

Imprensa ranzinza e amargurada

Talvez alguns tenham a mesma visão pessimista e com altas doses de dor-de-cotovelo, como a do jornalista Juca Kfouri (também da Folha, coincidentemente) que afirmou categoricamente:

“Daqui a pouco vai começar a realidade e aí, muitos dos que estão festejando, vão começar a chiar.”

Calma, Juca. Não foi uma “vitória da ficção”, como você afirmou. Foi a vitória de um país em pleno crescimento, tanto econômica quanto politicamente. O Brasil não é mais um país do futuro. Hoje somos um país de futuro. Com Copa do Mundo e Olimpíadas nos próximos seis anos, com uma das economias que menos sofreu com a crise e uma das que mais rapidamente vem se soerguendo.

Por exemplo, o jornal El País destaca em sua edição do dia 12 de outubro de 2009 na sua “Reportaje: Primeiro Plano”, assinada por Francho Barón:

 

“Brasil va a por todas. Premiado con los Juegos de 2016 y convertido en potencia económica, el país asume el reto de erradicar la pobreza.”Na reportagem, o jornalista espanhol parece conhecer muito mais o nosso país do que os correspondentes do Manhattan Connection. Fala sobre a origem do termo “país do futuro”, explica o receio dos empresários quando da ascensão de Lula ao poder, sobre FHC reconhecer que o país está melhor que antes, sobre o crescimento econômico, dentre outros.

Mas, assim como Dunga teve que ouvir de um jornalista brasileiro em Buenos Aires, logo após o triunfo de 3×1 sobre a Argentina, o comentário “O que achou das falhas da defesa argentina no jogo de hoje?”, ainda existem pessoas que desqualificam as conquistas nacionais, motivadas pela frustração de assistirem seus inimigos, políticos ou não, brilhando e se emocionando com suas conquistas em rede internacional.

Infelizmente, para Mr. Mainardi, o Brasil é hoje, sim, o centro das atenções. E o pior, companheiro, será ainda daqui a quatro e seis anos. Parabéns ao Comitê Olímpico Brasileiro. Parabéns ao Brasil. Só lamento pela “velha imprensa ranzinza e amargurada” que tem que presenciar a gigantesca popularidade do nosso presidente, aqui no Brasil, e em Manhattan, ser obrigada a ouvir, no bom e velho inglês do Mr. President: Lula is the man!

Por Erick da Silva Cerqueira
Observatório da Imprensa:
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=559FDS010

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25
ago

O Nordeste na mídia, preconceito e estereótipo

   Posted by: Erick Cerqueira    in Atualidades

Veja quanta bobagem...

Veja quanta bobagem...

Não importa se modelo associativo ou padrão pré-estabelecido. “Usado principalmente para definir e limitar pessoas ou grupo de pessoas na sociedade”, o uso do estereótipo é motivado, sobretudo, pelo preconceito e discriminação, como consta seu significado na enciclopédia digital, Wikipédia.

Tomando como base o substantivo em questão, quando o jornalista Marcelo Marthe escreve no texto em que assina (edição 2124, 08/08, revista Veja) que “o telejornalismo estilo `mundo-cão´ é o prato principal do horário do almoço nordestino” e que isso “se explica pelos altos índices de criminalidade da região”, em outros termos e bastando um pouco de discernimento, ele está criando um estigma preconceituoso acerca dos mais de 51 milhões de habitantes dos quase 1.800 municípios existentes nessa região.

Para entender melhor nosso ponto de vista, voltemos um pouco ao texto de Marthe – que contou com a colaboração das reportagens dos jornalistas Leonardo Coutinho, Luciana Cavalcante, Fernanda Guirra, José Edward, Igor Paulin e Bruno Meier. Nas informações, o jornalista se utiliza dos termos generalistas para tentar explicar as hipóteses içadas sobre a quantidade de programas “policialescos” exibidos no Nordeste, em especial, o “expoente da baixaria baiana” Se Liga Bocão – citado como um dos exemplos, dentre as “aberrações” geradas pelas “produções regionais”.

Ranking de homicídios

Seguindo a contramão das “produções nacionais das grandes redes”, Marthe diz que a apreciação do nordestino ao estilo citado, exibido dentro do horário que atinge os maiores índices de Ibope na programação das TVs locais, é tida por “horário nobre” dos sítios e que isso faz parte da “tradição que remonta à era cenozóica da TV”. Ou seja, os velhos hábitos dos truculentos matutos e flagelados do Nordeste… Eis a chancela discriminatória evidente nas entrelinhas.

O jornalista não conseguiu esconder e deixou escapar sua verdadeira intenção ao traduzir que tal relação pitoresca entre o meio difusor e o expectador nordestino não passam de uma combinação entre baixa qualidade nas produções televisivas e as poucas faculdades intelectuais de um povo.

Um interessante flagrante de contradição da escrita pode ser visto quando Marthe se refere ao programa Sem meias palavras, apresentado pelo repórter Givanildo. Em um mesmo parágrafo o autor cita que “o telejornalismo estilo `mundo-cão´ é o prato principal do horário do almoço nordestino. Isso se explica pelos altos índices de criminalidade da região”. Em seguida, diz que “as reportagens sobre um certo bêbado Jeremias e sobre o cachorro que faz sexo com uma garrafa pet transformaram Givanildo Silveira em hit no YouTube”. Será que a Google sabe que o seu produto, o Youtube, é assistido apenas por uma fatia do mercado brasileiro? Os nordestinos? Buemba, buemba como diria Simão. O esdrúxulo, caro Marthe, é sucesso em todo o país e no mundo.

Um levantamento da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla) traz uma informação estarrecedora, talvez para os jornalistas – inclua-se aí o editor – da revista Veja:

“A cidade de Coronel Sapucaia (MS) tem a taxa média de homicídios mais alta do país, com 107,2 mortes para cada 100 mil habitantes. Em números absolutos, a cidade de São Paulo lidera o ranking, com 2.546 homicídios (taxa 23,7), seguida pelo Rio de Janeiro, com 2.273 (37,7).”

Um papel simples e ridículo

É incrível o que revela essa pesquisa, visto que as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo e Coronel Sapucaia não fazem parte do “mundo-cão” que assola o Nordeste, mas estão com os maiores índices de criminalidade do país. Para piorar a situação do jornalista de Veja, que parece não ver a realidade da pátria em que vive (se é que ele ainda acredita que SP e RJ fazem parte do Brasil), um dos programas mais popularescos da TV, citado por ele próprio na reportagem, foi “exportado” do Nordeste para as capitais sulistas. O Balanço Geral, do sr. Raimundo Varela. O que existe, segundo informações do IBGE, é um aumento substancial do poder de compra das classes menos favorecidas nos últimos anos. Com isso, criar programas que agradem as classes C, D, e E (que são a maioria nacional) é alvo mercadológico que simboliza lucro. Somente a classe C ocupa aproximadamente 44% dos consumidores brasileiros, colocando-os na mira dos especialistas de mercado.

Muitas empresas de bens e serviços já voltaram suas estratégias e campanhas de marketing para as novas classes de poder. E quem não aderiu ao segmento, logo estará criando perspectivas substanciais para atrair quem está inserido na maior parte da população brasileira consumidora. Essa informação, não presente no texto da Veja, acaba por tornar-se um empecilho para credibilidade de tanta verborragia desnecessária.

As falácias deflagradas em preconceito pela grande mídia acerca do Nordeste e dos nordestinos são recorrentes na história da imprensa e a elas somam-se as evidências de um crime prescrito. É assim na política, no futebol e em todas as outras áreas. A título de exemplo, na segunda divisão do ano passado, do campeonato de futebol brasileiro, parecia ter apenas um time disputando o título, o Corinthians paulista. Esse ano, como de praxe, quem centraliza as lentes e narrativas futebolistas é o Vasco da Gama, enviesando muita espinha de bacalhau na garganta de milhares de torcedores.

O estereótipo utilizado por Marthe e equipe limita 51 milhões de habitantes a um simples e ridículo papel de consumidor da miséria humana. A Veja, mais uma vez, parece desconhecer o público com o qual se comunica. E esquece que esse mesmo público consumidor do “mundo-cão” é responsável por 14% das aquisições da sua própria revista, mais de um milhão de exemplares. Veja só, é mais um exemplo de quem vê o Brasil com a cabeça em Marthe.

Por Erick Cerqueira e Mônica França

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