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A pequena grande desafiante
No outro canto, uma aliança antiga e recheada de mágoas, desavenças e traições mútuas traz uma outra proposta. PSDB e DEM (ex-pfl, ex-arena) apostam suas fichas em uma figura obscura e com histórico de derrota na corrida presidencial. Sobre ele a responsabilidade de reconquistar o poder dos tempos de FHC. Porém, os assessores de marketing, do partido, possuem problemas terríveis para resolver com a comunicação. Como falar de governo presidencialista do PSDB/DEM, fazendo com que a população não associe esse “novo” projeto com o governo FHC? Como dizer “governaremos para o futuro” e apresentar uma política recheados de figurinhas carimbadas dos tempos do Fernando Henrique? Mas o maior problema é esse: precisamos evitar comparações dos governos FHC/Serra com a gestão Lula/ Dilma. Porém, como fazer isso? Precisamos bater em Dilma, sem citar o sacro nome do presidente da república no auge dos seus 80% de aprovação. Seremos o pós-Lula, nunca o anti-Lula. Ao nosso lado a imprensa marrom/ azul/ amarela. O povo é só um detalhe, diria Justo Veríssimo. A gente manipula com notícias semióticas, informações apócrifas e uma boa fala no horário político eleitoral. O resto é comício…
Em contrapartida, surge uma candidata técnica demais para um público popular demais. A falta da experiência política de Dilma é um calo para Partido dos Trabalhadores. A estrela dela nunca brilhará como a do atual presidente. Dilma é a cara do PDT, do PMDB, não do PT. Possui o apoio de Lula, mas não o seu carisma. Fez plástica para ficar mais “apresentável” ao grande público, mas seu jeitão de tecnocrata é indisfarçável. Distribuiu sorrisos no carnaval de Salvador, mas não toma cachaça, nem torce pra o Corinthians paulista. Seu sorriso tornou-se mais constante, contudo ainda não chegou no “ponto”. Está sendo trabalhada, moldada, dilapidada e esculpida para disputar a sua primeira eleição. E isso é o seu maior ponto fraco. Como ela se sairá nos debates, nos palanques, no contato com o povo, nas alianças políticas? Confesso que não vejo a Sra. Rousseff beijando criancinhas negras no interior do sertão. A seu favor, seu partido e a máquina governamental atual. Duvido que ela tenha viajado tanto, e em tão pouco tempo, na sua vida inteira. Possui ainda as credenciais de ter implantado projetos importantes do atual governo, como o PAC e o “Luz para todos”. Seus inimigos usarão seu passado para descredenciá-la. Um empresário de São Paulo à chamou de “guerrilheira”, em conversa informal. Porém, usado de forma correta, seu passado de combatividade, à ditadura militar, pode ser mais bem usado que o exílio do Serra.