THORO momento foi único. Numa sala separada vesti uma roupa engraçada, uma touca de cabelo e uma máscara. A espera de pouco mais de 15 minutos parecia uma eternidade. A enfermeira chamou. Entrei numa sala pequena com cheiro de coisa queimada. O médico brincou comigo e falou algo que nem ouvi. Peguei o celular, foquei e tirei a primeira foto. A barriga ainda se abria e apareceu parte da cabecinha cheia de cabelo. Nova foto. Depois aquele corpo avermelhado saiu e tirei mais uma foto. Aí veio o choro. Pensando bem, oS choroS. Minhas mãos permaneceram firmes na câmera, mas meus olhos acompanhavam ele. A enfermeira tomou o celular de minha mão dizendo: “me dê, pai. Você não vai tirar mais foto nenhuma”, e saiu fotografando tudo como uma paparazzi.

Isso completa um ano, hoje, dia 6 de fevereiro de 2015. E eu, pai babão assumido, gostaria de compartilhar com vocês uma coisa: ser Pai é massa.

Mudei muito. Aliás, completamente. Deixei de ser “Erick Cerqueira” para virar o “Pai de Thor”, como o “Pai de Erick Cerqueira” insiste em me lembrar.

Aprendi que as noites foram feitas para dormir. Ao menos até às 4h ou 5h da manhã. Fiquei mais paciente, mais tolerante, menos egoísta, mais responsável. Troquei meu orgulho pelas experiências de ser ajudante de pintor de parede, assistente de armador de berço, de estante, de rack, de armário, de guarda-roupa… e o pior é que a gente faz questão de fazer essas coisas pra ele. 🙂

A gente fica feliz de ver as pessoas felizes por estarem com aquele cidadão gordinho e pequeno que vocês fez. Ver seus familiares dizendo que “parece com você quando era bebê” te enche de orgulho e felicidade. Ouvir a família de sua esposa falando “é a cara da mãe”, também. Afinal, como não ficar orgulhoso de ter escolhido a mãe dele?  O que importa mesmo é vê-lo  viver. O sono tranquilo, a agonia de vê-lo soluçando sem a “linha vermelha” na testa fazer efeito, o choro de fome, ver que ele já se vira da cama, já fica na posição de apoio, dando os primeiros passos com 3 meses (pra desespero das tias), batendo palmas aos 6, brincando com os cachorros, puxando a barba do vovô Ruy, beijando a avó Tânia, abraçando a tia Véu, puxando o cabelo da Tia Mi, “conversando” com tio Vinho e fazendo a festa da primaiada Cerqueira. Rindo das palhaçadas do avô materno, andando com a vó Keu, rindo com os padrinhos e os tios e primos por parte da mãe. Thor virou sucesso.

Apareceu pra comemorar o seu primeiro título de Campeão Baiano, pelo nosso Tricolor de Aço, no futebolbahiano.com. Virou celebridade na internet, O Príncipe do Facebook, como disse meu pai. Uma criança feliz, que quase não chora. Saudável, gente boa, tranquilo, brincalhão, inteligente, dançarino, abusado, tocador de pandeiro e batuqueiro de mesa.

Thor é aquele sonho realizado por completo. Sem necessidades de retoque. Um ser com luz própria. Um diamante a ser lapidado, ainda, porém já com os contornos muito bem definidos.  Ano passado pedi que ele viesse com as bênçãos de Deus, o amor de Jesus, a luz dos espíritos superiores, a graça de Buda, a força dos Orixás e a paz de Jah, num sincretismo religioso maravilhoso e cheio de saúde. Hoje é dia de agradecer pelos pedidos atendidos. Obrigado galera Lá de Cima.

Parabéns, Príncipe Thor, filho de Erick e Adriana. Que a felicidade que você nos proporciona, volte para ti em toda sua vida.

THOES